sexta-feira, abril 04, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Beau Sejour, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Durão Barroso

É lamentável que a Europa tenha um mentiroso sem escrúpulos à frente da Comissão, ainda por cima alguém sem sentido de Estado e que na hora de fazer política se revela sem princípios. Depois dos ex-governadores do BdP (porque será que o Sr. Costa está calado?) foi a vez de Teixeira dos Santos vir dizer aquilo que já se tinha percebido, Durão Barroso é um mentiroso.

Mas, além de mentiroso Durão Barroso é um imbecil, estava convencido de que todos ficariam calados e as suas mentiras sujas passariam incólumes, enganou-se, em Portugal ninguém tem medo dele e só mesmo o actual governador de Portugal achou bem ficar calado, isto apesar do ataque sem princípios ao vice-governador do BCE, instituições em relação à qual seria suposto ter alguma solidariedade, para não falar do seu antecessor. Mas, enfim, a escola do BCP nem sempre é das melhores.

«O ex-ministro das Finanças respondeu ontem a Durão Barroso que veio revelar este fim-de-semana que, em 2011, quando o governo de Sócrates pediu ajuda externa, o Estado tinha apenas 300 milhões de euros em caixa. Teixeira dos Santos garante que as contas já incluíam os pagamentos de salários e pensões de Março, que o saldo final acabou por ser de 800 milhões e que a previsão de saldo para o final de Abril era ainda superior.

"Em meados de Março de 2011 estimávamos que, feitos todos os pagamentos e todas as operações de financiamento previstas, chegaríamos ao fim do mês com um saldo que estaria na ordem dos 330 milhões de euros. Mas a mesma previsão apontava que, em Abril, tivéssemos um saldo acima dos 900 milhões de euros e assim por adiante", disse Teixeira dos Santos no seu comentário semanal na Etv.

O ex-ministro ainda explica que foi a dificuldade em emitir dívida que levou o executivo de então a pedir uma intervenção externa: "Em Abril, na operação que fizemos no dia 6, sentimos de facto dificuldade em colocar essa operação. Foi concretizada, mas houve mesmo um sinal claro de que não era fácil colocar a dívida nos investidores estrangeiros."» [i]
 
 Dúvida do dia

Quem andará a oferecer alheiras a Passos Coelho? Será a Martifer grata pelo negócio dos estaleiros ou um gesto simpático da Goldman Sachs que seguindo um conselho do seu expert Luís Arnaut manifesta o seu reconhecimento pelo negócio dos CTT?
 
      
 Começar a trabalhar aos 11 anos
   
«Nesta edição do i, o físico Carlos Fiolhais conta que o seu pai começou a trabalhar depois de ter feito a quarta classe. Foi a trabalhar que conseguiu continuar a estudar e depois tornou-se militar. Antes de ler a entrevista de Carlos Fiolhais, li outra de uma jornalista que contava que a sua mãe começou a trabalhar aos 11 anos, a servir em casa de senhoras. Estas histórias não são exclusivo dos anos 50 e 60.

No ano lectivo de 1975/1976 entrei no então chamado ciclo preparatório - o que era uma lufada fabulosa de ar fresco depois da ultra-repressiva escola primária. As nossas aulas decorriam num andar emprestado da escola secundária (a antiga Escola Comercial e Industrial) e nuns pavilhões pré-fabricados onde às vezes chovia. No liceu, um antigo quartel, também chovia imenso. Mas a chuva nas aulas não era especialmente traumática - e naquela idade era curiosamente divertida. Já tinha havido a revolução, tínhamos aulas de Estudos Sociais e um trio fantástico de professoras "comunistas" (não sei se de facto eram do PCP, mas publique-se a lenda) que levavam a turma a fazer visitas às fábricas da zona em autogestão e a escrever textos sobre o acontecimento. De resto, a vida decorria normalmente e confesso que a única razão por que me lembro do Verão de 75 foi porque meti na cabeça, por causa das notícias dos imensos jornais que o meu pai levava todos os dias para casa, que poderia morrer, à conta do surto de cólera que na altura ocorreu em Portugal. A minha mãe insistia que isso não poderia acontecer - parecia que não atingia pessoas que tinham condições decentes de vida - mas eu mantive o pânico durante algum tempo. Morreu-se de cólera em Portugal nesse ano quente de 1975.

No fim do primeiro ano do "ciclo", alguns colegas abandonaram a escola para não voltar. Nós podíamos continuar a estudar, mas eles não. Foram trabalhar para "o campo", ajudar os pais na agricultura. Foi uma coisa estranha, mas depois percebi que era "normal". Acontecia porque os pais precisavam da ajuda dos filhos e não tinham dinheiro para a escola. Quando Passos decide tornar permanentes os cortes aos pensionistas e aos funcionários públicos, institucionalizando um assalto - justificado pelos privilegiados jovens arautos da JSD com a "justiça geracional" -, esquece toda a história recente de Portugal. Os reformados de hoje apanharam um país repressivo, ditatorial e terceiro-mundista e deram- -nos outra coisa. Em troca, Passos quer devolvê-los ao sítio de onde vieram.» [i]
   
Autor:
 
Ana Sá Lopes.
   
