terça-feira, abril 08, 2014

Bandalhice

O facto de Durão Barroso ter vindo lançar insinuações socorrendo-se de um esforço de memória não foi grave apenas pelo que disse ou pela forma como o disse, o mais grave da intervenção do político que mereceu a alcunha de Cherne foi a falta de respeito em relação ao seu país, a sua intervenção não teve uma dimensão política digna de registo, foi pura bandalhice.
 
Outro bom exemplo de bandalhice tem sido dada quinzenalmente por José Rodrigues dos Santos que apoiado pelos actuais donos da RTP decidiu usar um espaço de opinião numa arena de pura bandalhice. Aquilo não é uma entrevista, nem um comentário e muito menos a opinião de alguém, é uma luta de galos abandalhada inventada por um jornalista sem grande escrúpulos, um verdadeiro Durão Barros do jornalismo.
 
Um terceiro exemplo de bandalhice foi-nos dado pelo famosos briefing secreto que serviu para que os portugueses ficassem a saber que os cortes declarados inconstitucionais siam mesmo ser definitivos, por mais que o Tribunal Constitucional discorde. Aliás, a bandalhice é tanta que desde o secretário de Estado ao Óscar Gaspar do PS, do Passos ao Seguro, todos discutem estes cortes como mais ou menos definitivos ignorando os acórdãos que sobre esta questão já foram adoptados pelo Tribunal Constitucional Que maior bandalhice se podia esperar num país do que ver uma boa parte dos políticos a discutir aquilo que no plano constitucional não é aceitável.
 
O quarto exemplo de bandalhice é-nos dado pela política de comunicação deste governo, a competência das pensões é do Lambretas mas é o das Finanças que promove briefings secretos, o ministro da Presidência é o porta-voz do governo mas quem divulga o mais importante é o Marques Mendes, e desde que o Miguel Relvas partiu, já fez um ano, não se sabe bem qual o papel do Maduro e do Lomba não se faz a mais pequena ideia de qual é a sua utilidade.
 
Nem mesmo a Presidência da República tem escapado a este baixo nível que redunda em bandalhice políticas, basta recordar o famoso episódio das falsas escutas a Belém protagonizado por um braço-direito de Cavaco Silva para se perceber que nem aquela que era a instituição mais prestigiada do país escapou ao baixo nível que assola o país. A bandalhice é tanta que quando a presidente do Parlamento s lembrou de sugerir que as comemorações do 25 de Abril fossem patrocinadas por privado já ninguém se sentiu ofendido.
 
Um ex-primeiro-ministro que fugiu e agora regressa ante do tempo para lançar insinuações, um ex-primeiro-ministro que um jornalista trata como se fosse um animal enjaulado pelo seu brilhantismo jornalístico, um primeiro-ministro que permite briefings secretos para depois desmentir o que acaba por repetir num debate parlamentar, é esta a bandalhice de baixo nível em que se transformou a política portuguesa.



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