Domingo, Novembro 07, 2010

Semanada

Esta foi mais uma semana marcada pelo receio do FMI, com tanta gente acima de qualquer risco de fome a rezar para que o os economistas do fundo não apareçam por cá chego a pensar que aquela organização é uma espécie de organização comunista internacional, algo ainda pior do que a Al-Qaeda. Dantes o espantalho do FMI era defendido pelos ricos e temido pelos pobres, hoje está tudo de pernas para o ar, são os ricos os que mais receiam a vinda do FMI.

Quem também parece andar de pernas para o ar, isso apesar de já não estar em idade de dar grandes cambalhotas, é Cavaco Silva, o finalmente candidato presidente decidiu romper com o seu passado e já defende a mudança do modelo económico que ele fundou. Aliás, a inauguração da sede começou por ser uma cambalhota na sua promessa de não afixar outdoors, a sede de candidatura é decorada precisamente com um imenso outdoor.

Até o ministro das Finanças que tinha dito aos especuladores que nos poderiam cobrar juros até aos 10% parece ter mudado de ideias, segundo consta na comunicação social já terá nova fasquia para se entregar ao FMI, os especuladores, começando pelos nossos banqueiros oportunistas, já podem subir a parada acima dos 7% que nós aguentamos. Começo a desconfiar de que o país vai ter de pagar uma factura bem mais cara.

O BE também não quis ficar para trás e pelo menos uma boa parte dos seus militantes decidiram dar mais uma cambalhota, os antigos jovens maioistas, admiradores convictos da grande revolução cultural, trocaram as voltas ao Presidente da República Popular da China e estiveram ausentes na recepção parlamentar ao ilustre visitante. Os velhos defensores da ditadura do proletariado, na versão de Trotsky ou de Estalite e Mao, sofrem agora de uma alergia a ditaduras.

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Ericeira

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Lisboa [de A. Cabral]

JUMENTO DO DIA

Pedro Passos Coelho

Os spin doctors de Pedro Passos Coelho continuam a meter-lhe baboseiras na boca a bom ritmo, coisas como só reunir com Sócrates na presença de testemunhas e outras idiotices com que o líder do PSD tem marcado a sua liderança. Agora inventaram mais uma, que os responsáveis pelo desastre económico devem ser processados civil e criminalmente.

Bem, esperemos que os donos das praças de touros nos emprestem o Campo Pequeno e mais uma dúzia de praças pois as prisões não vão chegar, param além dos governantes, a começar por Cavaco Silva, Dias Loureiro e outros, lá estarão os administradores das empresas que faliram, os directores comerciais que falharam nos negócios e até teremos de pedir ajuda à Interpol para mandar prender os responsáveis das empresas de rating, nem a Merkel se escapará à justiça portuguesa pois algumas das suas declarações podem levar a responsabilizá-la criminalmente.

Se ideia pega mesmo os clubes de futebol não terão onde chegar pois o Estado terá de nacionalizar os seus estádios para albergar tanta gente, o bom princípio de Pedro Passos Coelho também poderá ser aplicável aos autarcas e, porque não, aos próprios futebolistas, avançado que falhe um golo ou guarda-redes que deixe entrar um golo vai dentro!

O país pode estar em crise mas humor não nos falta, felizmente.

«Pedro Passos Coelho defendeu hoje a responsabilização civil e criminal dos responsáveis pelos maus resultados da economia do país, para que não continuem "a andar de espinha direita, como se não fosse nada com eles".

"Se nós temos um Orçamento e não o cumprimos, se dissemos que a despesa devia ser de 100 e ela foi de 300, aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa também têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus atos e pelas suas ações", referiu Pedro Passos Coelho.

