domingo, outubro 25, 2015

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Eduardo Catroga, professor zero

Sobre estas declarações do funcionário do PCP da China só há um comentário a fazer, o homem gosta de ser o parvalhão do dia. Este senhor, o tal que com uma mera licenciatura foi promovido pelo João Duque a professor Catedrático a tempo parcial 0%, sempre que acha que o pessoal da Coelha está em dificuldades pro causa das baboseiras vem a público em seu auxílio, talvez porque se ache mais inteligente ou mais lúcido. Mas que grande ajuda!

«A indigitação de Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro tem gerado muita controvérsia, mas para Eduardo Catroga a decisão de Aníbal Cavaco Silva não foi uma “surpresa” pois “está de acordo com a Constituição e de acordo com aquilo que tem vindo a ser prática”.

Em entrevista ao jornal i, o antigo ministro das Finanças na terceira legislatura liderada por Cavaco Silva explicou que, na sua opinião, no dia 4 de outubro os “eleitores portugueses disseram que a coligação deve governar e o Partido Socialista deve cooperar”.

E esta é uma solução que, no seu entender, já deveria ter acontecido em 2011.

“Na altura tinha lógica que o PS, que negociou o memorando de entendimento, estivesse no Executivo que tinha como missão pô-lo em prática. Agora o Partido Socialista deve ir para o governo porque é no governo que pode influenciar a política da União Europeia, é no governo que pode ser útil aos portugueses”, frisou.» [Notícias ao Minuto]

 Marcelo é como o comboio espanhol

Aparece pontualmente com dois dias de atraso!

 Coerência

Os mesmos que justificavam a escolha de Passos Coelho para primeiro-ministro mesmo que fosse um primeiro-ministro nado-morto com o argumento de que deveriam ser os deputados a aprovar ou a chumbar o governo dizem agora que seria democrático o presidente do parlamento ser votado pelos deputados do PS contra a sua vontade e em conformidade com uma suposta tradição.

Os mesmos que detestam a Constituição e que durante quatro anos nunca a respeitaram são agora fervorosos defensores do direito consuetudinário e invocam uma constituição não inscrita que vigora na democracia portuguesa sem que ninguém saiba quem a aprovou.

      
 O processo de apagamento em curso
   
«Gostaria de conviver (três minutos, não mais) com Aníbal Cavaco Silva, vocês sabem, esse. Eu só queria saber o que se passa quando ele pede um café. Suspeito que o pedido cause grande rebuliço no Palácio de Belém. O empregado da copa começa por não entender o que foi pedido. O chefe da Casa Civil, Nunes Liberato, aconselha calma, e pondera que talvez o Presidente nem tenha pedido nada. A assessora das Relações Internacionais divaga, não se querendo comprometer, "talvez seja qualquer coisa relacionada com Timor, talvez com a Colômbia". Nuno Sampaio, dos Assuntos Políticos, considera que o momento não é para estimulantes, mais valia camomila.

O consultor Fernando Lima faz um sorriso de quem entendeu tudo mas não diz nada, próprio de quem já não é ouvido, e pensa: "No meu tempo, eu não teria dúvidas de que ele pediu um café, mas também sei que se a coisa desse para o torto ele negava." O consultor para a Inovação, Jorge Portugal, hesita, mas acaba por ousar: "Eu por mim, trazia-lhe um negroni, o cocktail da moda." José Carlos Vieira, da assessoria para a Comunicação Social, de memória toma nota de todas as interpretações, sendo certo que fará um comunicado assaz vago. E a assessora do Gabinete do Cônjuge, Margarida Mealha, depois de um telefonema, sussurra para o empregado: "Um café, mas não traga açúcar"...

