sexta-feira, outubro 09, 2015

Governar a três

Cavaco e alguns dos seus porta-vozes oficiosos gostam muito de explicar aos indígenas atrasadinhos do país que o mais normal na Europa é governar em coligação, havendo treze governos com coligações a três e até sugerem que não á pressa porque na Alemanha o processo de negociação do último governo tardou 60 dias. Este é um dos complexos de inferioridade que o cavaquismo anda a injectar na sociedade portuguesa desde que Cavaco Silva comprou um Citroen BX.
  
Somos um bom aluno da Europa, obedecemos servilmente à Troika, temos um primeiro-ministro que faz vénias humilhantes a modestos funcionários de instituições internacionais, um presidente que chupa a palma da mão à rainha de Espanha como se estivesse em Boliqueime a chupar um Rajá. Não deixa de ser curioso que sejam professores universitários a assumirem sistematicamente este estatuto de aprendizes, com o sucedeu mais uma vez com um artigo escrito por dois ilustres universitários (do ISCSP e da Católica) que vieram fundamentar a mais recente manobra de Cavaco Silva.
  
A tese faz todo o sem tido e sé é pena que se lembrem dela quando a direita quer governar sendo minoritária no parlamento e no pressuposto de que parte dos partidos que representam portugueses podem ser excluídos dos governos com base em condições estabelecidas por quem não tem o poder de o fazer e em vez de respeitar a Constituição decide reescrevê-la à medida dos interesses do seu partido. 

O que a direita pretende é um processo num mini-parlamento com apenas 80% dos eleitos de formas a que nesse parlamento a direita tenha a maioria absoluta, negociando com o PS numa posição de vantagem. Isto é, a nossa democracia parlamentar seria amputada do equivalente ao CDS na esquerda e com  uma redução substancial de deputados e onde a direita assaria a contar com maioria absoluta.
  
Neste mini-parlamento na aceção de Cavaco e dos seus apoiantes não só o PS passaria a ser a ala direita do regime como um CDS que nas regiões autónomas caiu de 12% para pouco mais de 3% tem um peso que nada tem que ver com o real, Paulo portas representa os poucos eleitores do CDS e uma boa parte dos eleitores do PSD. 
  
Faz todo o sentido que no jogo parlamentar se procurem soluções consensuais, essa é a lógica de um processo de decisão onde tudo tem de ser aprovado por maioria, o que significa que a necessidade de consenso não passa de uma verdade de la palisse. O que a direita pretende é mito mais, à fraude de um CDS com deputados que representam eleitores alheios pretendem acrescentar outra fraude que consiste na eliminação o parlamento da voz de um milhão de eleitores. O que estes senhores herdeiros da antiga ANP pretendem é a reedição de uma versão falsamente democrática da antiga Assembleia Nacional do antigo regime, onde cabe ao PS desempenar o triste papel de ala liberal.
  


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