Terça-feira, Junho 07, 2011

Ambiente de União Nacional

 
Antes da dissolução do parlamento cada subida da taxa de juro da dívida soberana era festejada nas redacções dos jornais e nas sedes de alguns partidos, cada descida do rating da República dava lugar a um orgasmo colectivo, o que importava era que o país se estava a afundar e isso anunciava condições para antecipar eleições. Nem se podia ousar questionar o funcionamento dos mercados que Cavaco Silva se apressava a defender que deveríamos respeitar os especuladores, deveríamos ficar de bico caladinho.

Agora tudo mudou, Paula Teixeira da Cruz, vice-presidente do PSD, descobriu que Portugal tem uma situação que não vivemos há mais de um século, agora já é mais urgente formar o governo do que há poucos meses foi aprovar um orçamento, agora já se podem propor programas mais radicais do que o da troika quando há pouco tempo haviam limites para a austeridade.

Quando o país foi lançado numa pré-crise política por um discurso presidencial , quando um programa de austeridade foi chumbado por representar austeridade em demasia, o interesse nacional era a crise política e o caminho da bancarrota. Agora parece que o interesse nacional é salvar o país e todos devemos ajudar Cavaco Silva, Passos Coelho, Paulo Portas e a dona Maria a fazê-lo. Estão dispensados os que apelaram à unidade nacional, agora o que importa é uma maioria consistente e quem assinou ou negociou o acordo com a troika deve ser a oposição responsável que no passado ninguém foi.

A luta terrível pelo poder, uma luta sem escrúpulos onde os fins valeram os meios está a dar lugar a um ambiente de União Nacional, a mesma União Nacional que Passos Coelho muito bem rejeitou. Os jornalistas, falsos independentes, empresários com holdings estabelecidas na Holanda para não pagarem impostos em Portugal, uma imensa procissão de falsos nacionalistas tentam agora impor um ambiente de União Nacional, todos devemos estar empenhados na salvação do país.

Agora a luta política é má para os interesses do país, a diferenças de ideias e de projectos deve dar lugar à unanimidade em torno do governo eleito e apoiado por Belém. Os que nos jornais e no Facebook colaboraram com os especuladores para afundar a economia portuguesa comportam-se como os bombeiros pirómanos que primeiro ateiam o incêndio e depois são os primeiros a apresentar-se no quartel para o combater.

Os que no passado tudo fizeram para ampliar o descontentamento tentam agora na comunicação abafar antecipadamente esse descontentamento, os que diariamente consultavam as taxas de juro e o PSI20 agora ignoram-nos, os que apoiavam a aliança da direita com extrema-esquerda no parlamento para tornar o país ingovernável agora desprezam Jerónimo e Louçã e exigem do PS o apoio condicional ao governo, os que transformaram o parlamento numa bandalhice política querem transformá-lo agora na assembleia nacional.

O Balsemão está interessado nas receitas publicitárias da RTP? O Belmiro de Azevedo sonha com mais uma opa à PT? Os privados aguardam pela privatização de serviços de saúde? A Cofina espera ganhar o quarto canal? Não senhor, de repente não há interesses, estão todos empenhados na defesa do interesse nacional e em nome desse interesse todos devemos calar e consentir, não é tempo para descontentamento ou oposições.

Os grupos de interesses que se empenharam nas eleições apostam agora em condicionar a democracia, tratam Passos Coelho como primeiro-ministro estagiário, parece querer promover Cavaco Silva ao estatuto de caudilho e promovem um ambiente político em que se procura inibir qualquer voz discordante. Estamos vivendo um ambiente em que os jornalistas devem apoiar o regime, os trabalhadores e empresários devem colaborar num ambiente corporativista e a oposição deve estar empenhada nas medidas de salvação nacional. Passos Coelho recusou a União Nacional mas parece haver quem o queira transformar num presidente do conselho. Há quem queria transformar o período de graça do governo num ambiente de União Nacional durante toda a legislatura.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Flores (milimétricas) de Monsanto, Lisboa
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Furnas, Açores [A. Cabral]
Jumento do dia


Paula Teixeira da Cruz, vice-presidente da comissão política do PSD

Que esquecidas as eleições o PSD iria descobrir que enfrenta a maior crise financeira internacional de que os vivos têm memória já era sabido, terminado o estado de graça este será o argumento a usar para tudo justificar, começando pela receita mais radical do que a da troika defendida por Passos Coelho. Mas usar este argumento menos de vinte e quatro horas depois das eleições revela cinismo, falta de decoro e, acima de tudo isso, falta de inteligência.
 
