terça-feira, abril 29, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Cardo no Estádio Universitário, Lisboa

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Este ano, o FCP andou aos papéis! (A. Moura)
 Jumento do dia
    
Ricardo Rio, autarca de Braga

Perante a morte de três jovens em consequência da queda de um muro o que fez o autarca d eBraga? Reagiu com uma conferência de imprensa destinada a dizer que não tinha responsabilidades porque o muito pertence a um condomínio e porque a autarquia não foi formalmente informada.

Pelos vistos a autarquia de Braga nada tem que ver com a segurança dos cidadãos e não tem quaisquer competência em matéria de fiscalização ou de protecção civil. Mas o cúmulo do cinismo está no "formalmente" que significa que a autarquia conhecia a situação do muro mas como não foi "formalmente" informada pouco importa se o muro cai em cima de alguém pois a culpa não é da autarquia.

Enfim, um bom exemplo da cobardia que grassa no nosso país.

«O presidente da Câmara de Braga garantiu que a tutela da estrutura que ruiu matando três estudantes é do condomínio do prédio que servia e que a autarquia nunca foi "formalmente" alertada sobre o estado daquele mobiliário urbano.
  
Esta tarde, em conferência de imprensa, Ricardo Rio adiantou ainda que a referida estrutura, que servia de suporte a caixas de correio não consta do licenciamento do prédio que servia mas que "também não tinha que constar".» [Notícias ao Minuto]

 A troika que na verdade nos entroika

A troika que nos anda a entroikar não é aquela que Passos Coelho usa para ameaçar os portugueses da mesma forma que Salazar e Caetano usavam a PIDE para calar quem ousasse discordar das suas políticas ou do modelo laboral imposto. A A troika que nos anda a entroikar há três anos é a troika formada por Durão Barroso  (o pai da troika de que tanto se fala), Passos Coelho e Cavaco Silva.

É urgente que os portugueses mandes estes troikanos da mãe apanhar gambuzinos.
   
      
 Abril, ainda
   
«1. Não adianta meter a cabeça debaixo da areia: há uma notória clivagem política na sociedade portuguesa. Uma fractura que medeia entre o que se comemorou na sexta-feira, 25 de Abril, no Largo do Carmo, onde há quarenta anos ruiu a ditadura, e o que se comemorou no palácio da Rua de São Bento, onde está instalada a Assembleia da República, eleita pelos portugueses. No Largo do Carmo, uma multidão foi acarinhar os militares que protagonizaram Abril, com a alegria e o entusiasmo de quem quer regar a esperança no futuro e renovar a democracia; no palácio de São Bento, a regra foi a exibição do bafio que se colou, que nem lapa, ao poder instituído. Um bafio que cava cada vez mais o fosso entre eleitores e eleitos, entre o povo e os seus representantes. Vivemos em democracia e aquela Assembleia resulta de eleições. Mas quando uma maioria de representantes eleitos sustentam um governo que trata os portugueses com a mesma arrogância e desdém que os outros - os que nunca foram eleitos - tudo pode acontecer, de novo. Esta notória clivagem na sociedade portuguesa pode ter uma expressão significativa no resultado das eleições para o parlamento europeu, a 25 de Maio. Não porque os portugueses acreditem que o parlamento europeu lhes valha. Mas porque não querem ser mais vergastados.

2. O discurso do senhor Presidente da República no parlamento tresandou a mofo. Todo repleto de "espírito de compromisso e de entendimento entre as diferentes forças políticas", como quem deseja a paz de uma nova "união nacional". É-lhe difícil compreender - disse - que "agentes políticos responsáveis não consigam alcançar entendimentos". Todo este discurso do "compromisso" e do "espírito de união", próprio de quem entende mal a essência da democracia, tem um único objectivo: aniquilar eleitoralmente o Partido Socialista. E já não tem a ver com esta legislatura, mas com a próxima. Os dirigentes do Partido Socialista devem-se lembrar das consequências da última, e única, vez em que se coligaram num governo com o PSD: nas eleições de Outubro de 1985, obtiveram 20% dos votos, menos 15% do que nas eleições anteriores, dois anos antes. E que Mário Soares, o primeiro-ministro dessa coligação, saiu para as eleições presidenciais com 8% nas intensões de voto, acabando por ser eleito, numa disputa renhida, com os votos dos comunistas. Levar o PS a uma coligação com o PSD é uma obsessão de Cavaco Silva em fim da mais longa carreira de um político português em democracia. É a sua revanche política (e pessoal) sobre os socialistas e sobre Mário Soares.

3. O tempo, ao afastar os acontecimentos, reduz-lhes a dimensão e altera-lhes a nomenclatura. Deixa-os no osso. Seca-os da emotividade que os alimentou e com que foram vividos, o que permite aquele espectáculo protocolar realizado na Assembleia da República. É assim, por exemplo, quando olhamos, já esvaziados das emoções e dos anseios da época, para a noite de 5 de Outubro de 1910 ou para o dia em que a Europa se livrou do nazismo e das pesadas atrocidades de uma guerra mundial. O dia da queda da ditadura salazarista não vai escapar a este inexorável desgaste que o tempo provoca. "O 25 de Abril é de todos, não tem dono" - este foi um argumento muito utilizado, por estes dias, para condenar a exigência do coronel Vasco Lourenço em discursar na Assembleia da República, em nome dos militares que derrubaram a ditadura, na data redonda que na passada sexta-feira se comemorou. É um sofisma, um argumento falso com a aparência de verdadeiro. A democracia - essa, sim - é de todos os portugueses. O 25 de Abril, enquanto acção militar que pôs termo à ditadura, tem dono, no sentido de que tem autores e rostos. Foi um grupo de militares, muitos deles ainda vivos, que derrubou a ditadura e instaurou a democracia. O entusiástico apoio da maioria dos portugueses, desde os primeiros momentos, transformou em poucas horas um golpe de Estado numa revolução. Àqueles que insistem em dizer que "o 25 de Abril não tem dono, é de todos" eu peço que, pelo menos, excluam do título de propriedade Marcelo Caetano, Américo Thomaz, o senhor Silva Pais, todos os agentes da polícia política e os que fugiram espavoridos para o estrangeiro. Não é pedir muito.» [i]
   
Autor:
 
Tomás Vasques.
     

   
   
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