sexta-feira, outubro 30, 2015

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Sérgio Monteiro, leiloeiro

Há situações que só merecem um comentário, é preciso lata. Lata por parte do governante e lata por parte do governador do BdP que não deve ter reparado que se realizaram eleições. Enfim,, agora só resta ao Monteiro convidar a Maria Luís para sua assessora e fica tudo em família.

«Sérgio Monteiro vendeu quase tudo o que havia para vender no Estado enquanto passou pelo Governo. Agora que saiu vai continuar a fazer aquilo que o notabilizou, ao ser contratado para vender o Novo Banco.

O ex-secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações vai tornar-se a peça fundamental em todo o processo de alienação do Novo Banco. Uma espécie de PMO (project management officer) que será responsável máximo pela venda.

A sua contratação resulta da necessidade detetada pelo Banco de Portugal e pelo Novo Banco de ter alguém exclusivamente ligado ao projeto, já que as pessoas que atualmente tinham essa responsabilidade acumulavam com outras funções dentro do regulador do sector financeiro.

O facto de Sérgio Monteiro ter acumulado uma experiência significativa nos últimos anos nos vários processos de privatização que liderou e de ter passado pela banca de investimento tornaram a sua escolha bastante fácil. O ex-secretário de Estado será contratado pelo Fundo de Resolução através de um contrato de prestação de serviços, que terá a duração necessária até à venda do banco.

Durante o processo de escolha, os vários bancos do sistema que contribuem para o Fundo de Resolução foram contactados através da Associação Portuguesa de Bancos de modo a validarem o nome de Sérgio Monteiro. A nova cara da venda vai manter o vínculo à Caixa Banco de Investimento. Nem Sérgio Monteiro nem o Banco de Portugal estiveram disponíveis para comentar.» [Expresso]

 Diga-me cá uma coisa ti Costa
  
A venda do Novo Banco está a dar para muita gente se encher, a começar pelo próprio governador do Banco de Portugal que foi reconduzido no cargo com o argumento de que estava a acompanhar a venda do Novo Banco. Depois foi o que se viu, a venda falhou mas o senhor Costa, um dos mais firmes apoiantes da experiência da desvalorização fiscal concebida por Gaspar e implementada pelo iletrado Passos Coelho, ficou no lugar.
  
Agora ainda o rapazola dos transportes ainda não arrumou o gabinete e já se sabe que tem lugar garantido pelo senhor Costa, vai acompanhar a venda do Novo Banco. Dizem que o homem percebe muito da coisa. O problema é que o senhor Costa já gastou fortunas a contratar gente que sabia muito de venda de bancos e que ganharam milhões para fazerem o que agora dizem que o Monteiro vai fazer.
  
O senhor Costa contratou a Paribas por adjudicação directa para fazer o que agora dizem que o Monteiro vai fazer. Leia-se o que se escrevia no DN no passado mês de Maio:
  
«O BNP Paribas foi contratado com uma remuneração mensal fixa de 250 mil euros, durante dois anos, e um prémio, em caso de sucesso, de 10 milhões. O contrato foi celebrado a 7 de abril de 2015, mas não foi o único. Na mesma data, o BdP formalizou o vínculo com a TC Capital, uma "boutique financeira" com sede em Londres. Um contrato em ajuste direto, por dez meses de prestação de serviços, ainda que o trabalho, conta hoje a TSF, tenha começado já em outubro de 2014. Aos 15 milhões de euros que o BdP terá de pagar ao BNP Paribas, somam-se assim 800 mil euros, já que o contrato com a TC Capital prevê uma remuneração mensal fixa de 30 mil euros e um prémio de sucesso de 500 mil.

A TC Capital é propriedade de Phillipe Sacerdot, antigo diretor-adjunto para a área da banca de investimento no UBS, onde se cruzou com António Varela, antigo representante do banco suíço em Portugal. Varela é vice-governador do BdP desde setembro do ano passado. Em outubro, diz a TSF, a empresa de Phillipe Sacerdot começou a assessorar a venda do Novo Banco, apesar de o contrato só ter sido formalizado em abril deste ano, e o documento foi assinado pelos vice-governadores António Varela e José Ramalho.


A TSF questionou o BdP sobre o novo assessor financeiro no processo de venda do Novo Banco, tendo obtido confirmação do gabinete do governador Carlos Costa: "além do BNP Paribas, o Banco de Portugal, enquanto Autoridade de Resolução, contratou a TC Capital como assessora financeira do processo de venda do Novo Banco".» [DN]

Ora. se o BdP está a pagar fortunas ao Paribas e à TC Capital com que argumento contratam agora o Sérgio Monteiro? Parece que para arranjar empregos aos amigos da ministra das Finanças não falta dinheiro.
  
Começa a ser tempo de o senhor carlos Costa resignar de um cargo que nunca devia ter aceite e para o qual nunca devia ter sido nomeado.