É por estas e por outras que quando Paula Teixeira da Cruz entrou no Liceu Camões acabadinha de chegar de Angola os seus colegas a atiraram com roupinha e tudo para dentro do tanque. Nesse tempo dizia pertencer à facção Nito Alves e os rapazes da extrema-direita, de que fazia parte o seu futuro marido, não gostaram da brincadeira. É uma pena que já seja uma senhora e não esteja em idade de ser atirada para o tanque, mas que com declarações destas é isso que merece, pelo menos em termos figurativos, lá isso merece.
 

 PINGO DOCE: PEPINOS PORTUGUESES, POIS CLARO

 
Logo que surgiu a crise dos pepinos o Pingo Doce informou que desde Abril só vendia pepinos, quase tudo era estrangeiro mas podíamos estar descansados porque os pepinos eram portugueses e não fiaríamos com caganeira. A imagem em que a origem "Espanha" foi rasurada foi enviada por um visitante d'O Jumento que a tirou na semana passada.

 Já serão visíveis os sinais de retoma no horizonte?

Pouco tempo depois de ter ganho as eleições DUrão Barroso descoria sinais de retoma no horizonte, mas eles nunca apareceram. Será que Passos Coelho também vai ter visões?

Agora é tempo de descobrir que a crise económica não tem apenas causas nacionais, que nos mercados financeiros há especuladores a enriquecer à custa dos ataques à dívida soberana, que as agênias de rating ajudam os especuladores e que estão pouco preocupadas em saber quem governa Portugal. As empresas deslocalizadas não regressarão, as que faliram por não terem resistido à concorrência chinesa não ressuscitarão, os empresários portugueses estão mais interessados em aumentar os lucros fáceis do que em aumentar o emprego, esta vai ser a realidade. Uma realidade que será agravada pelo impacto das medidas impostas pela troika e provavelmente pelas medidas mais radicais propostas por Passos Coelho.

Bem-vindos à realidade.

 Francisco Louçã
  
Líder comunista que se preze fica, nunca é responsável pelas derrotas. Francisco Louçã não teve culpa da derrota do BE, a culpa foi de Sócrates e da sua política de direita, uma política de direita tão má que os eleitores escolheram agora uma ainda mais à direita. Se a culpa não foi de Sócrates foi de outra pessoa qualquer, mas do superior Louçã é que não foi certamente.
 
Louçã lembra-me a anedota da senhora que foi assistir ao juramento de bandeira do filho, quando as tropas começaram a marchar concluiu com orgulho que o seu rebento era o único que estava com o passo certo.
 
Quase aposto que não tarda muito o Louçã vai aparecer dizendo que a ele se deve a derrota de José Sócrates.

 O império da Justiça vai contra-atacar

A pergunta da jornalista da RR no final da declaração de José Sócrates poderá ser mais ingénua do que parece, recorde-se que quando Durão Barroso era primeiro-ministro e as sondagens diziam que os portugueses não o queriam no cargo surgiu muito oportunamente o processo Casa Pia, um processo onde vimos Bagão Félix de mãos dadas com um destacado militante do PCP.
 
Se assim não fosse os jornalistas da RR poderia ter feito perguntas idênticas a Passos Coelho e a Paulo Portas, tanto quanto se sabe os processos em curso, o BPN e os submarinos, envolvem personalidades dos seus partidos.

