quinta-feira, outubro 01, 2015

Maioria no parlamento ou maioria na rua?

A esquerda conservadora tenta passar a ideia de que tudo o que neste país são consideradas conquistas sociais se devem às gloriosas lutas na rua, desde a Constituição que em nada se assemelhava à proposta pelos comunistas na Assembleia Constituinte, até ao Serviço Nacional de Saúde, tudo se deve às lutas de rua. Isto é, há uma suposta maioria absoluta na rua que obriga os governos de direita, do PS ou do PSD, a adoptarem o que a esquerda conservadora defende para o país.
  
Desde há uns anos que é frequente ouvir deputados desvalorizarem o parlamento defendendo que a verdadeira maioria é a das ruas.  Num tempo em que os cidadãos já não estão dispostos a perder a vida em luta por amanhãs que cantam é preciso contrariar a ideia de que o voto em deputados que nada aprovam e que ainda ajudam a direita a derrubar governos é um voto inútil. Tentam enganar os mais incautos tentando passar a ideia de que a força nas ruas impede uma maioria parlamentar de adoptar medidas que visem destruir o Estado Social ou mudar o modelo económico.
  
Se esta tese é verdadeira e vale a pena votar nos deputados que serão os porta-vozes da maioria absoluta nas ruas porque razão os professores são avaliados, perderam direitos, têm turmas cheias de alunos para que os colegas possam ser despedidos, o que é feito do grande Mário Nogueira, o sindicalista que mal a direita ganhou as legislativas foi para a Madeira para uma lua-de-mel com o Alberto João?
  
Se a maioria absoluta na rua é a garantia do progresso porque razão não impediu os cortes nos vencimentos, o aumento do horário de trabalho dos funcionários públicos ou os cortes das pensões, dos apoios sociais ou dos subsídios de desemprego? Se a maioria absoluta na rua é a grande defesa das conquistas sociais porque motivo não conseguiu impedir as muitas medidas com que Passos Coelho governou?
  
O que ganhou o país com as grandes vitórias eleitorais da esquerda conservadora ou com as suas grandiosas amiroias absolutas na rua? Nada, absolutamente nada.
  
Votar em quem odeia governos de esquerda que não sejam os seus, que ajuda a direita a derrubar governos de esquerda, que não serve de nada na hora de se opor a um governo de direita com maioria absoluta é jogar um voto no caixote do lixo. Não admira que o eleitorado do antigo PCF vote hoje na Le Pen da extrema-direita. A estratégia política da esquerda conservadora apenas serve a direita, essa direita com que se aliou em Loures ou de quem recebe ajudas em período eleitoral, como noticiou o bem informado Expresso.
  
Os portugueses que se opõem a este governo e desejam outro governo só podem votar naqueles que viabilizem um governo que não seja o do PAF e todo o país já percebeu que a esquerda conservadora apenas aceita governos de direita com maioria absoluta, apenas esses lhe servem os objectivos estratégicos e lhes dá a sensação de mandarem na rua. Votar nesta esquerda conservadora é votar na continuação deste governo, é  ter uma maioria de direita no parlamento e uma falsa e inútil maioria na rua.
  

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