Falando em Viana do Castelo, durante um jantar promovido pelo PSD de Barcelos, Passos Coelho sublinhou que o país precisa de uma cultura de responsabilidade.» [Expresso]

CONTRIBUTO MODESTO NO COMBATE À CRISE

«Os portugueses e os espanhóis têm por tradição juntar ao nome próprio os apelidos da mãe e do pai. Em Portugal, primeiro o da mãe, seguido pelo do pai; em Espanha, ao contrário. Em ambos os casos, é o apelido do pai, o último em Portugal e o do meio em Espanha, que mais se usa. Assim aconteceu com António Oliveira Salazar e Francisco Franco Bahamonde - dois nomes de tempos em que a tradição não se discutia -, que não ficaram conhecidos nem como Oliveira nem como Bahamonde. Depois, vieram outros tempos. Os bebés portugueses passaram, por lei, a ter direito de trocar a ordem do patronímico e do matronímico, bastando para isso o desejo dos pais na hora do registo. A lei foi aprovada sem contestação e assim vivemos já há anos sem o país se sobressaltar. Essa lei, que faz prevalecer a vontade do casal na ordem dos nomes, chegou agora a Espanha - e estalou a polémica! A lei é de José Rodríguez Zapatero, conhecido pelo nome materno (Zapatero), que quer impor a igualdade também no nome. A oposição à lei é de Mariano Rajoy Brey, conhecido pelo nome paterno (Rajoy), que considera "atentado à família" estas modernices de se mudar a ordem dos nomes. Portugueses cordatos (não é essa uma condição para combater a crise?), espanhóis quezilentos. Chamo a atenção das agências de rating para, em nome dos nomes, baixarem o nosso juro e subirem o dos vizinhos.» [DN]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

POBRES RICOS

«O BPN é um poço sem fundo. Mas muito educativo. Agora descobriu-se um esquema de empréstimos que resultou numa fraude de milhões de euros. Os bancos que são fortes com os fracos, chegando a penhorar bens por quantias irrisórias, revelam com frequência uma enorme ligeireza quanto se trata de verbas muito avultadas. Já sem falar na aldrabice, claro.

Mas esta nova peripécia, nascida na espuma gananciosa do BPN, é ainda mais elucidativa quando se toma conhecimento do destino dado ao dinheiro. Segundo a polícia, os envolvidos teriam gasto parte das verbas extorquidas em bens ditos de luxo, a saber, carros das marcas Porsche, Ferrari, Lamborghini, Aston Martin, McLaren Mercedes e, pelo menos, um iate.

Para que quer esta gente tanto carro? Ou, ainda mais nebuloso, porque se dá tanta importância a um banal automóvel? Mesmo que seja um Ferrari.

O problema é claramente cultural. Numa sociedade intelectualmente pobre, a riqueza mede-se em aparências e objetos, não em feitos singulares. A exibição de certas coisas torna-se na medida do sucesso. Só que essa medida é muito relativa.

Não sei se a história é verídica, mas como dizem os italianos, se não é, é bem pensada. Um dia, ao jantar, o velho Rockefeller, para fazer conversa, terá perguntado aos filhos o que gostariam de ser quando crescessem. Um deles, todo afano, disse: eu quero ser presidente dos Estados Unidos. Ao que Rockefeller respondeu: ó filho, deixa isso para os nossos empregados.

A medida da importância das coisas varia muito com a perspetiva. Os novos-ricos são na verdade pobres-ricos, invejados por alguns, é certo, mas desprezados pela maioria. Iludem-se com a elevação na escala social através da ostentação de banalidades. Mas se alguém imagina que ganha efetivo estatuto por andar ao volante de um carro, está muito iludido. Seja que carro for.

Não resisto a contar aqui uma história pessoal. Um dia estava em Los Angeles em companhia de um homem rico português, um dos poucos que, na altura, tinha um Rolls Royce e muito orgulho nele. Jantávamos num restaurante da moda com vista para um pequeno aeroporto. Na pista estava um jato com uma enorme fita a envolvê-lo. Na mesa ao lado havia uma festa. Então, a dada altura um dos convivas e uma jovem mulher desceram à pista e ele puxou a fita. O jato era a prenda de anos. O meu amigo rico ficou devastado. Moral: há sempre um novo-rico ainda mais rico.

Outro caso, também bastante elucidativo, diz respeito à descoberta recente em Portugal de dezenas de obras de arte falsas destinadas precisamente a serem vendidas a essa categoria dos novos-ricos. Há quem possa dizer que ter um Picasso sempre é melhor do que ter um Lamborghini, mas o princípio não é muito diferente. O objeto não é adquirido pelo seu valor intrínseco, mas pelo que ele promove junto dos outros. Daí que seja tão fácil vender uma obra de arte falsa. Basta uma assinatura bem imitada, o conteúdo é irrelevante.

