terça-feira, abril 22, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Chafariz do Largo do Carmo, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Subir Lall, o cobardolas do FMI

O representante do FMI em Portugal revela-se um cobardolas quando estão em causa as rendas excessivas, o homem tem muitos argumentos para discordar de um aumento miserável do salário mínimo, mas quando é questionado sobre os abusos das rendas excessivas fica todo engasgado e não consegue explicar a razão dos recuos excessivos nesse capítulo.

«Na mesma conferência de imprensa, Subir Lall foi questionado sobre as rendas excessivas no setor da eletricidade, reiterando que "tem de ser feito mais" para as limitar, de forma a promover a competitividade.

"O tema das rendas excessivas tem sido recorrente, é verdade. Mas é um tema difícil, sobretudo numa altura em que estão a ser feitas tantas reformas. Muito já foi feito, mas é preciso fazer mais", afirmou o chefe da missão do FMI em Portugal, garantindo estar "esperançado" de que vão ser alcançados avanços nesta matéria na 12.ª avaliação regular ao programa, que se inicia na terça-feira.» [Notícias ao Minuto]
 
 Rui Rio
 
Pela forma como fala até parece que nos últimos 20 anos ou mais em vez de político foi bastonário da ordem dos políticos apolíticos.

 Ora aí está, está a ver? Estava à espera de uma novidade...
 
Passos Coelho declara (aqui) que os cortes de vencimentos e de pensões são temporários.

Está tudo esclarecido, os cortes são temporários, até porque são inconstitucionais! Quem o diz é Passos Coelho.
  
O problema é que o prazo de validade das declarações de Passos Coelho é mais pequeno do que o dos iogurtes e este importante esclarecimento foi dado em 13-09-2012. Como é sabido, desde então foram encontrados desvios colossais e Passos Coelho descobriu uma alínea do memorando que previa estes cortes a título definitivo.
  
      
 A decomposição do açúcar e do sal
   
«Vá lá, isto já não é um governo. É um ajuntamento de pessoas unidas para cumprir o fecho do programa da troika, porque se isso não acontecesse - a manutenção do governo em funções mesmo em estado de colapso - a senhora Merkel ficaria muito aborrecida.

E porque isto já não é um governo, o primeiro- -ministro exclui a descida do IRS e o vice-primeiro- -ministro volta a pô-la em cima da mesa com a naturalidade dos funerais - Sócrates e Teixeira dos Santos tinham menos divergências e acabaram sem se falar (e os dois fora do governo).

Porque isto já não é um governo a ministra das Finanças anuncia novos impostos sobre produtos prejudiciais à saúde (o já chamado imposto das batatas fritas ou o imposto Sumol). Concorda imediatamente o secretário de Estado da Saúde - que não o ministro - elogiando exemplos estrangeiros. E depois, como se fosse a coisa mais normal do mundo, o ministro da Economia António Pires de Lima aparece em público a desmentir a ministra das Finanças - não, não haverá nenhum imposto Sumol no governo a que ele pertence. Em declarações ao Público, Pires de Lima fala em "ficção" que nunca foi "discutida em conselho de ministros". Esquece-se que Passos Coelho e Maria Luís discutem os dois sozinhos, como no caso das pensões indexadas ao crescimento, a notícia que o ministério de Maria Luís "libertou" para abrir caminho ao anúncio formal de Passos Coelho.

O CDS irrevogável deixou- -se, como era de prever, meter no bolso do PSD e do primeiro-ministro, o principal interlocutor dos "nossos credores". A forma como na entrevista, que deu na semana passada, o primeiro-ministro se referiu ao seu vice Paulo Portas não poderia revelar maior distanciamento e desprezo - embora negando-o, para que a proclamação se tornasse mais eficaz. Nenhum cínico mais competente apontaria a ida de Paulo Portas à tomada de posse da presidente do Chile, Michelle Bachelet, como prova de que o vice-primeiro-ministro anda "a trabalhar" e não está submerso no governo em decomposição. Há divórcios litigiosos com muito melhor ambiente.

É este ajuntamento que governa o país e vai a votos no dia 25 de Maio em coligação. Se "sucessivos episódios" ainda fossem justificação para derrubar um governo, esse seria o dia. Mas Passos nunca cederá e Paulo Portas foi irrevogavelmente preso a um pacto de sangue, obrigado pelo partido e pelos credores, até ao fim da troika.» [i]
   
Autor:
 
Ana Sá Lopes.
      
 25 de Abril, sempre!
   
