quinta-feira, fevereiro 26, 2015

Um PASOK à portuguesa?

Sejamos honestos, em Portugal o PS só não corre o risco de ser reduzido à sua expressão mínima porque por cá não há nenhuma alternativa consistente à esquerda, o BE tem dado demasiadas vezes a mão à direita e o PCP tem um projecto de sociedade e de modelo político que a maioria dos eleitores rejeita. O PS existe porque tem um ou outro militante em que os eleitores confiam e porque uma boa parte dos portugueses está tão farta deste governo da direita que votará em qualquer alternativa credível.
  
Visto a partir de fora o desempenho do PS na oposição tem roçado o sofrível e o país arrisca-se a ter um governo e um presidente de direita durante mais quatro anos, isto depois de termos tido um residente pior do que qualquer residente ou do que qualquer monarca da história de Portugal. Perante tanta incompetência à direita e face a uma política tão destrutiva o PS é incapaz de apresentar uma alternativa a Cavaco  e anda com agendas cheias de banalidades para não se apresentar com qualquer alternativa à actual política.
  
Aquilo que se passa com as candidaturas presidências roça o vergonhoso, lança-se uma candidatura de António Guterres quando se sabe que o ex-primeiro-ministro não será candidato e este alinha na encenação, chega mesmo a dar uns guinchos de protesto quando alguém disse que já não seria candidato. Guterres tem-se comportado de uma forma pouco digna, trata o cargo de Presidente da república como um emprego de segunda escolha e pensa que o país já escolheu e agora aguarda a sua decisão. No fim a esquerda vai ficar sem um candidato credível e a direita até ganhava as presidenciais com uma candidatura do Pedro Santana Lopes.

Na oposição ao governo é aquilo que se tem visto, diz-se que se é contra a austeridade mas não se apresenta uma única proposta de alívio dessa austeridade, nem sequer se garante que não serão adoptadas mais medidas. A única medida que se propôs foi a redução do IVA nos restaurantes, isto é, um imposto que os restaurantes cobram e que na maior arte dos casos não entrega ao Estado.
  
Mas se o discurso para os portugueses é que os governos são como os melhores, primeiro compram-se e depois logo se vê se são doces ou parecem pepinos, já o discurso para estrangeiros é bem diferente. Até parece que quem os escreve acha que os portugueses nunca saberão o que se diz na conferência da Economist ou na jantarada do Ano Novo chinês. Aos chineses dizem que isto está muito diferente do que estava graças a eles. Na Economist diz-se que não se pode apresentar um programa pois depende-se de negociações com Bruxelas, isto é, aceita-se a tutela estrangeira sobre a política económica.
  
O PS está (ainda) longe de ser um PASOK, mas a verdade é que perante um desastre nacional é incapaz de captar as simpatias dos eleitores, incluindo muito dos seus próprios eleitores tradicionais, não consegue apresentar uma alternativa política consistente e alguns dos seus políticos tratam um cargo como a Presidência da República como um emprego de segunda.
  
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