terça-feira, fevereiro 17, 2015

Umas no cravo e outras na ferradura



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Janela na Rua do Paço do Lumiar, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Rui Machete, ministro dos Negócios Estrangeiros

Fica muito bem a um governo cristão condenar o homicídio violento de 21 cristãos ou a execução de cidadãos de países mais próximos. O problema é todos os dias o ISIS elimina gente por um qualquer motivo, apenas para publicar vídeos que servem para atrair extremistas e outros doentes mentais sedentos de sangue.

Quantas vezes foi o nosso ministro dos Negócios Estrangeiros solidário com as vítimas do ISIS ou das suas filiais no Iémen, na Líbia ou na Nigéria?

«O Governo condenou hoje, "da forma mais veemente, o chocante e cobarde homicídio" de 21 cristãos coptas egípcios na Líbia, reivindicado pelo grupo radical Estado Islâmico, anunciou fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

"O Governo português condena, da forma mais veemente, o chocante e cobarde homicídio de 21 cidadãos egípcios na Líbia, perpetrado e reivindicado por assassinos afiliados ao grupo terrorista ISIS/Daesh [Estado Islâmico do Iraque e da Síria, nas siglas em inglês e em árabe]", lê-se numa nota hoje divulgada pelo Palácio das Necessidades.» [Notícias ao Minuto]

 Benjamin Netanyahu recorre a ISIS na campanha eleitoral


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Dificilmente os ideólogos do ISIS conseguiriam produzir um instrumento de propaganda tão poderoso como este, onde os seus militantes vitoriosos perguntam como ir para Jerusalém.

 Varoufakis, o Tsiprador do Euro

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 O Paulinho das feiras

Paulo Portas continua a ser o Paulinho das Feiras mas se alguém está à espera de ver o Paulinho entre a banca das couves e a da chaputa que deixe de ter ilusões, desde que coordena as pastas económicas o líder do CDS deixou-se de feiras com cheio a sovaco, agora passa a vida a viver à grande e à francesa visitando as grandes feiras internacionais. Como as feiras são muitas vai o Paulo a umas e o Pires de Lima às outras, é o ver se te avias com estes dois artistas a encherem a mula antes que a mama das viagens pagas acabe.

O tal governo que se distinguiu no primeiro mês pelos cortes nas viagens obrigado os ministros a viajar no avião da carreira nas viagens dentro da UE, distingue-se agora por ter permanentemente meio governo afazer turismo governamental fora da Europa, para que posam viajar em executiva.

 Mundo vioklento

Na Ucrânia continua-se a matar, na Líbia os bandidos executam 21 egípcios por serem cristãos coptas, no Estado de Oklahoma os republicanos querem recorrer a câmaras de gás na execução das penas de morte e na Turquia uma câmara de videovigilância filma um homem tentando matar a mulher à facada. O mundo está cada vez mais violento e em Bruxelas o Eurogrupo prepara-se para atirar a Grécia para o colapso. Um dia muito mau para o mundo e em especial para os cristãos ortodoxos.

      
 Os gregos
   
«Podem-se acusar os homens do Syriza de vedetismo, deslumbramento pelo poder, protagonismo excessivo, mas nunca de falta de coragem, de falta de competência, de incoerência. Estou à vontade. Tenho amigos e amigas no moribundo PASOK e na Nova Democracia. Reconheço o difícil progresso grego desde a recuperação da independência e unidade, moeda de troca como a usaram Estaline e Churchill, a submissão total aos EUA e NATO, a disputa eterna com a Turquia, a ditadura dos coronéis de 1967 a 1973, a resistência, a libertação, a perda de metade de Chipre, o acesso apressado à União Europeia em 1981, cinco anos antes de Portugal e Espanha, a impreparação do Estado para entrar na moeda única, as imensas vigarices nas contas, bem oleadas por alguns que hoje mandam na Europa financeira.

Reencontrei Atenas no início da crise, quando a vida ainda era como hoje a nossa, se discutia mansamente a forma de retirar os automóveis do Estado aos deputados (uma viatura para cada quatro deputados) quando, a uma pergunta directa, o Ministro das Finanças Constantinopolou – o mesmo que um ano depois apagaria o nome da família e amigos da lista Lagarde - me respondeu com impecáveis argumentos técnicos e políticos que a Grécia jamais encararia a saída do Euro. Conhecera antes a Grécia dos académicos brilhantes, formados nas melhores escolas do Reino Unido e dos EUA, desejosos de enfrentar o desenvolvimento assimétrico e a corrupção, orgulhosos da sua nação tantas vezes maltratada pela história como cruzamento de raças, culturas, religiões, navegadores, estradas e portos, com séculos de independência, depois submetida a dominações: romana, bárbara, cristã, turca e por fim ocidental. Orgulhosos e competentes. Académicos tão brilhantes como folgazões e também corajosos a confrontar na OCDE o padrinho americano, ou na OMS os luteranos do Norte, como por vezes assisti com temor e estupefação. Sim, acusemos os políticos gregos de tudo, menos de falta de coragem, impreparação, ou incoerência.

