terça-feira, outubro 13, 2015

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Passos Coelho

Depois de ter passado a criticar as propostas de António Costa durante a campanha eleitoral agora percebe-se que os cortes de salários e a sobretaxa não passavam de um esquema para os governos da direita transferirem riqueza para os mais ricos, mais do que medidas orçamentais são medidas de natureza ideológica.

«No documento que entregou esta tarde ao PS, de modo a facilitar um compromisso, a coligação garante estar a estudar a hipótese de antecipar em dois anos a reposição dos cortes nos salários e da sobretaxa de IRS. Isso mesmo vai ser transmitido amanhã no encontro com o Partido Socialista (PS).

Ainda hoje, PSD e CDS entregaram no Largo do Rato um documento que visa facilitar um compromisso entre os partidos.

Ao semanário Expresso, uma fonte da coligação admitiu que o documento contempla medidas relativas aos quatro pilares definidos pelo secretário-geral do PS. São eles o fim da austeridade, a proteção do Estado Social, investimento em ciência e inovação e uma nova política europeia.» [Notícias ao Minuto]

 Aula de anatomia



 Garrafa dura demais para o submarino "Illinois"



 Agora já não elogiam a Catarina?

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 Baba e ranho com fartura

Há um sério risco para a saúde quando se abre o jornal Observador online, corre por ali tanta baba e ranho de raiva contra o António Costa que há um sério risco de se ter um curto circuito no computador. Só no artigo de uma senhora que espuma de raiva lido em diagonal e pulando de parágrafo em parágrafo leio mimos como estes:
  • Costa é um homem absolutamente desesperado.
  • Costa já não tem nada, mas mesmo nada de nada a perder.
  • Costa não tem carácter, não é homem de palavra, não olha a meios.
  • É formado em Direito, mas não é jurista, e teria de recomeçar a advocacia por um segundo estágio.
  • Na noite televisiva, Costa apresentou-se amarelado e com ar grave.
  • Mas Costa já fizera coisas feíssimas!
  • Costa contratou Centeno para lhe dar números que ele não percebia.

Compreendo a raiva incontida do Alexandre Homem Cristo, do José Manuel Fernandes, da Maria Bonifácio, da Helena Matos, do Paulo Ferreira e outros que se uniram naquele jornal online para ajudar a direita a ganhar as eleições. Na noite eleitoral sentiram-se felizes, graças à vitória do BE a derrota da direita foi uma vitória, magra, mas mesmo assim uma vitória. A noite terminou com a sensação de missão cumprida, depois de longos meses a influenciar das mais diversas formas e nos mais diversos cargos, por vezes há já vários anos, a tentar apoiar um governo extremista de direita podiam ir dormir descansados, a direita tinha ganho o direito a governar.
 
O normal seria o PS implodir numa crise interna, a ala direita tomar conta do PS e a troco de um ou dois tachos apoiar incondicionalmente o governo. Um lugar na concertação social para alguém da UGT e o agora vago lugar no Tribunal de Contas para outro e tudo se compunha. A direita não tinha uma maioria numa maioria de 100% , mas como 20% dos eleitores não contam porque não têm direitos políticos, 36,83% já é uma maioria absoluta  num total de 70,6%, o total das percentagens dos partidos que podem ser tidos em consideração nas soluções governativas, o famoso arco da governação formado pelo PSD, CDS, PS e agora também pelo PAN.
 
Mas António Costa cometeu o crime de considerar que todos os deputados são deputados, que embora haja muitos que não votaram na direita porque na opinião de Alberto Gonçalves são iletrados todos os portugueses têm o direito de escolherem quem os governa. É um crime mais do que suficiente para a Bonifácio espumar de raiva e chamar-lhe tudo, para que o José Manuel Fernandes conseguir dizer ainda pior do que já dizia dele ou para que o Paulo Afonso de transforme em professor de aritmética para nos convencer que 39% é uma maioria em 100%.
 
Que pena, tanta gente de bem, tanta educação, tantas boas maneiras deitadas a rua, já só lhes falta o recuso ao palavrão, isso se já não usam em privado, que é o mais certo.

 A direita já fez propostas

Foi preciso saberem das conclusões da reunião do PS com o BE e António Costa estar com o pobre do Cavaco para que Passos e Portas se decidissem a apresentar propostas. A isto chama-se negociar de boa fé.

 Mobilizemo-nos para uma grande operação de ajuda à direita

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 Um tachito para o meu amigo Proença, sff

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 Adeus manjedoura?

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Um presidente, uma vitória eleitoral e um governo de esquerda?


