quinta-feira, outubro 22, 2015

Quem quer casar com a carochinha?

Era uma vez uma Carochinha muito pretinha e muito luzidia que andava numa dobadoira a arrumar a cozinha. Qual não foi o seu espanto quando achou cinco réis, muito novinhos e amarelinhos.
Carochinha, começou a pular de contente. Depois, acabou de arrumar tudo muito bem arrumadinho, tirou o avental, compôs o vestido preto e foi pôr-se à janela, perguntando a quem passava:
- Quem quer casar com a Carochinha que é airosa e formosinha?

Parece que o país vai ter a sua fábula se Passos Coelho, o grande vencedor das tais eleições que não seriam favas contadas for indigitado para primeiro-ministro, ou melhor, para primeiro-ministro nado morto. Se há reis que já o são antes de nascerem, este primeiro-ministro já foi enterrado ainda antes do seu primeiro despacho. 
  
Depois do PREC da direita que tem sido o governo radical desta quase extrema-direita que nos tem governado temos uma direita que quer governar a qualquer custo e contra a maioria parlamentar, uma direita que se desdobra em exercícios aritméticos em busca de maiorias imaginárias, nem que para as alcançar tenha de comprar deputados do PS.
  
Mas o mais ridículo de tudo isto é vermos um primeiro-ministro que sabe que não o vai ser, acompanhado de um Paulo portas armado no lugar de número dois que Costa rejeitou com silêncio, em busca de membros para um governo de faz de conta. Para que o espectáculo fosse completo e tendo em conta a época faria todo o sentido que este governo tomasse posse no dia do Holloween, o nosso dia das bruxas. A verdade é que teremos um governo de mortos-vivos. Alguns deles terão mesmo direito a enterro político oficial pois depois de a direita interiorizar uma derrota que ainda nega chegará a hora dos ajustes de contas, muitos do que hoje vociferam exigindo a Costa o competente haraquíri na sequência da derrota, serão os primeiros a querer empalar Portas e Passos.
  
Mas o mais hilariante deste processo é o facto desta vez ninguém querer casar com a carochinha. No tempo dos governos de Cavaco ficou famosa a espera de muito boa gente por um telefonema do primeiro-ministro, ninguém queria ter os telefones fixos ocupados e corriam sempre que a campainha tocava. Ficou famosa a história de uma rádio que telefonava para alguns conhecidos candidatos, recorrendo ao falecido imitador Canto e Castro.
  
Desta vez muitos vão desligar o telefone fico porque não indica quem está ligando e só atendem chamadas no telemóvel desde que não sejam de Passos Coelho. Ninguém de bom senso se quer imolar na fogueira da imaginação delirante de um político que sabendo que já só falta o enterro decide fazer de conta que vai governar quatro anos. Esperemos que Portugal não tenha de passar por esta festa de Halloween de muito mau gosto.

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