sexta-feira, junho 12, 2015

Trinta dinheiros

A imagem de Cavaco Silva ao lado de Passos Coelho na inauguração do Museu dos Coches diz muito sobre quilo a que assistimos em Portugal. O novo Museu dos Coches foi uma obra condenada por esta maioria, gozada das mais diversas formas, mas na hora de agendar o roteiro das inaugurações de Passos Coelho era o que havia. Cavaco Silva que durante o governo de José Sócrates não foi convidado para cortar uma única fita e durante oeste governo nada teve para inaugurar não perdeu a oportunidade de cortar uma fita num domínio em que ele se sentiu sempre um rejeitado, o da cultura.

No dia 10 de Junho o país voltou a ver a família da direita reunida e feliz em Lamego no comício de abertura da campanha da direita inaugurado por Cavaco Silva. Não havendo obra para mostrar resolveram exibir Teixeira dos Santos. Cavaco nunca condecorou Sócrates por pura vingança, mas também porque sabia que havia uma grande probabilidade de o ex-primeiro-ministro o mandar condecorar a tia. 

Sucede que Cavaco foi desde o primeiro minuto o estratega do pedido de ajuda internacional, foi ele que defendeu as agências de notação especulares com a crise financeira Europeia vindo em defesa dos “mercados”, foi ele que quando Teixeira dos Santos fez uma viagem à China em busca de financiamento externo lançou dúvidas sobre as origens do dinheiro. Curiosamente Cavaco ganhou muito dinheiro com acções cotadas e negociadas de forma duvidosa fora dos benditos mercados e agora que o seu amigo Catroga é empregado dos chineses o dinheiro da escravidão do capitalismo de estado chinês já não é dinheiro bem-vindo.
  
Cavaco precisava de exibir um troféu que provasse que o mau da fita era Sócrates e que durante o governo anterior haviam ministros que mereciam o seu elogio. Cavaco tinha vários membros do governo de Sócrates que nunca perderam a oportunidade de se demarcarem do ex-primeiro-ministro, recordo os exemplos de Luís Amado ou de Manuel Maria Carrilho. Mas como estava em causa celebrar o ciclo político iniciado com o pedido de ajuda externa a escolha recaiu em Teixeira dos Santos.
  
Teixeira dos Santos sentiu-se honrado, mesmo depois de ter sido rejeitado para a administração da CGD pelas suas responsabilidades no anterior governo, aceitou o papel que lhe foi atribuído no comício. Teixeira dos Santos sentiu-se recuperado e talvez ainda vá a tempo de conseguir algumas mordomias, Cavaco Silva limpa a imagem e em vez de ser o homem vingativo, é o presidente que consegue ver o valor nos seus adversários. 
  
No Museu dos Coches Cavaco Silva inaugurou obra alheia como se fosse sua, apagando Sócrates de um passado que o deixa nervoso. Agora exibe Teixeira dos Santos para de foram indirecta lançar Sócrates na campanha eleitoral. E Teixeira dos Santos aceitou o papel. Enfim, talvez seja desta que a direita o convide para administrador não executivo da CGD ou mesmo para um cargo na TAP, é uma questão de tempos para sabermos qual é a versão actual dos trinta dinheiros.
  
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