      
 Não há homens providenciais
   
«A possibilidade de o PS constituir governo próprio, com apoio parlamentar do PCP e do BE ocupa noticiários e preocupa a direita. O desfecho é ainda incerto, pelo que convém analisar forma e substância, ou seja, legitimidade e conteúdo. Comecemos pela questão da legitimidade:

Poderia governar um partido que não teve a maioria, mas é apoiado no Parlamento? Temos que interpretar a mensagem das eleições: mudar de política, virar a página, o que a coligação só fará torcendo-se. A coligação foi a força mais votada, mas também a que sofreu a maior derrota de sempre. Quem ficou à frente deve governar, dirão. Mas como, se lhe escassearem no Parlamento os apoios às políticas com que se propôs? Restar-lhe-ia provocar a demissão, sempre que pensasse que tal lhe convinha, ou seja, um calculismo destrutivo. Mas a direita, entre 1995 e 1999 viabilizou os orçamentos de Guterres? Sim, porque lhe convinha, ninguém lhe perdoaria que impedisse, então, a adesão ao Euro.

Poderia o Presidente (PR) nomear e empossar um governo que não garanta o que ele pensa ser bom para o País? O PR começou por admitir que eram favas contadas: os partidos à esquerda do PS, mirones do arco governativo, não contavam; Costa, tido como desmoralizado por votação inferior à do PSD; Passos tranquilo e Portas impante da sua real vitória sobre Passos. Ninguém acharia estranho que Cavaco delegasse em Passos as negociações. Caiu no erro atípico. Costa passou a gerir o processo. Jerónimo surpreendeu com abertura inesperada e quando Costa parte ao encontro dos coligados, já vai com vantagem. Não se haviam preparado para bem cumprir o mandato de Cavaco, aparecendo de mãos vazias. Voltando à pergunta, o PR não nomeia por suposição mas pela Constituição. Demonstrada viabilidade parlamentar e estabilidade prospectiva, não lhe restaria outra alternativa senão nomear. Mas e se por convicção nomeasse Passos? Pode sempre fazê-lo, mas arrisca a derrota e atrasa o processo constitutivo, com problemas orçamentais a requererem solução urgente.

Poderia um governo do PS apoiado pela sua esquerda, sobreviver numa Europa, tão pouco social-democrata e tão pouco democrata-cristã como a actual? Admiti-lo seria confessar derrota de soberania. Erguendo a voz, granjeia-se mais respeito que baixando a cerviz. Sorrir e concordar para implorar afagos não infunde respeito, apenas complacência. Podem os mercados tolerar governos com apoios comunistas? Os mercados querem clareza e estabilidade, não se alimentam de fantasmas. Estabilidade que um governo PS apoiado à sua esquerda lhes poderia garantir, em melhores condições que um governo da direita em permanente risco de queda.

Vamos agora à substância: Teria o PS capacidade para governar com um programa centrado nas quatro propostas de Costa (virar a página da austeridade, defender e promover o estado social, impulsionar educação conhecimento, inovação e cultura e cumprir as obrigações da Nato, Lusofonia, Europa, Zona Euro e outras)? Tudo o que o PS aí pudesse realizar, pouco que fosse, seria sempre mais que o que fez o governo actual, ao longo de quatro anos.

Porquê confiar em Costa e aderentes, mais do que em Passos e Portas, para cumprir os quatro compromissos? O PS é a única força que, sem ambiguidades, defende os quatro pontos que propôs. Olhemo-los: os três primeiros agradam à esquerda e desagradam a Passos e Portas, que deles fizeram tiro-ao-alvo. Prometem agora firmemente emendar-se? Lágrimas de crocodilo; é provável que continuem a acreditar nas teorias do gasto excessivo, da preguiça dos trabalhadores, das divisões para melhor reinarem, da culpabilização da vítima e da expiação pela penúria. E voltariam à carga na primeira oportunidade que escolhessem para provocar a sua própria queda. Quanto ao quarto ponto, parece difícil que os aderentes à esquerda o aceitem, mas se são eles a propô-lo, será legítimo recusar? Quem apoiasse um governo de forma clara, em princípio não teria interesse em lhe criar problemas.

Poderia o PS aliar-se a partidos que ainda na campanha o insultavam? Não é fácil. Mas em política tudo é possível, na exacta medida em que Passos e Portas pedem agora batatinhas a Costa, depois de uma campanha de mentiras diárias de Passos e de chacota estridente de Portas.