Este tipo de comportamento frívolo tem contudo uma consequência direta. Enquanto se consomem vastos recursos com carros, iates e falsificações, eles faltam nas atividades úteis e produtivas. Nesta época de crise, em que tanto se aponta o dedo à classe política, convém recordar que o atraso da sociedade portuguesa se deve sobretudo à mediocridade das nossas elites económicas. Num meio em que predomina o egoísmo, a mesquinhez e sobretudo a falta de visão e cultura, resta pouco para o reinvestimento, a modernização e a inovação. É assim que Portugal tem automóveis topo de gama a mais, e empresas inovadoras a menos.

Não é pois só a lógica da despesa pública que tem de mudar radicalmente em Portugal. É preciso criar outros valores para a realização individual. Eles passam sobretudo por uma atitude de realização assente na diferenciação. Imitar e ostentar tem pouco interesse. Já criar algo de realmente inovador, acrescenta algo ao próprio, ao tempo e à sociedade em que nos inserimos. Isso sim é realmente enriquecedor. E, se no processo se ganhar muito dinheiro, parabéns.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Por Leonel Moura.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

CAVACO ENCORAJA JOVENS A ESTUDAR A HISTÓRIA DE PORTUGAL

«O Presidente da República incentivou esta sexta-feira os jovens a estudarem a História de Portugal, considerando que esse conhecimento incute nos mais novos "uma força maior, uma coragem mais forte para enfrentar as adversidades da vida". » [CM]

Parecer:

Podem começar pelo período em que ele foi primeiro-ministro, ajuda-os a perceber porque razão o país está nesta atraso.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Acrescente-se a sugestão.»

DIZ O ROTO AO NU

«Afastado dos grandes púlpitos há dois anos, o antigo presidente dos EUA George W. Bush não esquece a política, em particular a vida interna do seu partido, e, sem reservas, critica a ex-dupla candidata à Casa Branca: Sarah Palin e John McCain.

Numa conversa informal, Bush terá dito que Palin não tem qualificações para decidir os destinos dos EUA e que McCain tomou uma má decisão, ao escolhê-la para a corrida à vice-presidência. “A escolha por Palin levou Bush a considerar McCain como menos homem”, disse uma fonte próxima do ex-presidente ao jornal ‘New York Daily News’.» [CM]

PORTUGAL NÃO VAI AO FMI MESMO QUE OS JUROS SUBAM ACIMA DOS 7%

«No plano interno, o Governo de José Sócrates acredita que pouco poderá fazer para inverter a escalada dos juros sobre a dívida soberana portuguesa. No núcleo duro, sabe o DN, tudo o que se admite fazer é manter "um discurso muito claro sobre os objectivos" de redução do défice e, sobretudo, um difícil rigor acima de críticas na execução orçamental dos próximos meses - este ano e no início de 2011. De resto, a palavra de ordem é resistir, como fez esta semana o primeiro-ministro numa entrevista à TVI, logo após a aprovação do Orçamento na generalidade. Desde logo resistir ao pedido de ajuda ao FMI - melhor dizendo, ao Fundo de Estabilização Europeia, desenhado em Maio para permitir que a Grécia tenha, hoje, taxas de juro fixadas em 5%.

Assim, mesmo que as taxas de juro portuguesas subam a fasquia dos 7%, que Teixeira dos Santos disse ser o limite para o País recorrer ao esquema de ajuda europeu (Fundo + FMI), Sócrates não accionará tão cedo esse mecanismo. Isto só pode acontecer porque a última emissão de dívida pública deste ano está prevista para esta quarta-feira. É uma emissão, porém, de alto risco - porque se trata de 1,2 mil milhões de euros e de um prazo dilatado (portanto, com preços superiores) e que farão o País pagar mais alguns milhões nos próximos cinco a dez anos. » [DN]

Parecer:

Uma bela mensagem para os especuladores, já podem fazer subir os juros acima dos 7%.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se por uma alta dos juros.»

