segunda-feira, novembro 03, 2014

Isto com gado ia melhor

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(in CC)

O que pensará esta nova geração de políticos dos portugueses? É algo que extremos de perceber nas entrelinhas ou nos momentos de descuido, quando a língua lhe foge para a verdade. O discurso oficial desta geração em relação aos portugueses é da autoria de Vítor Gaspar, quando se sentiu açoitado por manifestações, sendo obrigado a recuar no golpe sujo da TSU, foi para uma reunião no estrangeiro dizer que os povo português é o melhor povo do mundo.
  
Se perguntarmos aos nossos governantes o que pensam dos desempregados é certo que dirão que são a sua maior preocupação, que tudo temos de fazer para criar empregos dando oportunidades de trabalho a todos. Não dirão, antes, que são uns malandros que preferem juntar os subsídios a uns biscates a ter emprego, que o melhor que fariam era emigrarem?
  
Se perguntarmos ao ministro da Educação o que pensa dos nossos professores é certo e sabido que dirá que são profissionais exemplares e dedicados e que apesar dos sacrifícios dão o seu melhor? De certeza que é essa a sua opinião, eu estaria tentado a pensar que os julga uns medíocres que mesmo apresentando cursos superiores devem ser sujeitos a exames humilhantes para garantir que sabem a tabuada e não cometem erros ortográficos.
  
O discurso oficial desta geração de políticos é igual ao de qualquer outra geração, desde Marcelo que as virtudes dos portugueses são sempre as mesmas e todos os políticos pensam o melhor dos seus concidadãos. Mas com este governo temos registado alguns momentos em que lhes foge a boca para a verdade.
  
Passos Coelho tem a mania de dizer o que pensa dos portugueses de vez em quando, tem momentos de paternalismo em que se sente como alguém que está do outro lado e diz o que pensa dessa gente, foi o que sucedeu quando achou que os portugueses eram piegas por não aceitarem de bom grado doses brutais de austeridade por ele decididas para sujeitar o povo português a uma experiência ideológica radical.
  
Aliás, Passos Coelho tem-se em tão alta consideração que todos os que lhe desagradam merecem adjectivos, ainda que a sua coragem não seja muito e raramente tem a frontalidade de dizer a quem se refere, prefere atacar e escudar-se dizendo que não se estava referindo à pessoa A ou B, mesmo que isso tenha sido mais do que óbvio. Sucedeu quando acusou “alguém” de ser um catavento, ou mais recentemente quando designou alguns jornalistas e comentadores por patéticos e preguiçosos.
  
Passa-se com algumas pessoas o mesmo que se passa com os cães, quando o dono é agressivo os cachorros tendem a ladrar a quem passa, não admira que uma assessora de Passos Coelho (uma menina vinda do DN chamada Eva Cabral) quando irritada com o motorista de um autocarro disse alto e bom som que “com gado isto corria melhor”. A senhora permanece no cargo e quase aposto que em privado até terá sido apaparicada com risos e gargalhadas e elogiada pela sua reflexão oportuna e inteligente.
  
Não vale a pena exigir a demissão da pobre rapariga, ela mais não fez do que dizer alto e bom som o que muito dos governantes pensam dos portugueses. Tudo corre mal ao governo, a economia não cresce, o investimento estrangeiro não aparece, os eleitores não são justos com o governo quando respondem nas sondagens, Isto com gado ia mesmo melhor, resta é saber se o gado devia ser o povo ou se não seria melhor substituir este governo por gado asinino, enfim, com o devido respeito por este humilde jumento.


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