   
 Dívida portuguesa, para que te quero
   
«O presidente da comissão executiva do BPI, Fernando Ulrich, revelou nesta terça-feira que o banco concluiu a venda de metade da posição detida em dívida pública de médio e longo prazo de Portugal e Itália, no valor nominal de 850 milhões de euros e 487,5 milhões de euros, respectivamente.

O presidente da comissão executiva do BPI, Fernando Ulrich, revelou esta terça-feira que o banco concluiu a venda de metade da posição detida em dívida pública de médio e longo prazo de Portugal e Itália, no valor nominal de 850 e de 487,5 milhões de euros, respectivamente. O impacto conjunto da alienação dos títulos e do fecho das respectivas posições de cobertura (swaps de taxas de juro) traduziu-se numa menos valia depois de impostos de 102 milhões.

Ulrich explicou que a operação, “muito discutida, há muito tempo”, pela equipa de gestão, quis “reduzir a volatilidade futura dos rácios de capital” do banco devido à entrada em vigor das novas regras de Basileia III, a 1 de Janeiro. Estas ditam que as menos valias potenciais associadas à divida pública passam a estar reflectidas, aos preços de mercado, em cada momento, no rácio common equity Tier 1 (CET 1) dos bancos. “Neste novo quadro, pensámos que as posições que tínhamos eram grandes demais e poderiam sujeitar o banco a uma volatilidade que não nos parecia aconselhável”, disse o presidente do BPI. O banco tem neste momento em carteira 850 milhões de dívida pública portuguesa, quando em Junho de 2012 tinha mais do triplo do valor.» [Público]
   
Parecer:

Depois das perdas com a reestruturação da dívida grega e a chegar às eleições europeias é caso para dizer que a crise que o Ulrich receia é outra, o milagre português tão propalado pelos seus amigos pode custar-lhe um hair cut na dívida com que andou a especular todo este tempo. Compreende-se agora que quando o Ulrich fala muito em apoio de Passos Coelho é porque especula com os altos juros pagos pela dívida portuguesa, mas quando está em silêncio absoluto é porque quer recuperar alguns dos clientes que perdeu ao mesmo tempo que se livra da dívida que a qualquer momento pode ser alvo de uma reestruturação, mesmo sem qualquer manifesto.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Havia quem recebesse robalos
   
«Segurança do primeiro-ministro garante que nenhuma "navalha" entrou no gabinete de Passos Coelho. Só chegam a S. Bento "alheiras e alguns produtos de gastronomia regional".» [DN]
   
Parecer:

Alheiras de Trás-os-Montes?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Passos Coelho se foi o sucateiro que lhe mandou as alheiras.»
   
 Comemos pior
   
«Há pelo menos 20 anos que os portugueses não tinham tão poucos frutos disponíveis e há 10 anos que não havia níveis tão baixos de carne de bovino. No pescado (oito anos) e nos laticínios (nove) os sinais são semelhantes. Os dados do INE, relativos à Balança Alimentar Portuguesa 2008-2012, foram ontem divulgados e mostram uma redução da oferta nas mesas nacionais. Além disso, concluiu-se que os padrões de consumo dos portugueses são altamente desequilibrados em relação à roda dos alimentos, uma referência para a alimentação saudável.

O INE, que analisa a oferta de alimentos em conjuntos de cinco anos, revela que , só no caso da carne de bovino, cada habitante passou a consumir 69,8 kg por ano, menos 5,9 kg em apenas quatro anos. Neste período, também a carne de porco esteve menos disponível, tendo caído 11,6%.

Pelo contrário, a carne dos animais de capoeira foi a única a apresentar um aumento das quantidades disponíveis. A maior parte da carne (70%) é de produção nacional, embora a de capoeira tenha um peso nacional maior (85%).» [DN]
   
Parecer:

Agora já praticamos a dieta do homem de Massamá.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
      
 Vítor Gaspar anedótico
   
«O ex-ministro das Finanças Vítor Gaspar defendeu na quarta-feira numa universidade norte-americana, em Nova Iorque, que "os economistas não são muito bons a prever o resultado de processos políticos".

As declarações foram feitas na Universidade de Columbia, onde o antigo ministro do Governo chefiado por Passos Coelho participou na conferência sob o tema "A construção de um sistema financeiro continental: lições para a Europa da história americana".

Segundo a universidade, o objetivo era discutir a experiência de Alexander Hamilton enquanto primeiro secretário do Tesouro norte-americano, entre 1789 e 1795. Gaspar afirmou que, depois de sair do Governo, em julho do ano passado, decidiu que "seria mais seguro" dedicar-se ao estudo de uma personalidade na história norte-americana.» [i]
   
Parecer:

Tem alguma graça ouvir Vítor Gaspar dizer que os economistas não são muito bons a prever os resultados dos processos políticos, logo ele que não conseguiu acertar numa única previsão económica.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
   
 Durão sem coragem
   
«Durão Barroso evitou hoje comentar as declarações de Vitor Constâncio, que esta semana contrariou o actual presidente da Comissão Europeia, negando alguma vez ter recebido "qualquer informação" sobre possíveis "irregularidades concretas" no BPN.» [DN]
   
Parecer:

Era de esperar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Barroso que seja honesto.»
     

   
   
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