Seria bom que a agenda não fosse dominada pela justiça, é tempo de os portugueses se concentrarem nos problemas do país e avaliarem honestamente os seus políticos em vez de andarem picados por jornalistas e agentes secretos.

 A dúvida do dia

Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã já terão iniciado negociações para formarem o governo de esquerda?
  
 Coisa estranha
Não encontrei uma única notícia ou comentário que atribuísse a vitória eleitoral de Passos Coelho aos seus méritos ou competência, até parece que os jornalistas se esqueceram de o dizer ou não estão dispostos a prescindir da sua vitória política sobre a democracia.

 O tempo no dia seguinte às eleições
 
 
De facto há muitos distritos em alerta laranja começando por aqueles onde, por exemplo, a liberalização do despedimento mais se fará sentir.

 As primeiras vítimas
 
Quase aposto que as primeiras vítimas da liberalização dos despedimentos defendidas por José Sócrates serão precisamente os jornalistas. Com o sector em crise, situação que se agravará com a recessão e as mexidas no sector, ainda por cima sem José Sócrates para produzirem primeiras páginas chamativas não teremos de esperar muito para vermos alguns dos jornalistas que mais ajudaram Passos Coelho a provar a sua receita contra a crise.
   
 

 O estribo

«Desde a primeira fase do duelo Soares-Freitas que não se assistia a uma campanha tão envenenada pelo ódio. Até ao empate da sondagem da Católica tudo parecia normal.
 
A partir daí, os media atingiram o inimaginável: relatos de campanha com inocência perdida; debates supostamente plurais com participantes, sem disfarce, vomitando bílis contra Sócrates; os principais patrões dos media activamente na campanha, incluindo a presença em comícios; o candidato anti-Sócrates vociferando ataques de carácter; e até uma antiga dirigente desejando a morte civil ao primeiro-ministro. Claro que o PS não perdeu apenas por esta deprimente escalada, perdeu pelas razões por que se perde, quando o eleitor acredita, com ou sem fundamento, que o novo será melhor que o actual, agora culpado de todos os males do mundo.
 
O que houve aqui de diferente foi a intensidade dos ataques, a geração de ódio implícito, a par do absolutismo eleitoral que esfrangalhou várias ilusões, entre elas as de Portas. O PCP virou a cassete mudando os temas: quem chamou a direita ao poder não foi o seu conluio com ela para demolir o Governo, mas sim o próprio Governo. Da parte do Bloco, uma semana inteira contra o PS, principal inimigo, com generosa participação nos "plurais" debates. A maldição da vítima no seu pior.
 
E agora? Contra o que eu próprio imaginava e escrevi, as químicas do compromisso não se reunirão. Quer uma maioria absoluta do PSD a solo, quer conjugada com o CDS não geram condições para tirar o País da crise. A fractura a meio regressará logo depois do centro acordar do encanto, quando se sentirem os efeitos do Acordo. Durante seis a doze meses haverá um bode expiatório, "doce enlevo de alma ledo e cego, que a fortuna não deixa durar muito". Depois recomeça a triste realidade, com opositores internos aliados aos vocais inimigos das reformas. A rua como forma de luta, provocando e agradecendo pretextos de repressão. Os exércitos de desiludidos, convocados por SMS, enganados, depois humilhados e ofendidos.
 
E o PS? Dinamitadas as pontes por onde poderiam atravessar as caravanas do consenso, não se lhe peça que dobre a cerviz. Impossibilidade genética, a que se junta a tentação de ser oposição sem culpa. Sem culpa mas com honra, cumprirá aquilo a que se obrigou, nem menos nem mais. Não lhe peçam para segurar no estribo de cavaleiros de reformas de vingança e ódio, revisões constitucionais aventureiras, e destruições daquilo por que sempre se bateu, ainda mais agora.
 
Estará o novo poder interessado em amaciar este cenário?» [DE]

Autor:

António Correia de Campos.
   