Poderia um eventual governo PS esperar obediência cega dos apoiantes à sua esquerda? Claro que não, nem tal é necessário. Deve esperar debate, não nas questões “fracturantes” – facilmente solucionáveis nas primeiras votações – mas nas charneiras que se não devem escamotear: financiamento do ensino superior, combinação público-privada na saúde (taxas moderadoras e parcerias), nos modos de activar consumo sem desequilibrar a balança corrente, no investimento estrangeiro gerador de crescimento e emprego, na recuperação do rendimento perdido sem desestabilizar défice e dívida, na sustentabilidade das pensões com respeito pelos passados contributivos e pelo direito dos jovens a uma pensão, na racionalização da administração, na flexi-segurança laboral, na dimensão do perímetro empresarial do Estado. Temas difíceis, mas incontornáveis. Omiti-los agora nas negociações seria activar bombas-relógio.

Iria o PS aceitar o governo com apoios à esquerda sem se fracturar? Eis a grande questão. Não se esperem facilidades. Nem todos os socialistas pretendem ser empresários competitivos. Alguns são-no, muitos mais o deveriam ser, sobretudo inovadores, só viria bem ao mundo, não há monopólio de profissões à direita. Os eleitores socialistas são conservadores. Mais que outros, optam pela solidariedade, aceitam a simplicidade na vida, acreditam na probidade republicana. Há mais socialistas que neoliberais nas carreiras públicas? Que mal há nisso? Garantem que não regressaremos a uma administração pública patrimonial, como estava a acontecer, de padrinhos a afilhados, de portadores de cartão a fiéis servidores, de escolhas pretensamente independentes que só recaíam nos próximos da coligação. Muitos eleitores socialistas escolheram a mudança por se sentirem ostracizados, afastados da vida pública, empobrecidos e atacados na sua auto-estima. Aderirão às reformas necessárias e estarão dispostos a apoiá-las se forem justas e no sentido do bem público. Será a direita, ou a esquerda o melhor garante dessas reformas?

Existe o passado, os comportamentos no PREC, a história internacional da extrema-esquerda, mas também a queda do muro de Berlim. Não é conhecida ainda a posição oficial do Bloco. Muitos eleitores socialistas sentirão receios. Ao Bloco e ao PC incumbiria tranquilizá-los. Seriam capazes? Não há melhor pedagogia que a da prática, mas sobre o PS recairia a vigilância e a factura final. Não há homens providenciais, apenas homens comuns e as suas circunstâncias. Costa é um político bem preparado, experiente, governante calejado, dialogante e fazedor de pontes. Não é um super-homem. Terá ele condições para abrir o gueto da extrema-esquerda e devolver ao País a auto-estima que lhe foi retirada?» [Público]
   
Autor:

António Correia de Campos.

      
 Uma Alemanha de mentirosos?
   
«Depois de já ter sido acusada de plagiar a sua tese de doutoramento em Medicina, a ministra da Defesa alemã, Ursula von der Leyen, enfrenta novas acusações em relação ao seu percurso académico.

Desta vez, é a prestigiada Universidade de Stanford, na Califórnia, Estados Unidos, que revela que a governante “nunca esteve matriculada num programa oficial da universidade que lhe permitisse obter um certificado ou um diploma”, contrariando o que Ursula von der Leyen escreve no seu currículo.

A Universidade de Stanford nega que a ministra alemã tenha, como esta afirma no seu CV, completado entre 1993 e 1996 um curso na Faculdade de Negócios e outro na Administração de Serviços de Saúde da instituição. Falando neste domingo, o porta-voz da universidade acusa Ursula de mentir no registo das suas atividades académicas, afirmando que “se uma pessoa admite no seu currículo possuir um certificado da universidade, está a abusar do nome de Stanford”.» [Expresso]
   
Parecer:

Afinal são bem piores do que os gregos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Estão nervosos
   
«O nervosismo cresce à direita, à medida que António Costa continua a sua ronda pelos partidos de esquerda, recolhendo abertura e propostas para um Governo alternativo. No preciso momento em que Passos e Portas enviavam um documento ao PS com as suas propostas para uma negociação, a conversa já estava noutro pólo: “Tudo isto é muito bonito, mas o que interessa agora é o que faz o Presidente”, dizia um dos membros da coligação ouvido pelo Observador. Nos corredores, a dúvida é sempre a mesma: será que o Presidente aceitará dar posse a um Governo com o apoio do PCP e BE?

“No limite, quem decidir pode vir a ser o próximo Presidente da República”, afirma ao Observador um dirigente dos partidos da coligação PSD/CDS, esperando que Cavaco Silva, devido às “reservas conceptuais”, não dê posse a um Governo PS+PCP+BE, mesmo que estes partidos derrubem o Governo minoritário PSD/CDS. A reservas conceptuais são seriam mais do que aquelas que Cavaco expressou publicamente logo que convidou Passos a procurar um acordo com o PS, após as eleições.» [Observador]
   
Parecer:

Mas não tinham ganho?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
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