BCE COMPRA DÍVIDA PORTUGUESA

«Fontes ouvidas pela Reuters adiantam que o BCE adquiriu pequenas quantias de dívida portuguesa e grega esta semana e que tem havido um grande aumento dos volumes transaccionados nos mercados de dívida.Um especialista na área, que não quis ser identificado, adiantou à Reuters que o BCE pode ter comprado dois mil milhões de euros esta semana - valor que, a confirmar-se, seria o maior volume desde a última semana de Junho.

Segundo o analista do Royal Bank of Scotland, Silvio Peruzzo, a queda dos spreads da dívida portuguesa e irlandesa durante a manhã de ontem foi um claro sinal de que o BCE está de volta aos mercados de dívida.» [DN]

Parecer:

A que juro?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se.»

QUEM SÃO OS INCOBRÁVEIS DO BPN?

«Os três deputados socialistas referem que a agência de notação financeira Moody's concluiu que o BPN apresenta actualmente insuficiências de capital de dois mil milhões de euros e perdas acumuladas de 216 milhões de euros, alertando ainda para o facto de as assistências de liquidez da Caixa Geral de Depósitos ascenderem a 4,6 mil milhões de euros.

Face a estas estimativas, os três deputados do PS perguntam a Teixeira dos Santos "qual o volume de dívidas incobráveis existente no BPN em 2010, qual o número de clientes com empréstimos superiores a cinco milhões de euros e que percentagem destes clientes se inclui na lista de incobráveis".» [DE]

Parecer:

Seria muito interessante conhecê-los.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Publique-se a lista.»

PORTUGAL PRECISA DE 19.000.000 ATÉ JUNHO

«Os juros da dívida nacional bateram máximos históricos esta semana, mas o mercado teme que o primeiro semestre do próximo ano seja ainda mais difícil.

De acordo com dados do IGCP, Portugal tem de pagar obrigatoriamente aos credores 25,6 mil milhões de euros em Obrigações e Bilhetes do Tesouro que vencem em 2011, sendo que 19,7 mil milhões serão até Junho. Mas o contexto político que Portugal vai viver nesses primeiros meses do ano, com o Presidente da República inibido de convocar eleições até Março, quando toma posse, poderá alimentar o nervosismo dos mercados, o que seria fatal para o País e aumenta os riscos de ser necessário recorrer à ajuda da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional.» [DE]

Parecer:

É muito dinheiro.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Teixeira dos Santos qual o juro que está disposto a pagar.»

LIMPEZA NO GRUPO PARLAMENTAR DO PS

«O aviso foi feito aos deputados e será para levar a sério logo que esteja encerrado o dossier Orçamento do Estado para 2011: Francisco Assis vai fazer mudanças na sua direcção e também nas coordenações socialistas nas comissões parlamentares. Tudo porque o líder da bancada e o próprio Governo "perderam a confiança" nalguns deputados que ocupam cargos cimeiros, apurou o Diário Económico.

Vítor Baptista, coordenador do PS na comissão de Orçamento e Finanças, deverá ser o primeiro alvo. Depois de ter acusado o chefe de gabinete de José Sócrates no Rato, André Figueiredo, de lhe ter oferecido um cargo numa empresa pública em troca da sua desistência pela distrital socialista de Coimbra, o deputado é visto como ‘persona non grata' pela direcção rosa.» [DE]

Parecer:

Tempos difíceis...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

MAIS UMA FUSÃO IDIOTA

«A necessidade de racionalizar os custos da participação do Estado no sector da comunicação social levou o ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, a anunciar ontem a disponibilidade do governo para "reflectir" sobre eventuais "soluções de agregação" entre a RTP e a agência Lusa. O objectivo é alcançar uma maior "racionalidade e economia de custos" nas duas empresas. Ou seja, o governo não descarta a fusão de operações entre o grupo RTP, detido a 100% pelo Estado, e a agência noticiosa, onde detém 51,14% do capital social. O cenário leva o PSD a criticar a "total ausência de estratégia ou modelo de serviço público" por parte deste governo.» [i]

Parecer:

E vai transformar a agência numa televisão ou a televisão numa agência?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao governo que não encubra tachos abusivos com fusões idiotas.»

