segunda-feira, maio 30, 2016

O liberalismo modernaço

A direita com a Assunção Cristas a liderar e a Santa Madre Igreja a iluminar o seu caminho traz uma boa nova, a do liberalismo modernaço. Longe vão os tempos do divórcio entre o público e o privado, quando a direita conservadora portuguesa fazia gala em meter os seus rebentos em escolas de um Estado salazarista que todos respeitavam, enquanto os lordes britânicos pagavam do seu bolsos boas escolas privadas. Era o tempo do velho liberalismo, quando se afirmava a superioridade do privado  pago por quem queria melhor e dispunha-se a pagar.

No Portugal do século XXI há um liberalismo que nada tem que ver com o Adam Smith e que de neo nada tem, é um liberalismo modernaço, espertalhão, de Chico esperto, junta o melhor dos dois mundos a superioridade moral e técnica do privado com a facilidade dos dinheiros públicos. Isso de liberalismos com separação entre público e privado é coisa de protestantes, por cá a Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romabna faz a síntese entre o melhor dos mundos e mete as mãos na massa, abrindo escolas privadas que dão lucros fáceis e sem pecado à conta dos dinheiros públicos.

Os nossos liberais modernaços mandaram os bons princípios do liberalismo para o galheiro, dantes quem queria o melhor para os seus filhos poupava fazendo sacrifícios e investia na formação de hoje para colher os frutos amanhã, as escolas financiadas por dinheiro fruto de sacrifícios e com alunos provenientes de famílias que os faziam, tenderiam a ser mais disciplinadas, com alunos e professores mais empenhados. Mas os nossos liberais modernaços descobriram que com uma mistura de corrupção e de esperteza saloia conseguia-se escolas privadas boas e baratas, conseguir uma boa formação já não era um prémio para sacrifícios de famílias exemplares, passou a ser uma forma manhosa de poder gastar as poupanças em praias paradisíacas das Caraíbas.

O negócio das escolas privadas passou a dar, empresários privados juntaram-se a quadros do ministério da Educação de honestidade duvidosa e autarcas ambiciosos e multiplicaram colégios onde havia uma classe média que queria que os filhos entrassem nas universidades sem que isso pusessem em risco a compra do BMW ou as férias na República Dominicana. A Igreja viu também a oportunidade de dar algum conforto à Fábrica da Igreja, porque as taxas dos sacramentos estão em crise, as esmolinhas já não são o que eram e as velas de Fátima vendem-se uma vez por ano.
  
E eis que o nosso liberalismo modernaço contou com um inesperado guia espiritual na pessoal do cardeal, saudoso de cruzadas e outras lutas contra mouros e pagãos lançou a sua guerra santa contra o ensino público, em nome da liberdade de escolha. Só não explica a razão porque os meninos de Chelas não podem escolher entre a escola pública e o Colégio São João de Brito, sem terem de pagar propinas e muito menos inscreverem-se antes de nascer.
  
Eis que à frente desta cruzada surge uma Assunção Cristas que defende o sacrifício da escola pública, não tardando a defender o sacrifício de tudo o que no público possa dar lucros aos privados à conta do dinheiro dos contribuintes. E chamam a esta forma despudorada de se besuntarem no erário público de liberdade de escolha, a cruzada a que o cardeal apelou está em marcha e já se conhecem os inimigos, quem defender a escola pública e ousar questionar os lucros dos colégios oportunista leva com o carimbo de comunista e de apaniguado do Mário Nogueira!

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