sexta-feira, maio 13, 2016

A austeridade, as leis e a liberdade de escolha

Fiquei agradado por ver Passos Coelho antecipar-se aos colégios privados, sugerindo que poderiam recorrer aos tribunais, ficamos sem saber se foram os colégios a dar a explicação ao primeiro-ministro no exílio ou se foi este que do alto dos seus conhecimentos da lei que decidiu aconselhar os colégios, em qualquer caso folgo saber que esta espécie de candidato a primeiro-ministro considera que os direitos dos cidadãos e das empresas se regem por princípios de legalidade. E sinto esta satisfação porque quando fez tábua rasa dos direitos de muita gente este traste ignorou a mais importante das leis, enquanto o seu presidente fazia vista grossa a violações grosseiras da lei.
  
Também fico contente por saber que o traste deixou de ser um defensor incondicional da austeridade e que para os colégios privados já defende que há recursos públicos ilimitados, que não é preocupante a necessidade de um qualquer plano B (que no caso dos seus governos foram muitas vezes seguidos por planos C).

Mas ainda tenho um terceiro motivo para ficar contente com o traste que lidera o PSD, ao defender a liberdade de escolha está a prometer de forma implícita que vai fazer novos investimentos no ensino. Se muitas escolas particulares defendem a sua existência e o acesso a fundos públicos porque nas regiões em que estão implantados não há escolas do Estado, quando Passos Coelho defende a liberdade de escolha está dizendo que se for governo irá mandar construir novas escolas, nesses concelhos onde, por falta de liberdade de escolha os cidadãos são obrigados a frequentarem colégios modernos, mesmo quando não professam das confissões religiosas que norteiam alguns desses mesmos colégios.
  
Estou mais descansado, se o traste voltar a ser primeiro-ministro já não é defensor de cortes no ensino e que em nome da liberdade de escolha permitirá que as escolas públicas possam ter ter turmas com o mesmo número de alunos exigido para que o Estado financie as turmas dos colégios privados. Terá certamente a intenção de remunerar os directores da escola pública com os mesmos vencimentos e outros bónus que as escolas privadas pagam aos altos quadros do ministério da Educação que foram aliciados.

Estou certo que Passos Coelho vai defender que não são só meia dúzia de jovens que terão direito à liberdade de escolha. Sugiro que como condição para o Estado subsidiar empresários do ensino privado, sejam laicos ou padres, lhes coloque como condição que levem a liberdade de escolhas a muitos concelhos do país, onde nem sequer há todos os graus do ensino secundário, localidades, como, por exemplo, Cachopo, Alcoutim ou Castro Marim.
  
É bom para o país que o traste tenha evoluído, que já reconheça o valor da legalidade, que não veja a austeridade de forma canalha e que esteja preocupado com a liberdade de escolha de todos os portugueses, principalmente os mais pobres ou os mais esquecidos.

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