MAGISTRADOS DO MP ADEREM À GREVE

«O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público aprovou, hoje, sábado, em Assembleia Geral, que ainda está a decorrer em Coimbra, a adesão à greve geral do dia 24.

A votação da proposta da direcção do sindicato de adesão à greve geral contou apenas com cinco votos contra e uma abstenção, entre cerca de 250 magistrados presentes.» [JN]

Parecer:

Grande Palma!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao grande Palma se também vai à manif.»

"O POETA E O EVANGELISTAS"

Por António Nogueira Leite, no "Albergue Espanhol".

VILMARS BERZINS

Sábado, Novembro 06, 2010

Pois, ninguém quer o FMI

Se a situação não fosse tão grave até ficaria divertido vendo as “elites” nacionais a rejeitarem o FMI, até parece que estão muito preocupados com as dificuldades dos mais pobres e receiam que as receitas do FMI agravem ainda mais a situação dos mais carenciados. Agitam a antiga imagem de papão do FMI para assustar os portugueses tentando dar a entender que as receitas nacionais resolvem o problema sem que sejam tão duras.

Se eu fosse um líder partidário também recearia a vinda do FMI, os governantes podem gerir a austeridade condicionando as medidas a critérios eleitorais, o mesmo quer o líder do PSD que prefere negociar o OE de forma a que as suas clientelas não sejam atingidas pelas medidas mais duras, enquanto a extrema-esquerda continua a prometer o céu na terra à custa do dinheiro que os grandes capitalistas nos emprestam a juros de mais de 6%.

Se eu fosse banqueiro também não quereria ver o FMI por estas bandas, comprando o dinheiro a 1% ao Banco Central Europeu para o vender ao Estado a mais de 6% ou aos consumidores a 14%, enquanto quase nada se paga pelas poupanças depositadas nos seus cofres, a pior coisa que poderia suceder aos banqueiros era o Estado poder negociar taxas mais baixas fora do sistema financeiro e, em contrapartida, ter de adoptar medidas que acabem com um modelo consumista que coloca toda a economia nas mãos da banca.

Se eu fosse sindicalista profissional à décadas também não quereria que viesse alguém de fora impor modelos de organização económica que pusesse o meu poder em causa. O actual modelo alimenta centenas de sindicalistas profissionais que a troco da paz social nas empresas impõem a estas o pagamento de mordomias e a protecção dos empregados em prejuízo dos desempregados.

A vinda do FMI obrigava a adoptar medidas em função da economia e não de interesses corporativos de estratégias eleitorais, dos interesses da banca ou das grandes cadeias de distribuição, isso seria uma desgraça para os interesses instalados que estão a conduzir a economia portuguesa à bancarrota.

O argumento de que as medidas do FMI seriam mais duras é uma mentira, há anos que os portugueses ou parte deles sofrem medidas de austeridade e todos sabem que no próximo anos terão de sofrer medidas ainda mais duras para compensar o atraso e ineficácia das actuais. O problema não está nas medidas, está na perda de poder daqueles que vivem e enriquecem à custa do empobrecimento do país e dos portugueses.

O problema é que a situação é tão grave e a incompetência é tão generalizada que a vinda do FMI é quase inevitável.

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Sintra

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Garça-real (Sterna maxima) [de A. Cabral]

JUMENTO DO DIA

Vieira da Silva

É patético, diria mesmo triste ouvir um ministro da Economia dizer que não tem previsões sobre quando vem o FMI, quando dele se esperavam orientações para a economia e segurança sobre as medidas do governo.

É destas papetices que os especuladores gostam e à custa das quais estão a enriquecer à custa dos portugueses.

«À margem da assinatura de contratos de incentivo à internacionalização da Iniciativa QREN, Vieira da Silva declarou não ter "nenhuma previsão sobre a possibilidade da entrada do FMI em Portugal", nem faz " ideia nenhuma de que documento se esteja a falar".

Portugal "tem condições nos dois planos fundamentais que estão colocados à nossa sociedade, a consolidação das contas do Estado, que é a prioridade do momento, e a afirmação da capacidade da nossa economia se renovar e projectar para o exterior, com a ambição de reduzir os défices estruturais que a têm marcado ao longo de muitas décadas", afirmou o governante.» [CM]

HÁ PROFISSIONAIS MAIS NECESSÁRIOS DO QUE OUTROS?