 O lóbi da vaca em acção

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 Ó Jerónimo, cala lá esses gajos

Durante quatro anos ninguém deu pela presença do Mário Nogueira, se não tivesse ocorrido uma conversa cordial com Passos Coelho no meio da rua e uma cerimónia ao lado do Alberto João niguém teria percebido que o destemido sindicalistas ainda estava no activo. Agora já se comporta como se o sindicalista dos professores fosse uma espécie de ministro da Educação por inerência. E enquanto o Mário Nogueira está à beira de uma paixão assolapada pela Lurdinhas o Arménio Parece querer prestar homenagem ao pessoal da cintura industrial de Lisboa, a muralha d'aço de Vasco Gonçalves que hoje se deleita no consumismo do Belmiro de Azevedo, vai cercar o parlamento mostrando que o líder da CGTP vai passar as ser um ministro sombra do trabalho.

Não seria melhor o Jerónimo dizer a essa rapaziada que o Lenine não ressuscitou e que o Putin ainda manda em Moscovo?




 O Governo do Solnado
   
«Portugal ensandeceu de vez. Pelo menos a julgar pelo que se lê, ouve e vê nos media. O assunto do momento, que consome a atenção de jornalistas e comentadores, é a formação de um Governo que na realidade não é bem um Governo, mas uma "coisa" cuja única função é ser deitado abaixo.

Foi criado simplesmente para cumprir a formalidade de uma rejeição parlamentar. Democracia? Criar governos para serem derrubados? Se é isto a tal estabilidade tão apregoada, indispensável para sossegar os mercados, vou ali e já venho. Citando um famoso gaulês: estes portugueses devem estar loucos.

No entanto, muita gente fala como se a criatura tivesse destino ou serventia. Cúmulo do delírio: Passos Coelho declara que este é um Governo para quatro anos. Delirante, mas entende-se. De alguém habituado a afirmar coisas que não correspondem minimamente à realidade. Mas o que dizer dos múltiplos comentários sobre a composição, os ministros, as suas carreiras e as qualificações, os novos ministérios? Quando se trata de algo que não existe, de uma farsa, animada por gente que se alistou para uma curtíssima visita ao deserto. Uns quantos que se dispuseram a uma figuração irrelevante, a serem o pano de fundo de uma cerimónia ridícula, a tomada de posse, e de seguida, humilhante, a queda no Parlamento. Tropa que vai para onde a mandam, mesmo conhecendo o desfecho mortal. Fica uma linha no curriculum, mas que será sempre uma mancha, um borrão inestético, um percalço que servirá o riso, a galhofa, não a compostura e ainda menos a dignidade.

No meio desta loucura, do pequeno coletivo que disserta sobre o país, são particularmente notáveis os comentários sobre os novos ministérios. A novidade, o seu alcance, a sua importância. Ora a criação de um novo ministério implica um conjunto de reajustamentos orgânicos que este Governo não vai poder fazer. Nem vão ter tempo de imprimir cartões de visita, quanto mais.

Estamos a viver uma piada nacional. Uma anedota. Faz lembrar a guerra do Solnado. Está lá, é do Governo? E desata tudo a rir.

Como é então possível que tanta gente alinhe numa paródia desta dimensão? Duas palavras explicam: radicalismo e podridão. Portugal que nunca foi radical derivou nestes últimos anos para o radicalismo político. A direita, munida de simplismos e legitimada pelos tais muito vagos e abstratos mercados, tornou-se radical na sua visão da sociedade e agiu em conformidade. Aceitou ser capataz contra o seu próprio povo, que desdenhou, criticou e condenou à miséria, atacou cegamente a própria ideia de serviço público, vendeu o país ao desbarato. No processo foi arrogante, perdeu qualquer capacidade de diálogo, abandonou o centro para se acantonar em posições extremistas comuns a muita da extrema-direita que vai crescendo por essa Europa fora. 

Esse radicalismo, como num pêndulo, teve o efeito perverso de gerar uma posição singular, inesperada, na esquerda, que, sem outra saída, se radicalizou também. Daí que Portugal esteja hoje tão claramente dividido entre esquerda e direita, sem qualquer possibilidade de entendimento entre os dois campos. Não sei se a longo prazo isto é positivo, mas já no final dos anos 1980 alguns intelectuais americanos propunham, virando-se para a esquerda: sejamos radicais, porque é que só a direita se pode divertir? Não correu mal. Acabaram por eleger Obama.

A derrota eleitoral da coligação de direita, pois venceu no número mas perdeu na espécie, devia ter servido sobretudo no PSD para uma reflexão, uma chamada de alerta, um regresso ao centro, à social-democracia. Tal como tem exigido Pacheco Pereira e outros, poucos. Mas não. Preferiu-se a fuga para a frente, a radicalização do radicalismo, expressa na formação deste Governo vergonhoso, mas sem vergonha. O resultado é a degradação, a ruína do partido e das ideias que o dominam. O Governo faz de conta, o Governo do Solnado, não é só um momento particular da paródia nacional. É o sinal da podridão do PSD. Vai ser penoso recuperar.» [Jornal de Negócios]
   
Autor:

Leonel Moura.
   