 Para ser lido daqui a seis meses

«Portugal foi a eleições ontem. Problemazito resolvido, o sério, agora, são as obrigações para com os nossos credores inflexíveis. O PSD ganhou de forma clara (e não vale invocar a grande abstenção: não é assunto dos vencedores, é da nossa geral ineficácia, que não limpou os cadernos eleitorais, e da irresponsabilidade cívica dos que não votaram). E o PSD ganhou de forma larga, para épocas normais. Deu para ontem os seus saírem à rua apitando, como nas épocas normais. Mas ontem, como já disse, conta pouco. As obrigações de hoje (e do resto dos dias da nossa dívida) exigem uma larga maioria: que vote no Parlamento o que foi assinado pelo PS, PSD e CDS com a troika e que convença os portugueses a aceitar os sacrifícios. O PSD e o CDS juntos têm 56% dos deputados, o que é quase igual aos 53% que os gregos do Pasok têm para governar e que não chega para convencer os credores deles. Ontem, só ouvi um político do PSD, o retirado Mira Amaral, e o líder do CDS, Paulo Portas, lembrarem o PS. Pode parecer despropositado perante o desaire do PS, mas foi sábio para quem reconhece que o que vale são os dias, meses e anos que vêm aí. Mais do que meter o PS no Governo ou combinar com ele maiorias parlamentares, trata-se de uma atitude de diálogo. E não se trata de fazer um favor ao PS, mas de responsabilizá-lo na solução da nossa crise. Pensem nisso, antes que os factos obriguem a pensá-lo daqui a seis meses.» [DN]

Autor:

Ferreira Fernandes.
        

 O CC do PCP vai reunir

«O Comité Central do PCP vai reunir-se na terça-feira para analisar os resultados das eleições legislativas antecipadas de domingo e debater a sua estratégia política futura, depois de ter conseguido eleger 16 deputados.» [DN]

Parecer:

Para além da habitual declaração de vitória irá declarar o apoio ao governo da direita dando continuidade ao apoio que deu às suas propostas durante a legislatura anterior?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  
 Geisha australiana impedida de trabalhar por ser estrangeira

  
«Fiona Graham, conhecida no Japão pelo nome de Sayuki, disse ter pedido à Associação das Gueixas de Asakusa, um bairro em Tóquio, para se estabelecer por conta própria, uma vez que a "matriarca" da sua casa estava demasiado doente para poder continuar a trabalhar.
 
O pedido foi-lhe negado sob a justificação de que "não poderia ser titular porque era estrangeira", declarou ao jornal The Australian.» [DN]
    
 Até tu Bolsa de Valores de Lisboa?

«O principal índice de Lisboa, o PSI20 - que até abriu a sessão desta segunda-feira em terreno positivo - acabou por fechar o dia a perder. Nem mesmo a vitória do PSD chegou para segurar a bolsa em alta: quem ganhou mesmo foi a Europa que conseguiu arrastar o índice português para uma queda superior a 1%.» [Agência Financeira]

Parecer:

Estava à espera de um comentário eufórico do Miguel Relvas, mas a bolsa estragou tudo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Solicite-se um comentário a Miguel Relvas.»
  
 A primeira partidinha de Cavaco a Passos Coelho

«O Presidente da República anunciou hoje que decidiu não promulgar a lei que alterava a regulamentação do apoio do Estado aos estabelecimentos do ensino particular e cooperativo e já a devolveu à Assembleia da República. Este diploma resultou de uma iniciativa legislativa do PSD, que pretendia modificar o regime de apoios financeiros ao ensino particular e cooperativo, o que nunca chegou a ser concretizado.» [Público]

Parecer:

Isto promete.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  
 Dirigente do CDS defende que o partido não deve ir para o governo

«O presidente do CDS-PP nos Açores, Artur Lima, que é também vice-presidente nacional do partido, defende que, na sequência dos resultados obtidos nas legislativas de domingo, o partido "não deve ir para o Governo" da República.» [Público]

Parecer:

Pois, é caso para dizer que o Portas ia ficar a ver passar submarinos... quando pode ser ministro dos negócios estrangeiros e irritar Cavaco Silva que o terá de aturar dia sim, dia não.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Aberta a guerra em torno da RTP
  
«O empresário Pais do Amaral diz que «não tem pés nem cabeça» que privatizar a RTP seja uma das medidas a executar nos próximos anos pelo novo Governo liderado pelo PSD.
 