A proibição de acumular salários com pensões é daquelas medidas que soam bem ao ouvido, mas não passa de uma mera manifestação de populismo oportunista de que não resultará nem poupanças, nem benefícios. Como era de esperar, mal a norma foi adoptada começaram logo as excepções, primeiro foram os médicos, a seguir serão outros. É o mesmo governo que nomeou pensionistas para altos cargos que agora tenta ficar bem na fotografia adoptando uma norma cega.

Vamos acabar numa situação ridícula com o governo a considerar que os médicos são necessários e os políticos e muitos outros profissionais são dispensáveis. Agora o governo "melhora" a sua imagem, quando abrir excepções ou eliminar uma norma idiota vai acabar por pagar com juros.

Confundir uma pensão que resulta de décadas de descontos com uma pensão ganha com meia dúzia de meses na administração do Banco de Portugal é ridículo, é confundir um direito com um abuso, tratando os dois de igual forma.

A HORA É DE CASO A CASO, DE CASO A CASO

«Durante o debate sobre o OE, Manuela Ferreira Leite (MFL) aconselhou o fingimento aos políticos portugueses. Isso de proclamar a zanga entre os partidos, disse ela, atiça a desconfiança dos mercados, entidades que definiu de forma sintética: "Quem manda é quem paga." Por isso, MFL lançou ao Governo e à bancada do PS: "Finjam, finjam que estamos todos muito amigos." A crispação política é tão irresponsável (de todos, mas é natural que MFL se vire mais para os adversários) que qualquer apelo à prudência é bem-vindo. Embora, os tais mercados não precisando de justificação (quem paga é quem manda, não é?), eles façam sempre o que lhes dá na real gana. Daí, minutos depois do conselho de fingimento, MFL ter chamado a Portugal "doente quase morto", sem receio que os tais mercados agarrassem no pretexto para voltar ao seu desporto favorito: cortar nos ratings... Olhem, também não sei o que fazer com os míticos mercados. Já não fingimentos com os portugueses, estou certo, dava resultado. É hora (hora foi sempre, mas agora o ferro está quente) em que todo o insulto ao bom senso deve ser extirpado. Assim, quando hoje o Bloco de Esquerda perguntar à ministra da Cultura por que razão a presidente do conselho de administração da Fundação Cidade de Guimarães ganha o dobro do Presidente da República, Gabriela Canavilhas deve ter resposta pronta: "Pois já não ganha." » [DN]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

IQJ*

« Ontem à tarde, no Twitter, o investigador do Instituto de Ciências Sociais Pedro Magalhães referia que Portugal subira um lugar, de 41.º para 40.º, no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU. Logo de seguida retuítou (difundiu) um tuíte de José Manuel Fernandes, ex-director do Público, com o linque de uma notícia do Expresso que anunciava uma descida de seis lugares para o país no IDH. Tentando perceber o motivo da discrepância, Magalhães foi investigar e descobriu que os critérios do IDH mudaram, pelo que as posições dos países também. Assim, apesar de ter melhorado os seus indicadores, Portugal passou de 34.º em 2009 para 40.º em 2010. A página relativa ao país, que ostenta um gráfico, não permite dúvidas: Portugal tem vindo sempre a subir (embora pouco desde 2000) de 1980 a 2010.

A origem do erro, a agência Lusa, acabou por corrigi-lo ao fim da tarde. Os sites dos jornais foram alterando as respectivas notícias sobre o relatório. Mas, se de algum modo a mudança de critérios faz compreensível a confusão da agência, há algo que não se percebe: sabendo-se quais são os parâmetros - longevidade, escolaridade, rendimento per capita - que o ranking da ONU considerava até agora (foram-lhe este ano acrescentados mais três, entre eles a desigualdade de género) - não parece ter ocorrido a ninguém uma pergunta básica, a saber, que hecatombe se teria passado por cá entre 2008 e 2009 para justificar uma queda de seis lugares. Assim de repente ninguém se recorda, não é? Aliás, pelo contrário: nos indicadores da OCDE e do Eurostat Portugal tem vindo a diminuir, mesmo se ligeiramente, o índice de pobreza; o Governo tem sido periodicamente acusado de "facilitismo" na escola e de "fraude" na educação de adultos, com vista, alegadamente, à melhoria dos indicadores escolares do País, logo, se esses indicadores estivessem a piorar dificilmente ocorreria a alguém fazer esse tipo de denúncia; não demos conta de estar a morrer mais e mais cedo.

