quarta-feira, outubro 14, 2015

Isto está lindo!

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É pouco provável que este processo original de entreter o pagode enquanto Cavaco não sabe o que fazer sirva para mais alguma coisa do que para conhecer melhor a vida política portuguesa, a começar pelo próprio ainda e infelizmente presidente com letra pequena. A relação da Cavaco com a Constituição começa a ser ridícula, umas vezes ignora-a, noutras encomenda pareceres a constitucionalistas sem se saber quem são os ditos, desta vez sabia perfeitamente o que iria fazer, agora estamos numa embrulhada.
  
Este processo é tão divertido que até Durão Barroso decidiu reaparecer, do alto do seu estatuto de pensionista europeu sem cortes nas pensões veio falar em nome dos eleitores do …. PS. Durão Barroso podia opinar em nome dos eleitores do MRPP, dos pensionistas que recebem pensões acima do que descontaram ou daqueles que recebem duas pensões, em nome dos pais dos jovens com sorte que se empregaram nos últimos anos em Portugal, até mesmo em nome dos eleitores do CDS por via das suas comunhões semanais. Mas não, decidiu ser o provedor dos eleitores do PS e vir a público dizer o que eles desejavam quando votaram PS, desejavam nada mais, nada menos do que um governo de Passos e Portas. Durão Barroso ainda tem filhos para empregar ou como tentou com a GALP ainda está interessado em vender alguma empresa pública à Carlyle?

Melhor esforço intelectual foi aquele que fez Bagão Félix, o homem que anda á anos com um ventrículo no CDS e o outro no PSD foi mais inteligente do que o apalermado do Durão Barroso e puxando da sua veia de comentador televisivo especializado em árvores (excepto as jacarandás que são propriedade intelectual do António Barreto e do Guilherme d’Oliveira Martins sénior). O nosso brilhante ex-administrador da Medis e ministro das Finanças do saudoso governo de Santana Lopes chegou a brilhante concussão de que um governo de esquerda é legal, constitucional mas ilegítima. Como estamos operante um conhecido comentador da bola é caso para dizer que no campeonato dele as vitórias morais também valem três pontos.
  
Agora fazem-se programas de manhã, manda-se a carta durante a tarde e acrescentam-se umas medidas para os jornais divulgarem à noite, já não são necessárias contas, a Dra. Teodora pode dedicar-se ao seu crochet pois o Marco António não vai exigir nenhum parecer do Conselho de Finanças Públicas. Qual Troika, UCTAD, BCE ou FMI, o OE parece estar a ser vendido à peça numa banca de um feirante caga-milhões. Toma lá uma quarta de vencimento e pelo mesmo preço ainda levas uma toalha de sobretaxa e uns guardanapos de pensão! Ainda não está contente? Então tome lá mais um subsídio de emprego e um lugar no Tribunal de Contas sem ter de pagar um tostão.
  
Durante a campanha a Catarina Martins era o máximo, linda, o Louçã babava-se embevecido enquanto olhava ara a sua pequena invenção, a Mariana Mortágua olhava com atenção, o Expresso desdobrava-se em elogios, o Observador apontava-lhe o brilhantismo, era uma verdadeira top model da politica portuguesa, os operadores de câmara das televisões até se punham de joelhos para que a rapariga aparecesse nas televisões com o dobro do tamanho do Marques Mendes. Agora acabou namoro, para a direita a Catarina não passa de um cesto velho depois de ir à vindima, de um dia para o outro descobriram que ela é pequenina porque quando era pequenina em vez de a alimentarem com papas Nestum comia criancinhas
  
Mas a direita não descobriu apenas quem era a Catarina Martins, agora saem de Constituição como nunca se viu. Já não é só Cavaco que sabe o que lá esta escrito de trás para a frente e vice-versa e é capaz de a ler de memória como se fosse o Al Corão, não há político nem jornalista que não conheça o n.º 1 do seu artigo 7.º, está lá escrito com todas as letras “Passos a primeiro-ministro já!”. Enfim, alguma coisa o país ganhou com estas eleições, talvez no futuro respeitem os outros artigos da Constituição.

No meio de toda esta embrulhada de crise política e quando o país navega a boa velocidade em direcção a iceberg eis que temos dois momentos Titanic, só é pena que o Marcelo tenha ido fazer a sua declaração para o cu de Judas, armado num beirão que não faz ideia onde ficam os palacetes dos banqueiros da capital, podia muito bem ter-se juntado a Maria de Belém, virados para o Tejo poderiam filmar a cena da proa numa reedição em versão de cinema português do Titanic, uma mistura dos filmes “O corte de cabelo”, de Joaquim Sapinho, com o “Coisa ruim”, de Tiago Guedes.

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