segunda-feira, junho 29, 2015

Por mares desconhecidos

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A propósito da crise grega apetece-me fazer umas perguntitas à nossa ministra das Finanças:

Se quando questionada sobre as consequências de uma bancarrota da Grécia se cola ao argumento dos mares nunca dantes navegados como é que fundamente a sua tranquilidade face ao risco de contágio com o argumento de que encheu os cofre com dinheiro emprestado?
  
Se o PS é questionado sobre se mantém o seu programa eleitoral no caso de uma bancarrota da Grécia, pergunta que só por sim revela o desejo dos responsáveis da direita, como justifica que até ao momento nada tenha dito sobre o plano a médio prazo que mandou para Bruxelas há pouco mais de um  mês e numa ocasião em que a crise grega estava no seu auge?
  
Se não sabe o que vai acontecer se ocorrer uma bancarrota na Grécia com que base anda a instrumentalizar o AT prometendo aos portugueses a devolução em 2015 da sobretaxa de IRS cobrada em 2014 com base no sucesso na gestão daquela direcção-geral?
  
A decisão do governo grego de parar o mundo durante uma semana à espera do resultado de um referendo que independentemente do resultado conduzirá o processo negocial para um beco sem saída tem uma vantagem inesperada, enquanto os gregos vão reflectindo sobre querem ir ao fundo sozinhos ou mal acompanhados, governos como o português poderão ir avaliando o impacto nas bolsas para saberem se uma aposta eleitoral incerta vale mesmo a pena correr o risco de de uma bancarrota grega e uma espiral de crise na Europa e mesmo no mundo.
  
Uma coisa é dizer como o senhor do BCE que estamos perante mares nunca dantes navegados, outra é querermos dar um mergulho mesmo não sabendo nadar e é isso que tanto o governo português pretende. O facto de estarmos perante o desconhecido não pode servir para iludir o que é óbvio, suceda o que suceder na Grécia a Europa e, em particular, Portugal não se vão ficar a rir. O mesmo sucede com a directora irresponsável do FMI que está ignorando o que esta crise pode vir a custar a muitos membros dessa organização. Aliás, a senhora comporta-se mais como uma fundamentalista de direita do governo de Sarkozy do que como a líder de uma organização internacional como o FMI.
  
O comportamento do governo português mostra a que ponto pode ir a irresponsabilidade ou a ignorância culposa dos governantes. Não hesitaram em ajudar Portugal a cair no abismo para chegarem ao poder e fazerem negócios como o da EDP, perante a eminência de perderem o poder voltam a não hesitar em fazer o país correr riscos e destas vez vão mais longe, apostam mesmo numa crise internacional na esperança de isso os ajudar eleitoralmente.

É neste momento mais do que óbvio que a desvalorização das empresas europeias nas bolsas de valores atinge um valor global bem superior ao que está em causa na Grécia, se alguém tem dúvidas basta informar-se sobre o que está sucedendo nas bolsas com as acções dos bancos europeus em queda. Imagine-se o que sucederá na próxima segunda-feira se os gregos disserem não a um acordo nos termos propostas por esse casal maravilha que formam o ministro das finanças da Alemanha mais a nariguda do FMI.

Só resta perguntar à nossa ministra das Finanças se os seu colchão cheio de dinheiro emprestado vai poder poder financiar as empresas portuguesas e salvar os bancos de mais uma queda brutal do seu valor.
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