«Há tantas coisas prioritárias para fazer que falar neste momento na privatização da RTP é uma diversão», disse à Lusa o presidente do conselho de administração da Media Capital, dona da TVI.» [Portugal Diário]

Parecer:

O ideal, o ideal era o militante n.º 1 do PSD ficar com a receita publicitária da RTP e os contribuintes ficarem com a despesa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
     

   




Segunda-feira, Junho 06, 2011

O dia de todas as dúvidas

Depois da direita ter feito a festa e superada a ressaca chega a hora das dúvidas e esta são muitas. Todos sabemos que o governo não vai ter os prometidos dez ministros, que o programa eleitoral do PSD já foi arquivado, que a revisão constitucional proposta pelo PSD é inviável, alguns intervenientes mais activos regressarão aos seus escritórios onde ganham muito mais do que ganhariam como governantes. Agora Passos Coelho terá de ser primeiro-ministro e carregar o fardo de que livrou, um passarinho saiu da gaiola para a liberdade, outro entrou para a gaiola para um cativeiro que se espera ser de quatro anos. Agora é tempo de responder às muitas dúvidas.

Qual o papel de Cavaco na formação do governo?

Se o PSD tivesse alcançado a maioria absoluta Passos Coelho teria vencido Cavaco Silva mas dependendo do seu partido estaria mais exposto à influência de Cavaco e da ala cavaquista, a não ser que tenha feito um acordo de bastidores o líder do PSD terá mais liberdade para formar governo pois em vez de negociar com os cavaquistas terá de negociar com Paulo Portas. O pior cenário para Cavaco seria um parlamento onde a direita não tivesse maioria, mas este também é o cenário onde o seu protagonismo será menor. Irá Passos Coelho convidar um cavaquista para ministro das Finanças ou opta por representar o cavaquismo numa pasta de menor importância?

Como serão as relações entre Passos Coelho e Alberto João?

Alberto João teve uma vitória amarga, o PSD ganhou mas ao não conseguir a maioria absoluta não estará sujeito À chantagem dos deputados do PSD madeirense. Em vez disso Passos Coelho terá de entender-se com Paulo Portas, um velho adversário político de Alberto João. Isto significa que na hora da austeridade Passos pode dizer a Alberto que também terá de apertar o cinto e no momento de aumentar os impostos pode dizer à Madeira que os terminaram os abusos na zona franca.

Qual será o peso de Portas no futuro governo?

Portas não vale pelos deputados que Passos Coelho precisa para ter a maioria absoluta, vale a própria maioria absoluta, mas também vale a carta de alforria de Pedro Passos Coelho em relação a Cavaco Silva e Alberto João. Passos Coelho recusou uma AD para não ter de manter o grupo parlamentar do CDS no pressuposto de que este partido teria menos deputados e perdeu, o CDS ganhou deputados e isso significa que Paulo Portas parte para negociações em situação de vantagem, Passos Coelho pagará com juros a recusa da AD. Portas vai ter tantos ministros quantos quer, vai ter as pastas que deseja e vai gerir a sua participação na coligação apostando no seu crescimento, deixando as pastas difíceis ao PSD.

Qual a postura do PS?

A situação do país não permite que o PS imite o que o PSD fez nos últimos anos tentando salvar-se à custa do país. A situação é de crise e se faz sentido que o PS assuma o papel de oposição, deve igualmente afirmar-se como oposição construtiva não caindo na tentação de ter nas ruas a maioria que tem no parlamento, fazendo o que o PSD fez nestes anos em que colocou a sua máquina logística ao serviço da esquerda conservadora.

Qual o futuro do Bloco de Esquerda?