A coragem não lhes faltou para gerarem um movimento de escassa história, certamente prenhe de oportunistas, mas disposto a tudo, mesmo a desaparecer no curto prazo, se a derrota ou a rotina o vencerem. Ou, pior ainda, se o Povo os trocar pela extrema-direita, quando e se chegar a grande prova de fogo que seria a saída do Euro. A competência é hoje reconhecida pela imprensa financeira, pela capacidade de prepararem o capital para o que iria acontecer, pelo recrutamento de bons e respeitados académicos. A coerência, de que os seus adversários tanto gostam de descrer, acentuando manobras táticas com se de cedências e traições se tratasse. A moral sempre foi a arma preferida da direita contra os que não dobram no essencial. Não sei se este arquétipo se vai confirmar. Ninguém o sabe. Mas não aceito que sejam apodados de impreparação, oportunismo e experimentalismo por aqueles que tudo ultrapassaram em falta de preparação e de nervo para gerir a Europa; de falta de coragem de quem arrisca tudo - família, carreiras internacionais garantidas, tranquilidade - para safar o grande navio dos baixios onde encalhou. Não me parece haver incoerência quando dizem em voz alta aquilo que nós ciciamos, que a Troika é um desastre, que a doutrina económica prevalente está furada, que afinal são os grandes que lucram com o empobrecimento dos periféricos. Se assim fosse não enchiam a praça do seu parlamento todas as semanas, não teriam o apoio de 75% dos cidadãos, veriam os vermes a sair da terra onde mergulharam, depois de anos de má governação da Nova Democracia e de um intervalo desmoralizante de governo PASOK e de uma posterior e irrelevante coligação.

Gente prestes a tudo perder, mas que tem orgulho em resistir. Que sem o pretender, está a mudar a relação de forças, a questionar a humilhação internacional, a contestar a lógica suicida do ajustamento pelo emagrecimento. Ninguém sabe prever o desfecho, ninguém nos garante que a Grécia não saia em breve do Euro, que não mergulhe numa inflação de 50%, que tenha de cessar pagamentos de parte da dívida externa, que não venha a recorrer a amigos pouco recomendáveis ou a potências de sorriso enganador. Ninguém garante que uma rotura não seja, no curto prazo, pior que a morte lenta a que a obrigam.

Como dizia Emiliano Zapata, mais vale morrer de pé que viver de joelhos. Pulsão suicida? Desespero de causa colectivo? Não haverá meio-termo? Sim, certamente haverá, se houver inteligência em vez de intransigência, se houver visão rasgada em vez de fixação míope, pensar no futuro e no mundo em vez de se olhar apenas o presente, e o que a nossa vista alcance do campanário. Eis por que não entendo a posição dos guarda-livros de vão de escada, com escritas de discutíveis contas. Ou a presença, primeiro agnóstica, depois irónica e mais tarde pseudo-deferente, com que Passos nos tem brindado em declarações avulsas e mutantes. É nos grandes momentos que se conhecem os grandes (e pequenos) homens. Estamos à beira de um desses momentos. Não o reconhecer ou tratar a história como rotina diária é pura irresponsabilidade.» [Público]
   
Autor:

António Correia de Campos.

 Diz o roto ao esfarrapado
   
«A imagem é simbólica. Numa manifestação contra a austeridade que juntou, em Atenas, alguns milhares de pessoas, destacavam-se três bandeiras gigantes: a grega, naturalmente, mas também a espanhola e a portuguesa.

Não é provável, no entanto, que se tratasse de um gesto de solidariedade para com dois povos dessa Europa do Sul preguiçosa e sobre-endividada que também sofrem os efeitos das amigáveis políticas de empobrecimento ditadas pela troika enviada pelo Norte trabalhador e de boas contas. Terá sido, antes, um gesto de desagravo perante dois governos que são afinal os mais assanhados na tentativa de encurralar os paralíticos gregos nos seus esquemas e aldrabices.

A intransigência de Espanha é fácil de perceber. Trata-se da mais nobre das razões: o cálculo político. O PP de Mariano Rajoy (e por arrasto os socialistas) vê-se na iminência de ser substituído, na paisagem política, por novos movimentos, o Podemos mais à esquerda, o Cidadãos mais à direita. A melhor forma de o evitar, não haja dúvidas, é adotar a tradicional postura da beata, pedir a bênção alemã e esconjurar o contágio dos vermelhos do Syriza.

