sexta-feira, fevereiro 13, 2015

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Aguiar-Branco

Só um ministro muito incompetente e irresponsável poria as forças armadas a responder a questões colocadas pelos partidos a um ministro num plano político.

«Aguiar-Branco demitiu o diretor-geral da Autoridade Marítima e comandante-geral da Polícia Marítima, mas as explicações pedidas pelo PCP foram dadas pelo gabinete do chefe militar da Marinha.

"É mais uma originalidade deste ministro" da Defesa, comentou ao DN o deputado António Filipe, autor do requerimento para saber "quais as razões ponderosas que justificaram a exoneração" do vice-almirante Cunha Lopes do cargo de comandante-geral da PM.» [DN]

 Bem-vindos à URSS da treta

Coma divulgação da conta bancária de alguns portugueses o país teve uma crise ideológica nunca vista, os jornais mais à direita fazem lembrar o antigo Luta Popular e a ministra das Finanças tranquiliza os portugueses informando que a polícia dos bons costumes já pediu informação sobre os suspeitos.

Que o Belmiro de Azevedo e o Amorim sejam ricos tudo bem, todos sabemos que gastam o dinheiro honestamente e com o suor do seu trabalho, mas a Tia Mari Coxa que não mora na Quinta da Marinha ou na Quinta Patino é que não pode ser? A RTP telefona à Ti Coxa, o CM persegue o ti Zé Maneta e a polícia dos bons costumes informa-se sobre se o Zé das Salsichas pagou impostos.

O país descobriu de um dia para o outro que não foi só o Dias Loureiro ou o Duarte Lima a enriquecerem nos últimos trinta anos, pelos vistos há quem não receba comenda, não tenha estatuto de senador nas televisões ou a quem ninguém lambe os ditos cujos e tem dinheiro. Algo inaceitável, devia ser proibido chegar a rico sem ter dado envelopes a políticos candidatos presidenciais, sem ter oferecido férias a jornalistas ou sem ter ajudado publicamente na campanha da Popota.

Portugal está por estes dias a ter o seu momento URSS.
 
 Sugere-se a Cavaco que reveja o vídeo do Marcelo


  

      
 Tudo sobre a portuguesa dos muitos milhões!
   
«Como não sou um latinista reputado para dizer que delatar e dedo têm a mesma origem, o que me daria jeito, sirvo-me da palavra dedo-duro. Os brasileiros, que são quem melhor manuseia a nossa língua, inventaram dedo-duro para dizer denunciante. Olhem o gesto: aponta quem, mas não diz o quê... E isso é importante? É, faz-nos andar para trás. Quando os deuses fizeram os seres vivos, dos lobos aos homens, deram-lhes ganas para fazer o que lhes apetecia, machucar e matar. Era bom, exceto, claro, para os que eram mortos segundo nos apetecia. Mas andámos, andámos e chegámos à lei, que acabou com o lobisomem. A lei, sancionando, permitiu que fosse metido na ordem quem ia contra as regras determinadas pela aldeia e pelo Tribunal Europeu de Justiça (estou a saltar etapas, mas a crónica é curta). Grosso modo, a lei funciona respondendo a esta pergunta: "O que há de errado, se há, no que foi feito e por quem?" Repararam na filosofia implícita da fórmula? Primeiro, verifica-se se houve crime e, havendo, vemos quem o cometeu para o castigar. Foi isso que nos levou a chegar a civilizados. Ora, esta civilização que tem sido combatida há séculos, por estes dias é-o por esta fórmula: "O que havemos de fazer com esta pessoa, apesar de não sabermos o que ela fez?" É a fórmula do dedo-duro. Por exemplo, a popular lista do banco suíço: "Olha a D. Sílvia, de Vila Real, a portuguesa dos 200 e tal milhões!!!"... Sim, mas ela fez o quê?» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.
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