domingo, outubro 11, 2015

Semanada

A direita portuguesa descobriu um novo conceito de maioria parlamentar, agora maioria não significa mais de metade, pode ser apenas um terço ou mesmo menos, desde que seja a maior das minorias. Primeiro era a maioria absoluta que contava, depois passou a ser o maior partido, daqui evoluiu-se para a maior agremiação eleitoral e agora é a maioria de um parlamento onde uma boa parte dos deputados deixam de contar. Enfim, a direita portuguesa parece dar-se mal com a democracia e só a respeita quando tem a maioria absoluta.
  
Cavaco Silva queria um consenso, quando tudo parecia correr bem à direita disse que já sabia o que ia fazer e mandou recados dizendo que já não exigia consensos, mas as coisas correram mal e tirou um coelho da cartola e encarregou-o de encontrar uma solução para desenrascar a direita. Cavaco ficou tão baralhado que em vez de chamar Passos para formar um governo chamou-o para formar uma presidência da república, desta vez em vez de ser Cavaco a ouvir os partidos e saber qual a solução saída das eleições tal tarefa presidencial foi entregue a Passos Coelho. Será que Cavaco ainda é mesmo o presidente?
  
Na noite eleitoral a direita não festejou apenas a vitória, festejou também o regresso do seu filho pródigo, Marco António o pequeno imperador de Valongo. Depois de dolorosas semanas de desaparecimento parece que o homem ganhou coragem com os resultados eleitorais, um sinal de que ajustiça portuguesa continua a sofrer do famoso síndroma vale e Azevedo, enquanto se ganha não se têm problemas com a nossa corajosa justiça.
  
Marcelo Rebelo de Sousa, um conhecido autarca transmontano foi a Celorico pagar uma dívida ao país, sinal de que a sua residência fiscal ainda é na aldeia e de que só passou por Lisboa de passagem. Como se sabe Marcelo é um fiel celoricense que até quando dá umas pranchadas aquáticas prefere as ondas das ribeiras locais do que as praias da linha e quanto a palácios lisboetas só tem uma leve ideia de em Lisboa ter passado pelo Palácio de São Bento. Quem não deve ter gostado da brincadeira pode ter sido Vítor Gaspar e não pelo facto de tal como ele que estava muito ligado à avó Prazeres de Manteigas o Marcelo recorrer também ao velho ruralismo salazarista para se armar em símbolo de pureza e ingenuidade, o ex-ministro das Finanças pode acusar o professor de plágio, foi ele que justificou a chatice de ser ministro como uma forma de pagar ao país a dádiva que recebeu sob a forma de educação. Marcelo foi mais grosseiro e falou em dívida, só não se percebe a razão da escolha da biblioteca, se era uma dívida ao país devia ter escolhido o serviço de finanças.
  
O Jumento oferece um fardo de palha ao leitor que encontrar um jornal ou um jornalista que apoie as posições da esquerda portuguesa. Sem dúvida que não há asfixia democrática, digamos que o oxigénio é que é de direita.
  

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