quinta-feira, fevereiro 05, 2015

Quanto vale a vida de um português?

Para se justificar em relação ao que está acontecendo aos doentes da hepatite C o infelizmente e ainda primeiro-ministro deste país desastrado na hora das escolhas justificou dizendo que os estados "fazer tudo o que está ao seu alcance para salvar vidas humanas", sugerindo que há um limite financeiro a partir do qual o governo deve deixar morrer os portugueses.

Portanto temos uma dúvida para esclarecer, quanto vale da vida de um doente? A partir de que montante o ministro da Saúde acha que deve permitir o tratamento de um doente que implica o recurso a medicamentos mais onerosos. No caso dos doentes com hepatite C o Dr. Macedo devia dizer aos portugueses quanto é que a sua brilhante gestão consegue poupar com a morte ou mesmo com o adiamento do tratamento mais oneroso. Por exemplo, seria muito interessante saber quanto gastou o Estado com o internamento da senhora que morreu com hepatite C e foi notícia devido aos protestos que ocorreram ontem.

Nas contas do dr. Macedo e do primeiro-ministro só entram o custo do medicamento, não são contabilizados todos os custos em tratamentos ineficazes, consultas e internamentos. Se quisermos saber quanto custa um tratamento não basta dizer que custa 28.000 euros, é preciso contabilizar os custos resultantes para o SNS do tratamento e cuidados paliativos em consequência de uma solução ineficaz. O dr. Macedo deve dizer aos portugueses quanto poupou ao Estado com a sua decisão de condenar à morte sem qualquer apelo nem agravo de uma senhora com 51 anos.

Compreendo que o dr. Macedo queira passar a imagem do Robin dos Bosques que tira às farmacêuticas para dar aos pobres, mas a verdade é que aquilo a que estamos assistindo é à morte dos pobres nos hospitais públicos, com todos os que possuem recursos a fugir para o florescente sector privado. A única excepção são os doentes oncológicos pois como é sabido nem as seguradoras, nem as empresas privadas de saúde querem esses doentes. Ou, como diz um primeiro-ministro sem escrúpulos, o tratamento das doenças oncológicas não é uma “tradição” do sector privado.

Os pobres estão morrendo nos hospitais públicos porque a ideologia do dr. Macedo e deste primeiro-ministro contem em si uma sentença de morte sem direito a julgamento aplicáveis aos que por falta de recursos não possam fugir para os hospitais privados. Ao dr. Macedo e a Passos Coelho não bastou a destruição do SNS através da asfixia financeira e do convite aos seus médicos e enfermeiros para fugirem para o sector privado ou para o estrangeiro, estão também a destruir a imagem de competência, dedicação e igualdade que o SNS, estão dizendo aos portugueses que se tiverem meios que se dirijam ao sector privado, se não tiverem recursos então que tentem a sorte no SNS.
  
Durante muito tempo o dr. Macedo explorou a imagem do bonzinho que tinha colocado a sua competência ao serviço do SNS, fazia tudo para não ser associado à imagem do governo, como se ele fosse o lado macio que Paulo Portas tinha prometido ser durante a campanha eleitoral. Mas já não restam dúvidas, Paulo Macedo é o Vítor Gaspar da Saúde e é cada vez mais evidente a tarefa sinistra que tem vindo a desempenhar. 
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