«Esta gente que nos governa detesta o 25 de Abril, o dia fundador da nossa democracia - o dia mais feliz da vida de quem o viveu e de quem não se acomodou à ditadura

Comemora-se esta semana o quadragésimo aniversário do derrube da ditadura salazarista. Uma prolongada ditadura que chegou pela mão de um professor da Universidade de Coimbra, apessoado e bem-falante, seminarista e anti-republicano, depois de um golpe militar que pôs termo à I República, a qual se deixou afundar numa crise política, económica e financeira permanente. Uma ditadura igual a todas as ditaduras, com o seu rol de perseguições políticas, prisões e assassinatos de opositores. De pobreza, analfabetismo e cacete. Inculta e profundamente reacionária.

À medida que nos afastamos no tempo daquela madrugada de Abril, adensa-se cada vez mais, no discurso político e na "análise histórica" elaborados nestes últimos anos, a partir de uns "jovens turcos" acantonados em jornais, revistas e blogues, promovidos a "ideólogos" de outros amanhãs que cantam, o branqueamento da ditadura e a desvalorização do significado do dia 25 de Abril, enquanto data fundadora da nossa democracia. O desbragamento e a falta de vergonha e de memória assumiram tais proporções que até Durão Barroso, ex-presidente do PSD, ex-primeiro-ministro de uma coligação dos partidos que nos governam e ainda presidente da Comissão Europeia louvou, descontraidamente e sem corar, a "excelência" do ensino em tempo de ditadura. O velho ditador de Santa Comba Dão, lá na tumba onde expia os seus pecados, deve ter aplaudido o reconhecimento póstumo e gracejado, à sua maneira, sobre os discípulos que por cá deixou.

Os jovens turcos que sustentam ideologicamente este governo sempre se sentiram incomodados com o 25 de Abril, com os militares que executaram o golpe de Estado que derrubou a ditadura e com o povo que o transformou numa revolução. Recusando liminarmente o entendimento de que a democracia é o regime que dá espaço de luta a todas as expressões políticas - o que aconteceu a partir daquele dia de Abril -, começaram por teorizar que só a 25 de Novembro de 1975 nasceu a democracia, quando os comunistas são metidos na ordem democrática. Depois, cimentada a ideia, e após a elaboração de muitos estudos, concluíram que, afinal, a democracia só existiu em Portugal depois de 1982, altura em que foi extinto o Conselho da Revolução. Mas não se ficaram por aqui. Mais tarde, começaram a falar em 1985, altura da assinatura do Tratado de Adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia, como a data fundadora da democracia. De imediato, empurraram-na mais um ano, para 1986, com a eleição de Mário Soares, o primeiro chefe de Estado civil. E a seguir transferiram a data para 1989, aquando da revisão constitucional de 1989, a qual flexibilizou a garantia das nacionalizações.

Mas, mesmo assim, depois de transferirem o 25 de Abril de 1974 para 8 de Julho de 1989, os jovens turcos, os ideólogos deste governo, em sintonia com os principais banqueiros, encabeçados por Fernando Ulrich, insistem ainda que o voto dos portugueses está condicionado pela Constituição: um governo eleito não pode fazer o que quer, tem de subordinar a sua actuação a uma constituição "socialista e marxista", pelo que devemos aguardar que nos indiquem uma nova data para irmos beber um copo em comemoração da instauração da democracia.

Esta gente que nos governa detesta o 25 de Abril, o dia fundador da nossa democracia - o dia mais feliz da vida de quem o viveu e de quem não se acomodou à ditadura. Uns procuram disfarçar essa aversão, com um palavreado redondo, do tipo: "Sim, o 25 de Abril, mas foi só a libertação, não a liberdade ou a democracia"; outros, já enaltecem os feitos da ditadura. E foi aqui o cais a que aportámos, quarenta anos depois. Este governo e os seus ideólogos estão a aplanar o terreno para que o povo diga, como no fim da monarquia, como escreveu Raul Brandão: "Venha tudo, venha o pior, venha o diabo do Inferno que nos livre disto!"» [i]
   
Autor:

Tomás Vasques.
   
   
 Mais uma a bater na ceguinha dos swaps
   
«A ministra da Agricultura e do Mar, Assunção Cristas, afirmou hoje que a taxa sobre produtos alimentares considerados nocivos para a saúde é uma “não questão”, salientando que este assunto não foi abordado em Conselho de Ministros.

“Posso dizer que essa matéria não foi discutida no Conselho de Ministros e, portanto, eu creio que não vale a pena estarmos a falar sobre aquilo que, na minha perspetiva, é, neste momento, uma não questão”, disse Assunção Cristas, em Pombal.» [i]
   
Parecer:

Coitada da Maria Luís, não há gato pingado que não lhe tire o tapete, até parece que o CDS se juntou para lhe partir uma perna. Já só falta o Lambretas dar uma aceleradela sobre o tema.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
     

   
   
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