Já a intransigência de Portugal é um pouco mais elaborada. Temos, por um lado, um primeiro-ministro que gosta de se sentar ao lado da poderosa Merkel nas cimeiras e que não está disponível para perder a face. Se Portugal prospera, ainda que apenas no mundo de realidade virtual habitado pelos fiéis do primeiro-ministro, o que há para mudar? Se os portugueses são, "de longe", os que fazem o "maior esforço" para apoiar os gregos, ainda que a afirmação não seja verdadeira, porquê trocar de cadeira e alinhar com um tipo que não usa gravata?

Temos, por outro, um presidente da República, versado em Finanças, que nos diz que Portugal está numa "situação bastante sólida", ainda que fique a dúvida sobre se estará a referir-se à solidez do crescimento dos números da pobreza ou à granítica resistência de um pequeno número de de-sempregados em aproveitar a oportunidade para emigrar. Se já saíram "muito milhões de euros da bolsa dos contribuintes portugueses", porquê aliviar o garrote aos gregos? Veja-se, aliás, o caso pessoal do presidente, que em devido tempo alertou para a dificuldade em pagar as despesas correntes com a sua magra pensão de 10 mil euros. E ainda lhe pedem mais um esforço?» [JN]
   
Autor:

Rafael Barbosa.


 Um secretário de Estado a trabalhar ao domingo
   
«O Governo decidiu prorrogar o prazo de confirmação e comunicação de faturas de 2014 até ao final do mês de fevereiro, um prazo que terminava este domingo. A decisão, anunciada este domingo em comunicado, deve-se ao facto de ser o segundo ano de vigência deste regime e o governo querer dar oportunidade a que todos os consumidores consigam maximizar o benefício fiscal, diz o Governo.

“O Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, emitiu este domingo um despacho em que determina a prorrogação até 28 de fevereiro de 2015 do prazo para os consumidores finais confirmarem e comunicarem à Autoridade Tributária as faturas emitidas com número de contribuinte durante o ano de 2014″, lê-se em comunicado emitido este domingo pelo Ministério das Finanças.» [Observador]
   
Parecer:

Os prazos fixados pelo fisco são adiados com tanta frequência que um dia destes ninguém os levará a sério. Os protugueses receberam emails a avisar do prazo para inscrever as faturas com direito a benefício fiscal e depois foram bombardeados com notícias na comunicação social informando que o prazo terminaria no domingo. Na segunda-feira foram informados do adiamento do prazo.

Fará sentido fixar prazos, fazer tantos avisos e no último minuto divulgar um adiamento? E porque motivo não recebemos um elmail a informar que tinha sido adiado prazo referido no outro email?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao secretário de Estado o que sucedeu entre a sexta-feira e o domingo para adiar o prazo, acordou bem disposto ou achou que devia fazer uma boa acção a seguir à missa dominical?»

 De onde veio a delinquência encoberta pelos jornalistas
   
«O Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas (SJ) defende que o jornalista não pode ser nem “cúmplice do investigado nem dos investigadores”, numa nota sobre o segredo de justiça e os profissionais da comunicação social.

“Esta profissão trabalha para aumentar a liberdade dos cidadãos na formulação de juízos ponderados de valor em matérias de relevância pública — não para encobrir a delinquência, venha ela de onde vier”, lê-se numa nota do conselho deontológico sobre a relação dos jornalistas com o segredo de justiça.

Em declarações à agência Lusa, a presidente do conselho deontológico, São José Almeida, afirmou que este órgão “respeita o segredo de justiça”, sem que isso impeça o trabalho dos jornalistas, e justificou que esta nota se destina a todos os jornalistas, em especial aos jovens jornalistas.» [Observador]
   
Parecer:

O Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas não podia ser mais claro e objectivo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se aos sindicalistas dos sovietes das magistraturas o que têm a dizer sobre estas acusações.»

 Manifestantes apoiam Grécia
   
«Manifestação de solidariedade foi convocada através das redes sociais. Em Lisboa, manifestantes estão a concentrar-se no Largo de Camões.

Cerca de meia centena de pessoas está hoje concentrada no Largo de Camões, na baixa lisboeta, numa manifestação de solidariedade com a Grécia, uma iniciativa que decorre em simultâneo em várias cidades europeias e nacionais.» [DN]
   
Parecer:

O divertido é o BE esconder-se atrás das redes sociais para organizar a manifestação e está-se mesmo a ver a Merkel ceder por causa dos cem manifestantes de Lisboa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

   
   
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