Que explica, então, o automatismo acéfalo, em alguns casos despudoradamente triunfante, com que se reproduziu uma informação tão negativa? A resposta a esta pergunta não é fácil nem exclusivamente conjuntural. Para além da óbvia má vontade da generalidade dos media em relação ao Governo em funções, há algo mais fundo que leva os portugueses, a começar pelos jornalistas, a estar sempre prontos a acreditar no pior possível sobre si e o seu País, sobretudo quando vem "de fora". Medo de existir ou desculpa para ser medíocre, este penchant provinciano pelo auto-insulto e pelo desmerecimento tem no jornalismo um nome bem menos romântico: incompetência e enviesamento. Comprazamo-nos pois com isso - no ranking da qualidade jornalística, tem sido sempre a descer.

*Índice de Qualidade Jornalística» [DN]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A INCOMPETÊNCIA PAGA-SE CARO

«O executivo comunitário anunciou esta manhã os reembolsos que os Estados-membros devem fazer por irregularidades nos pagamentos e verificação das despesas dos fundos agrícolas, e desta feita Portugal é o terceiro país europeu mais penalizado, a seguir à Grécia e à Roménia, ao ter de devolver para o orçamento comunitário 45,73 milhões de euros. Em causa estão sobretudo "fragilidades no SIP-SIG (Sistema de Identificação Parcelar e Sistemas de Informação Geográfica), deficiências na análise de risco para controlos, insuficiência quantitativa e qualitativa dos controlos in loco, aplicação incorrecta de sanções, inadequação das orientações e deficiências nos controlos administrativos, em relação à despesa das ajudas de superfície, incluindo medidas de desenvolvimento rural relacionadas com superfície", responsáveis pelo reembolso de mais de 40 milhões de euros. » [CM]

Parecer:

É o preço a pagar pela incompetência na gestão de organismos públicos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao ministro da Agricultura e ao jovem troglodita do Terreiro do Paço.»

ALEGRE CRITICA CAVACO POR NÃO DEFENDER A SOBERANIA NACIONAL

«Manuel Alegre, candidato à presidência da República, lançou hoje duras críticas a Cavaco Silva devido ao silêncio do Presidente sobre a situação económica actual.

"É preciso não vergar os joelhos perante a ameaça dos mercados financeiros internacionais. Perante esta situação de cerco não se ouve uma uma palavra do sr. Presidente da República. Estamos perante o mais violento ataque à soberania nacional desde o 25 de Abril e o Presidente da República, o afamado economista, não diz uma palavra", referiu em Lamego.» [DN]

Parecer:

O problema é que Alegre se esquece de criticar quem fez um orçamento a olhar para os mercados ou os que gastaram o dinheiro.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Alegre porque omite aspectos tão importantes.»

CAVACO CONDENA O MODELO ECONÓMICO CAVAQUISTA

«Chegou, e partiu também, conduzido pela filha Patrícia, num monovolume Mercedes preto, ao antigo Centro Comercial Guérin, n.º 12 da Av. da Liberdade, agora sede da candidatura presidencial. E foi no rés-do-chão, apinhado de apoiantes, alguns notáveis, e sob um calor atabafante que Cavaco Silva inaugurou o espaço. O candidato, que se bate pelos mais desfavorecidos, aproveitou para frisar que os problemas concretos dos portugueses "não podem ser resolvidos com ilusões". É preciso, disse, "mudar a orientação económica do País".» [DN]

Parecer:

Talvez por causa da idade Cavaco esquece que o modelo económico que agora condena é o seu.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso condescendente.»

BRUXELAS PEDE MAIS MEDIDAS

«A aprovação do Orçamento na generalidade não chegou para convencer Bruxelas. A Comissão Europeia exigiu ontem que Portugal seja ainda mais ambicioso nos objectivos do défice de 2010 e 2011. Mas espera ainda que o Governo anuncie em breve um plano para flexibilizar o mercado de trabalho e o processo de formação de salários. Tudo para convencer os mercados de que as contas públicas e o problema estrutural de competitividade vão ser atacados.