 Arménio, a esperança de Passos
   
«E ainda dizem que vivemos num ambiente crispado... Ontem, o homem da CGTP, Arménio Carlos, convocou uma concentração, frente ao Parlamento, para o dia do voto de rejeição. Os meus amigos de direita ouviram-no entre sussurros de admiração: "Isto é que é falar!", disse um. Não eram só aplausos de plateia passiva, percebi que os meus amigos estavam sinceramente enlevados: "Quem dera que os telejornais abram com as palavras do nosso Arménio..." Já era deles, o sindicalista. Mas a convocação foi feita numa conferência de imprensa e os jornalistas não quiseram saber dos pormenores que deleitavam os meus amigos. Estes gostariam que o líder da CGTP, além da brilhante ideia, a desenvolvesse. Arménio, quando os deputados subirem a escadaria de São Bento, vocês vão apertar com eles? Já têm a lista dos indecisos socialistas, para lhes prometer uma espera caso se bandeiem para o outro lado? E, se a rejeição falhar, cercam o Parlamento ou entram por ali dentro a expulsar a escumalha?... Alguns dos meus amigos de direita são da minha geração e foram, como eu, da extrema-esquerda. Um que ainda tem lá em casa uma bandeirola com o cerco da Constituinte há 40 anos já estava disposto a oferecê-la à CGTP, "mas só se o Arménio a mostrar na próxima conferência de imprensa". O mais cínico dos meus amigos de direita explicou-me aquela ânsia por ouvir mais e mais do líder sindical: "Quando um adversário se enterra, rezamos para que não se cale."» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 Pobre desgraçado
   
«O novo ministro da Justiça, Fernando Negrão, diz que “não há disponibilidade para um Governo de gestão”. Falando em entrevista à Antena 1, esta quinta-feira, Negrão reafirma que o novo Executivo pode conseguir aprovar o seu programa, mesmo estando os partidos de esquerda a negociar uma moção de rejeição única relativa ao documento.

O deputado social-democrata, que perdeu a eleição para a presidência da Assembleia da República, afirma que o Presidente da República “fez um discurso efetivamente veemente” em que explicou as “consequências de um Governo formado pela coligação de esquerda”, quando, na semana passada, anunciou a indigitação de Pedro Passos Coelho ao país. No entanto, se Fernando Negrão admite a possibilidade de António Costa vir a ser indigitado primeiro-ministro se o programa de Passos for chumbado, também afasta a hipótese de o Executivo continuar em funções de gestão: “Tudo aponta para que o Governo não esteja disponível”, sustenta.

Na mesma entrevista, ficou patente a esperança de Negrão na “votação em consciência”, isto é, na possibilidade de que 14 deputados socialistas, aparentemente indisciplinados, “possam viabilizar” o Governo de direita. Cauteloso, o futuro ministro considera que “se o acordo à esquerda tiver uma amplitude de tal modo perigosa para o país¨, esses deputados podem repensar a decisão de fazer cair o Executivo de Passos.» [Expresso]
   
Parecer:

Este homem é um azarento, queria ser presidente da AR mas a tradição deixou de ser o que era, foi para ministro e vai acabar a festejar o Halloween com o fato com que foi à posse. Depois da abada na eleição do presidente da AR é preciso ser um pouco a dar para o imbecil esperar que haja deputados do PS a trair os eleitores para que ele seja ministro.,
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Hora de ajeitar o currículo
   
«Miguel Pinto Luz, presidente da Distrital de Lisboa do PSD, será o novo secretário de Estado da Economia e Virgílio Macedo, presidente da Distrital do Porto do PSD, o secretário de Estado da Administração Interna. Estes são alguns dos novos secretários de Estado que vão ser divulgados ainda esta tarde, segundo apurou o DN. Miguel Pinto Luz é atualmente vice-presidente da Câmara de Cascais.

Outros nomes novos no elenco de secretários de Estado, são Mónica Ferro, do PSD, e Teresa Anjinho, do CDS, excluídas das listas de deputados, que são assim "compensadas" com a promoção. A primeira na Defesa, a segunda na Justiça.

Outro nome do "aparelho" social-democrata que vai tomar posse é Pedro do Ó Ramos, ex-presidente da distrital do PSD de Setúbal e atual vice-presidente do grupo parlamentar. Este deputado foi quem dirigiu a campanha de Passos Coelho na sua última recandidatura a líder e é tido como muito próximo do primeiro-ministro. Será secretário de Estado do Mar.» [DN]
   
Parecer:

Parece que o pessoal das distritais passou a ter no currículo o cargo de secretário de Estado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

   
   
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