Como não tenho o número do telemóvel da doutora Maria Cavaco Silva não sei bem o que dizer da comunicação do PR sobre a situação política, proferida na quinta-feira. Mas, como todos, tenho a minha interpretação e, essa, entendi bem. Desde logo, notou-se no discurso o dedo da cônjuge: amargo, não trazia açúcar nem adoçante. Depois, confirmou-se que Cavaco Silva, homem que lida mal com as palavras, deve ser ouvido mais pela sua linguagem gestual. Assim, quando apontou, esticou o dedo, enfim, indigitou Passos Coelho, todos entendemos que o líder do PSD foi mandado fazer governo. A seguir, foi a fúria de palavras, não como se tivesse engolido uma fatia de bolo-rei mas, desta vez, uma broa de Avintes. E inteira.

Em palavras, Cavaco Silva começou por prestar homenagem à Constituição e respeito sem condições pela Assembleia da República: entregou a decisão aos digníssimos 230 deputados. Essas pedras basilares da vontade do povo português, disse, podem - e saberão certamente fazê-lo - consubstanciar o desiderato da Nação e aprovar o governo de Passos Coelho. Cavaco fez uma pausa e prosseguiu: "Agora, meus meninos [e, aí, pôs o tal dedo em riste com que fala melhor e ficou todo afogueado], se alguém tiver a lata de boicotar isto, atiro-lhe com uma gorpelha de figos à cabeça!", disse Sua Excelência o Presidente da República. Já as câmaras se apagavam e ouviu-se gritar: "Andem cá! Ninguém disse que já acabei..." e viu-se o PR a espernear e a ser levado por Nunes Liberato, que se voltou para os telespectadores, encolhendo os ombros e fisgando um sorriso tímido que pretendia tranquilizar-nos.

Resumindo, voltando aos gestos, porque é assim que se entende melhor Cavaco Silva, na quinta-feira foi--nos mostrado o boletim do dia 4, sobre o qual pusemos uma cruzinha, dobrámos e metemos na urna. Mostrado o voto, apareceu um indicador a fazer de limpa-vidros, da esquerda para direita. A imagem voltou outra vez ao voto - continuo a contar-vos o resumo da comunicação de quinta, à hora dos telejornais - e apareceu o PR, mestre--escola zangado, a dar-nos uma lição. Com uma esferográfica no punho, o PR riscou a linha dizendo "CDU" e as imagens da foice e do martelo e do girassol. Depois, o PR riscou a linha dizendo "Bloco de Esquerda" e a imagem da estrelinha de quatro pontas e uma cabeça. A câmara mostrou Cavaco, olhos furibundos: "Perceberam?!"

Dando-se conta de que talvez não, Cavaco voltou ao boletim. Desta vez, com a parte azul, a mais abrasiva, duma borracha, Cavaco continuou a sua sanha contra aquelas duas linhas malditas. Olhou-nos, outra vez: "E, agora, já perceberam?!" Achando-nos estúpidos, ele insistiu na explicação: com um X-ato, cortou as duas linhas. E com a convicção de que uma imagem vale mais do que cinco pareceres de constitucionalistas mostrou-nos os dois finos buracos em retângulo: os comunistas e os bloquistas tinham sido abolidos da democracia portuguesa. Eu estava num café quando ouvi o senhor Presidente da República. Olhei à volta e foi terrível. Percebi que as pessoas agora nem por gestos entendiam Aníbal Cavaco Silva. Aquilo era um olhar alucinado e poucos viram isso.

Saí do café a matutar na velha e desiludida ideia de que as pessoas só entendem quando lhes batem à própria porta. O abuso cometido, por enquanto, é só um problema "deles", os do PCE e do BE, só 996 872 portugueses, só 18,44% dos votantes, a quem acenaram com um direito que depois rasuraram, mas só a eles. Ninguém, para lá dos comunistas e dos bloquistas, pensou: e se amanhã outro alucinado também me quiser apagar?» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 O rapaz não quer ficara a assar
   
«Passos Coelho não quer continuar primeiro-ministro se o governo for derrubado no parlamento e Cavaco recusar a alternativa de esquerda proposta por António Costa. Ficar em gestão corrente até ao Verão é um cenário que o primeiro-ministro quer ver afastado. Na comissão política de quinta-feira, Passos desabafou: “Nem pensem que vou ficar aqui a assar para depois limpar o que os outros fizeram”.

