terça-feira, novembro 11, 2014

Demita-se a ministra incompetente e cobardolas

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Em poucos dias a PGR arquivou o processo Citius “por considerar não existirem indícios do crime de sabotagem informática”. Isto é, a ministra mandou cópia de um relatório que apontava para indícios, usou-o na comunicação social para branquear a sua incompetência, sujou o nome de dois funcionário em plena praça pública e “meia dúzia de dias” depois a PGR diz que não há indícios. Por outras palavras, os tais indícios não passaria de insinuações ou falsas acusações muito oportunas para uma ministra meio afogada.
  
Lembremos que estes indícios começaram a surgir quando João Miguel Barros, advogado e ex-chefe de gabinete da ministra Paula Teixeira da Cruz que se demitiu em Fevereiro de 2013 acusou o ministério de responsabilidades naquilo que designou por “tempestade perfeita”. A resposta do ministério não veio do gabinete da ministra mas do presidente do conselho executivo do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça (IGFEJ), Rui Pereira que dizia que “até à data da cessação de funções do referido ex-chefe do Gabinete, em fevereiro de 2013, o IGFEJ não recebeu do Gabinete da ministra da Justiça, fosse por escrito, sequer por comunicação oral, qualquer determinação quanto à substituição do Citius pela versão Citius Plus”.
    
A manobra foi manhosa e inteligente, a origem dos problemas deixava de ser uma questão de decisão política para passar para o domínio técnico, a ministra saia de cena e este Rui Pereira, um gestor cujo cargo depende da simpatia da ministra, passou a liderar a resposta e a partir daí começaram a surgir bitaistes na comunicação social que apontava para um inimigo interno.

Compreende-se a razão que levou a ministra da Justiça a não enveredar pelo caminho seguido por Nuno Crato quando este demitiu um director-geral, manteve o responsável pelo IGEJ passando uma imagem de quem não se esconde atrás de demissões de alto responsáveis. Sò qu eo alto responsável que não demitiu veio a revelar-e de grande utilidade na sua estratégia. Foi ele o responsável pela auditoria interna que viria a ser feita e onde foram apontados indícios e responsáveis, gente perigosa que segundo as palavras da ministra faziam parte dos poucos que não queriam o fim da impunidade.
  
Perante o desastre e acusada de incompetência a ministra começou a insinuar a existência de uma “quinta coluna” dentro da justiça, anunciando que estava sendo feita uma auditoria. Preparava o ambiente para o que viria a seguir ao mesmo tempo que sacudia a água do seu capote, de incompetente a ministra passava lentamente a vítima. Foi sem surpresa que surgiu a notícia da conclusão do relatório que apontava para dois suspeitos. Nem Vasili Mikhailovich Blokhin, o antigo carrasco-cehfe da NKVD de Estaline teria feito melhor, os culpados foram rapidamente exibidos e condenados na praça pública, enquanto a ministra exibia o seu melhor ar de vítima.
  
A orgia de acusações e insinuações, devidamente alimentada por dicas para a comunicação social, foi tanta que até a ministra achou que já era demais e tentou ilibar-se de responsabilidades no linchamento. Depois de todos os cortes e perseguições de que os funcionários públicos foram vítimas com este governo, serviam agora para encobrir a sua incompetência.
  
Agora que tudo está encerrado ficou óbvia a manobra da ministra, não restam dúvidas que o desastre na justiça resultou da sua incompetência. Como advogada a ministra sabe muito bem o que significa o seu comportamento, o desastre na Justiça foi um erro grave da ministra, mas um erro de que pode dizer-se que foi adoptado no domínio técnico ou político. Mas lançar falsas acusações a dois funcionários para limpar a imagem de incompetência é algo digno de ditadores sem escrúpulos e inaceitável em democracia.
  
Fica-se à espera de que Cavaco diga alguma coisa sobre a justiça e os seus gestores, não se limitando a queixar-se dos gestores da PT pois como Presidente é com os gestores do Estado e da democracia que se deve preocupar, tanto mais que em muitas circunstância escuda-se nos mercados. De Passos Coelho já se sabe que nada fará pois ele acredita no dogma da competência, honestidade e infalibilidade do seu governo. Da oposição espera-se que faça o que deve fazer, julgar politicamente uma ministra incompetente e pouco digna exigindo a sua demissão.
 
A senhora que inventou uma intentona e que prometeu o fim da impunidade é agora mantida no cargo e afirma a sua impunidade protegida por gente do poder, desde a presidência à oposição.

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PS: Duas notas finais, uma para elogiar a Procuradoria-Geral da República e outras para questionar o PS de António Costa. 

 Fica-se com a impressão de que a tolerância do PS em relação à mais incompetente das personagens deste governo vai para além do compreensível, o PS deveria explicar porque razão não pede a sua demissão, dando a ideia de que a ministra tem a simpatia militante do Largo do Rato.

Se a justiça fosse como costuma ser a PGR teria feito o frete à ministra, este processo ficaria a marinar por largos meses e no final seria arquivado até haver melhor prova. A rapidez e a forma como foi arquivado revela independência da Procuradora-Geral em relação à ministra, de certa forma a PGR manda à ministra o recado de que o MP ainda não é a NKVD.
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