O BE mostrou ser aquilo que sempre foi, um vazio de ideias, a ausência de qualquer projecto político, a única coisa que move o BE é uma estratégia de destruição do PCP e do PS com recurso a manobras e golpes baixos. Agora corre o risco de extinção, a direita já não precisa dos seus serviços, as televisões vão dispensar os seus animadores e até o PCP vai fugir de Louçã como se este fosse sarna e aguardar que os desiludidos da extrema-esquerda solicitem a sua inscrição como seus militantes de base.

A próxima legislatura chegará ao fim?

O país só tem a ganhar com legislaturas que chegam ao fim e com governos maioritários. Todavia, a convivência entre PSD e CDS não será fácil tudo dependendo da evolução da situação económica e financeira do país. Se tudo correr bem o CDS não quererá que o PSD o dispense para a próxima legislatura, até porque Paulo Portas parece sentir-se mais tranquilo no poder. Mas se o governo enfrentar dificuldades poderá não se sabe qual será a estratégia de Paulo Portas.

A justiça voltará ao sossego?

Durante anos a vanguarda da oposição a Sócrates foram as magistraturas e a pergunta da jornalistazinha da RR faria algum sentido se não se tivesse equivocado nos processos que referiu pois não é o Caso Freeport que está a ser investigado mas sim o dos submarinos e o do caso BPN. Passos Coelho defendeu durante muito tempo a demissão do PGR, veremos se agora concretiza essa exigência ou prefere a pacificação das magistraturas.
O que fará agora a comunicação social?

Durante os últimos anos a comunicação social especializou-se em aumentar as audiências atacando Sócrates, transformando a política portuguesa num tiro ao boneco. Agora a orgia acabou, ainda que alguns jornalistas, como a pequena da RR, alimentem a esperança de ainda conseguirem uns momento à custa de Sócrates. Como farão para manter as audiências? Durante algum tempo alimentarão o período de graça de Passos Coelho, mas mais tarde ou mais cedo perceberão que o bolo da RTP não dá para todos, que Balsemão impedirá a criação do quarto canal deixando a Cofina sem uma estação de televisão e que o elogio do primeiro-ministro não alimenta audiências. Não é a primeira vez que a comunicação passa por este mau bocado, da última vez que isso sucedeu foi o Caso Casa Pia, que ainda se arrasta nos tribunais, que a salvou do marasmo. O que sucederá desta vez quando o PSD descer nas sondagens e a comunicação social estiver com falta de matéria-prima?

O que sucederá no PS?

O PS vai provar o pão que o diabo amassou, pela frente estão quatro anos de oposição e a não ser que Passos Coelho não desista da sua revolução liberal é certo que mais tarde ou mais cedo o ciclo económico conduzirá ao crescimento económico e isso pode significar mais quatro anos de oposição ao PS. António José Seguro e outros esperaram a queda de Sócrates nunca sujando as mãos apoiando-o de forma clara. Agora recebem um presente envenenado, uma longa travessia no deserto e algumas derrotas eleitorais anunciadas.

Como se entenderá Passos Coelho com a sua clientela autárquica?

Passos Coelho chega à liderança do PSD mais com o apoio dos autarcas do que das elites da capital que sempre o rejeitaram e consideraram um incapaz. Agora é primeiro-ministro e uma das grandes reformas que terá de implementar, porque é inadiável e resulta de uma imposição do acordo, é a do ordenamento do território. Estando na oposição seria mais fácil alimentar a revolta ruralista contra a extinção de autarquias, sendo governo terá de assumir as responsabilidades. É mais difícil reformar do que alimentar manifestações populistas contra todas as reformas e Passos Coelho arrisca-se a pagar com língua de palmo muito do que fendeu no passado recente em domínios como o encerramento de pequenas escolas, a extinção de serviços de saúde arcaicos ou as SCUT.

Onde estão os defensores da unidade nacional?

Quando acreditavam na derrota do PSD o Expresso lançou uma brigada do reumático a defender um governo de unidade nacional que até foi recebida em Belém. Agora que a direita alcançou a maioria absoluta desapareceu, ninguém os viu na noite eleitoral.
 