Com Cavaco Silva indisponível para dar posse a um governo liderado pelo PS e apoiado pelo Bloco e pelo PCP, a solução do governo Passos em gestão até o novo PR  tomar posse está no horizonte. Mas Passos não quer essa solução, embora a lei só lhe permita terminar funções quando for nomeado um novo primeiro-ministro. Não querendo dar posse ao governo de esquerda, Cavaco ainda tem a possibilidade de indigitar um primeiro-ministro que seja aceite pela maioria dos deputados que, de acordo com a visão do PR, teriam de ser PS e PSD.» [i]
   
Parecer:

É fácil, basta sair do grelhador.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Só faltava este!
   
«É oficial, vai mesmo acontecer: Tino de Rans é candidato à Presidência da República. O calceteiro mais famoso do país apresentou a candidatura esta sexta-feira, no Porto, e disse que já recolheu 6.500 assinaturas. Tino só tem um adversário na cabeça: Marcelo Rebelo de Sousa. E prevê que seja um combate “entre a academia e as botas de biqueira de aço, a rua e o ar condicionado”.

“Vou ser Presidente da República. Com 22 anos, o povo da minha terra quis que eu fosse presidente da junta, que pusesse Rans no mapa, não tenho dúvida nenhuma de que o país quer que o Tino seja Presidente da República”, disse aos jornalistas presentes no lançamento da corrida presidencial. De acordo com o que disse à agência Lusa, Vitorino Silva (o verdadeiro nome de Tino) já tem a estratégia “toda delineada” para chegar a Belém. A campanha vai-se focar na “plebe”:

É pela plebe que sou candidato. Em 872 anos da nossa história, a plebe foi sempre figurante. Nunca teve o papel principal. O povo está muito fino, a plebe sabe o que quer e não tenham dúvidas nenhumas de que pode haver taça, pode haver um tomba-gigantes. Há muita gente que pensa que somos uns peixinhos, mas os peixinhos, se estiverem atentos, podem comer os tubarões.”» [Observador]
   
Parecer:

Agora vão dizer que este imbecil também é um candidato de esquerda, depois do cota dos moldes aparece mais este manjerico, um dia destes ainda se candidata o Medina Carreira e também diz que é de esquerda.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Marcelo se foi ele que o "convidou".»

 A anedota do dia
   
«António Guterres regressará a Lisboa depois de abandonar o cargo de Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados. A notícia é avançada pelo Expresso e revela que o antigo primeiro-ministro deverá ainda reassumir o seu lugar na Fundação Gulbenkian como administrador não-executivo. Apesar das dificuldades, Guterres ainda está na luta para chegar a secretário-geral da ONU.» [Observador]
   
Parecer:

Guterres vem para Lisboa assumir o cargo de administrador não executivo? Bem, se calhar ainda lhe vão dar o gabinete do presidente para conseguir tomar todas as decisões que tem de tomar como administrador não executivo. Enfim, a última vez que Guterres teve função não executivas foi no PS e a seguir ficou com a liderança do partido.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Até tu Jorge?
   
«O constitucionalista Jorge Miranda considerou neste sábado que o Presidente da República foi “excessivo” na comunicação ao país que fez na quinta-feira, advertindo que não cabe ao chefe de Estado a apreciação de programas de Governo. “Foi excessivo e teve considerações escusadas que acabaram por ter efeitos contraproducentes”, declarou o catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa antes de se reunir com o candidato presidencial Sampaio da Nóvoa.

De acordo com Jorge Miranda, antigo deputado do PPD (Partido Popular Democrático) e um dos principais responsáveis pela elaboração da Constituição da República de 1976, o Presidente da República tem o poder de aceitar ou não um Governo “quando entenda que este não dispõe de garantias de consistência e de estabilidade”.» [Observador]
   
Parecer:

Digamos que este Aníbal é um pouco a dar para o Oliveira e depois de condenar a sogra por se ter divorciado contra os padrões do regime também quer condenar a esquerda.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

   
   
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