domingo, setembro 14, 2014

Semanada

Esta foi a semana dos debates entre Seguro e António Costa. No primeiro debate o país assistiu a um combate de boxe em que o Calimero se vingou do lobo mau, chamando-lhe de tudo e esmurrando-o para alegria da direita. No segundo debate as exclamações de Seguro do tipo “hi hi hi” passaram a ser exclamações mais do género “ai ai ai”. Fiel ao seu plástico Seguro cumpriu uma estratégia onde mostrou o que é como homem e disse o que seria como primeiro-ministro. Agora é só escolher, quem quiser Passos Coelho vota em Seguro, quem se quiser ver livre de políticas de direita não vota em Seguro.
   
Os bancos que se aproveitaram da golpada no BES para lhe saquearem os melhores negócios e os bons depositantes apressaram-se a informar que iria contribuir com mais alguns milhões para o fundo do sô Costa. O preço veio poucos dias depois, estes bancos querem que o BES bom seja vendido o mais rapidamente possível e com o estatuto de sucata, para que não haja tempo para que o Novo Banco se ocupe dos seus clientes e dos seus negócios. A gestão do Novo Banco não está lá para salvar o que resta do BES mas sim para o fazer desaparecer o mais rapidamente possível.
  
O BES bom já fez a primeira vítima, Vítor Bento que foi apresentado como a sumidade que ia salvar o BES foi agora substituído por alguém desconhecido mas que o sô Costa faz saber que é um banqueiro, insinuando que Bento era incompetente em matéria de gestão bancária. Mas se a intenção é impedir que o BES bom consolide o que lhe resta no mercado e vendê-lo o mais rapidamente possível não faz sentido contratar um banqueiro mas sim um leiloeiro, de preferência com experiência em sucata.
  
O que nos vale no meio de tanto oportunismo é o conhecido advogado aposentado que foi para o Parlamento Europeu, o incorruptível e puro Marinho Pinto. O pobre foi surpreendido com os 18.000 euros que ganhou no primeiro mês e ficou tão indignado que foi berrar a sua revolta para a televisão. Mas o mais grave é que o pobre coitado vai ser obrigado a ganhar o chorudo ordenado durante mais uns meses, até ter condições para lançar o seu novo partido, uma garantia de que depois das próximas legislativas possa vir a ter mais um ordenado pornográfico contra o qual se possa indignar.

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