sexta-feira, outubro 30, 2015

O enterro do cavaquismo um dia antes da noite do Dia das Bruxas


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Imagine-se que há três anos atrás alguém me perguntava qual o fim de mandato menos digno que eu poderia desejar a Cavaco Silva, o fim mais triste e degradante para essa personagem que um dia Portugal teve o azar de ver cruzar-se com a sua triste história. Cavaco nunca me mereceu a mais pequena consideração, nunca o tive por exemplo de honestidade, sempre o achei mesquinho e sempre o vi como um Oliveira de terceira categoria, um ruralista sem consistência ideológica e de competência questionável.
  
Se me fosse pedido isso teria desejado o pior a essa triste figura mas tenho de confessar que com Cavaco Silva a realidade tem sido bem mais criativa do que a minha imaginação. Se eu tivesse desejado que Cavaco fosse obrigado a dar posse a um governo mais á esquerda do que o de José Sócrates, com os famosos socráticos empenhados nessa solução e que quinze dias antes Cavaco tinha tomado a sua iniciativa de na véspera do Dia das Bruxas dar posse a um governo zombie, formado de cadáveres políticos saídos de uma festa eleitoral onde se comemorou a grande vitória do primeiro-ministro nado-morto da história de Portugal, teriam dito que eu só podia estar a delirar.
  
Mas foi dessa forma que a história de Portugal se vingou desse senhor de Boliqueime, obrigou-o a manter-se no exercício do seu cargo fazendo o seu funeral três meses antes de ser autorizado a retirar-se. Hoje morreu o cavaquismo e para festejar a Presidência da República organizou a cerimónia mais ridícula da história da República. Cavaco Silva vaio dar posse ao seu governo, o governo que desejou e que imaginou que mereceria o apoio de uns quantos deputados traidores. É um governo de zombies que por carreirismo fizeram o seu último frete a Passos Coelho, muitos deles nem ouviram muito bem qual a pasta que vão ter. 
  
Só alguém que não está na posse das suas capacidades, um verdadeiro morto-vivo da República, se lembraria que uns quantos deputados do PS iriam trair o seu partido e os seus eleitores para aprovarem um governo sem apoio, com uma política detestada pela maioria dos portugueses e dirigido opor um primeiro-ministro que quer manter-se no poder mesmo contra a vontade da maioria do parlamento. Convencidos de que o golpe resultava moveram dezenas de comentadores e constitucionalistas para que se chegasse a este ponto, agora o país vai assistir à cerimónia mais ridícula de que há memória. Nem os Gatos Fedorentos se lembrariam de uma coisa destas.
  
Só é lamentável que a posse não ocorra amanhã pois terminada a cerimónia hilariante Cavaco, a esposa, o pequenote, os seus ministros e respectivos ajudantes podiam ir jantar e depois aproveitarem o facto de já estarem vestidos de governantes mortos-vivos e podiam ir brincar ao Halloween. Aliás, o disfarce da moda para este ano vai ser o fatio e grava pois quem se apresentar vestido dessa forma corre o risco de lhe perguntarem quando foi o funeral.
  
O fim do cavaquismo teve a celebração que merecia, um presidente a quem já ninguém liga e só anda por aí porque no plano político se esqueceram de um enterrar que usa os palácios para dar posse a um governo fantoche, de gente que vai fazer de conta que são governantes. Pagava para assistir a esta cerimónia e pagava ainda mais para assistir à próxima, quando Cavaco tiver de dar posse ao seu maior pesadelo. Nesse dia muitos como eu farão um sorriso só de imaginar o Cavaco a ter um fanico ao ver um Sócrates a cumprimentar o se sucessor António Costa.
  
Enfim, cá se fazem, cá se pagam e o homem que um dia disse eu ia ajudar Mário Soares a terminar o mandato com dignidade acaba agora o seu de forma ridícula e degradante, da forma que ele merece, a forma apropriada para o presidente mais incompetente da República.



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