segunda-feira, setembro 15, 2014

De maior banco comercial a sucata financeira em 80 dias

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Imagine que entra no Continente do Colombo e encontra uma loja imensa toda limpinha e arrumadinha, com música de fundo, os altifalantes anunciando as promoções, com os funcionários responsáveis pela reposição passeando tranquilamente pelos corredores, as meninas nas caixas impecavelmente vestidas, as prateleiras absolutamente vazias ou com uma ou outra embalagem fora de prazo e sem um único cliente.
  
É mais ou menos nisto que a imensa rede de balcões do BES está sendo transformado, o maior banco comercial foi em pouco mais de um mês transformado num banco fantasma, um banco sem depositantes, sem clientes, sem ofertas, apenas com serviços correntes e uma tabelas de comissões. Um banco que nada pode fazer sem autorização do mesmo sô Costa que no BCP nada viu, um banco que está obrigado a vender pouco e mais caro do que a concorrência, um banco sem qualquer vantagem a oferecer a novos depositantes.
  
Quando Vítor Bento foi escolhido à pressa a ideia era a de gerir o BES bom, a banca concorrente ficou em silêncio enquanto era o governo que através da marioneta do banco de Portugal injectava mais de quatro mil milhões de euros. O discurso era o da inevitabilidade e Vítor Bento vinha gerir um banco que seria vendido mais tarde. 
  
Maria Luís Albuquerque estava tranquila, o seu homem do IGCP iria apoiar um Víotr Bento conhecido pelas ligações à direita e pelo apoio incondicional e militante às suas políticas de austeridade. Não havia pressa pois o dinheiro injectado no BES não seria considerado para efeito de cumprimento das obrigações em matéria de défice orçamental. Pouco tempo depois a banca privada apressou-se a informar que contribuía com mais alguns milhões para o fundo que capitalizou o Novo Banco.
  
Com meia dúzia de milhões de euros os bancos privados como o BCP e o BPI sentiram-se no direito de exigir que o BES fosse vendido rapidamente. Isto é, os bancos privados investiram no fundo graças ao enriquecimento repentino resultante do saque do BES e aproveitaram a sua generosidade para comprarem a destruição do BES. A banca que estava em dificuldades superou rapidamente os receios e depois de terem desnatado o BES bancos como o BCP já vendem saúde financeira.
  
O estranho é que de um dia para o outro tanto a banca privada como os partidos do governo tenham começado a fazer coro exigindo uma venda rápida do BES, sem qualquer debate estão de acordo com uma estratégia que favorece de forma brutal bancos como o BCP e o BPI. Não tiveram qualquer problema em achincalhar a equipa de Vítor Bento que ontem eram grandes economistas e hoje são dispensados com a insinuação de que não são banqueiros, isto é, não percebem nada do negócio.
  
Quando se falava se falava no relançamento do BES com a designação do Novo Banco o governo através do Banco de Portugal foi buscar economistas, agora que pretende vender o BES sob a forma de sucata financeira foram buscar alguém que designam por banqueiro. Aquilo a que o país está assistindo é ao maior golpe financeiro da nossa história económica, o poder e dois ou três bancos privados juntaram-se para destruir e saquear o maior banco privado português e agora querem vender o que resta dele o mais depressa possível para evitar prejuízos.
  
Em mais ou menos 80 dias o maior banco privado português foi destruído, saqueado e vendido como sucata. Brevemente saberemos quem ganhou mais e quanto perderam os portugueses, nunca saberemos quem decidiu, como se decidiu e a troco do quê se decidiu destruir o BES transferindo uma boa parte do seu valor para bancos como o BCP e o BPI.
   
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