Ontem, dia em que os juros sobre a dívida soberana bateram novos máximos (6,65%),o porta-voz do comissário para os Assuntos Económicos, Olli Rehn, deixou-o claro em declarações ao DN: "Agora que aprovaram o Orçamento é preciso compensar o impacto [das medidas de austeridade] com reformas que possam dar uma dinâmica à economia portuguesa". Para Amadeu Altafaj Tardio, "não cabe à Comissão dizer com pormenor aos Estados o que fazer. Mas Portugal deve atacar a rigidez do mercado laboral e fazer alterações ao processo a formação de salários".» [DN]

Parecer:

Bruxelas está a dar razão a Pedro Passos Coelho.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Solicite-se um comentário ao governo.»

MAIS UMA "PORRADA" EM QUEIROZ

«Carlos Queiroz foi condenado pelo Conselho de Disciplina da Federação, no decorrer do processo disciplinar que lhe foi instaurado no chamado "Caso polvo". A pena a aplicar ao ex-seleccionador é de três meses de suspensão e uma multa de 1250 euros.

Amândio de Carvalho moveu um processo contra Queiroz, depois de o treinador, em entrevista ao "Expresso", o ter acusado de "pôr a cara na cabeça do polvo", em alusão à sucessão de acontecimentos, que levaram ao afastamento do seleccionador. Defesa do arguido pedia absolvição e arquivamento do processo.» [DN]

Parecer:

Este folhetim parece não ter fim.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Não batam mais no ceguinho.»

MÉDICOS JÁ PODEM ACUMULAR PENSÕES E VENCIMENTOS

«Para estes médicos a proibição de acumular salários com pensões de reforma na Função Pública, que se aplicará a deputados, magistrados e ao Presidente da República, "não tem efeito na saúde", afirmou Ana Jorge, na quinta-feira, à margem da audição nas Comissões» [DE]

Parecer:

Virão mais excepções, é uma questão de tempo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se por mais excepções a esta decisão populista, cega e idiota.»

BE FALTA A RECEPÇÃO DO PRESIDENTE CHINÊS

«O BE não estará presente na receção ao Presidente da China, no sábado, no Parlamento, porque o regime chinês é "uma ditadura com créditos firmados na violação dos Direitos Humanos", disse à Lusa o líder da bancada parlamentar bloquista.

"A nossa posição tem a ver com uma avaliação muito crítica que fazemos do Estado em causa, uma ditadura que tem créditos firmados na violação de Direitos Humanos, de direitos individuais e sindicais", afirmou o líder parlamentar do BE, José Manuel Pureza.» [i]

Parecer:

Os antigos maoistas da UDP, defensores acérrimos de coisas como a revolução cultural, estão muito mudados.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

ALBERTO JOÃO IRRITADO

«O presidente do governo regional da Madeira, Alberto João Jardim, acha que o Estado português “é ladrão” porque não permite a acumulação de pensões de aposentação com qualquer tipo de salário no sector público.» [Público]

Parecer:

Tem alguma razão, quando o governo abre uma excepção para os médicos está a dizer que há profissões que fazem falta e outras não.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver quanto tempo dura esta norma.»

A FELÍCIA CABRITA ESTÁ A INVESTIGAR

Ao ler Fernando Moreira de Sá escrever, no "Albergue Espanhol" que a "jornalista Felícia Cabrita, quem poderia ser, está a investigar" dei comigo a pensar que nestes meses em que a minha antiga vizinha andou desaparecida das primeiras páginas teria andado a estudar no Centro de Estudos Judiciários e, entretanto, já integrava os quadros do Ministério Público.

Mas não, o Sol esclarece que o "Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) está a investigar indícios de que houve pagamento de luvas no valor de seis milhões de euros". Fico mais descansado, ainda que não me admire que um dia destes a jornalista comece a divulgar escutas telefónicas, provavelmente resultado das suas investigações.

TOOR ANATOLY

NA RUA?

E NO PERU O APANHADO FOI UM PADRE