Passos Coelho cumpriu o sonho de Sá Carneiro?

Aparentemente sim, mas nem Passos Coelho tem a estatura política e intelectual de Sá Carneiro nem Cavaco Silva será o presidente banana que o falecido líder do PSD desejava. Sá Carneiro era primeiro-ministro e queria escolher o Presidente da República, agora é Cavaco que é Presidente da República e escolheu o primeiro-ministro. O que Sá Carneiro pretendia era deter o poder do executivo e controlar o Presidente da República, agora é Cavaco que tem a Presidência da República e quer controlar o poder executivo. Será Pedro Passos Coelho o equivalente ao banana que Sá Carneiro queria em Belém? Quem cumpriu o sonho de Sá Carneiro foi Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho poderá vir a ser o Soares Carneiro de Cavaco.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Grafitti, Lisboa
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Vila Nova de Cerveira [A. Cabral]
  
 Pronto a estrear
  

Jumento do dia


Miguel Portas

Patético Miguel Portas considera que não houve uma grande viragem à direita, pois não, a direita tem uma maioria absoluta, junta a Presidência da República ao governo, governa apoiado por um acordo com os credores e tem um programa de revolução liberal sancionado pelos eleitores. Patético Miguel Portas, patético o Bloco de Esquerda, o partido mais inútil na história da democracia portuguesa.

 Patético
  
Jerónimo de Sousa festeja porque elegeu mais um deputado por Faro!

 "E Depois do Adeus", Paulo de Carvalho


         
 A lição 
  
José Sócrates fez o melhor discurso que um candidato derrotado já fez na história da democracia portuguesa, uma lição para o país que não ficou manchada por uma jornalista saída de uma sarjeta do Hotel Altis, uma ratazana que que simboliza muito bem algum jornalismo que se pratica em Portugal.
 
O discurso de derrota de José Sócrates foi uma lição para o país e acima de tudo para Cavaco Silva, vale a pena rever este discurso e compará-lo com o discurso que Cavaco fez na noite que ganhou as eleições presidenciais.



 Afinal os pepinos não tinham culpa
  
«Una plantación de brotes vegetales en Uelzen, Baja Sajonia, es la nueva sospechosa de haber provocado la ola infecciosa que ha matado ya a 22 personas, 21 de ellas en Alemania. La plantación ha sido clausurada por las autoridades del Estado. Así lo acaba de anunciar el ministro regional de Agricultura, Gert Lindemann, que ha asegurado que las autoridades se han "incautado de toda la producción" que permanecía en la empresa. También han retirado de la circulación toda la mercancía vendida y aún sin consumir.

Están en marcha los análisis de las pruebas que han de confirmar o desmentir la pista, pero sus resultados no llegarán hasta mañana. El ministro acaba de recomendar a todos los consumidores del norte de Alemania que "eviten este tipo de brotes" en sus dietas. Aún no se sabe si se acabaron ya todas las partidas de brotes presuntamente contaminadas.» [El Pais]

Parecer:

No melhor pano cai a nódoa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Exija-se à Alemanha que indemnize os prejuízos provocados aos agricultores do sul da Europa pelos boatos lançados pelo seu governo irresponsável»
  
 Jornalismo à portuguesa

«Não passam despercebidos os vestidos curtos e os sapatos de salto alto, alguns muito altos, que desfilam neste entra e sai de socialistas no Hotel Altis.» [CM]

Parecer:

A crise política e financeira do país na perspectiva de dois jornalistas do Correio da Manhã. Agora ficamos à espera dos comentários sobre as cuecas no Largo das Caldas e dos fios dentais na São Caetano à Lapa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
     
 Portugueses não deram ouvidos a Cavaco
 
«Segundo a RTP a abstenção deverá ser 39 e 45%. Já a SIC Notícias avança com 39,3% a 43,7% e a TVI entre 38 a 43%. Nas últimas legislativas, em 2009, foi de 40,3%.» [DN]

Parecer:

O apelo de Cavaco ao voto recorrendo a argumentos estranhos não resultou.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»