segunda-feira, setembro 29, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Cow Parade no Rossio, Lisboa (2006)
  
 Jumento do dia
    
Marcelo Rebelo de Sousa

O professor acha que António Costa deve abandonar a CML agora que é líder do PS. O professor Marcelo só não explicou porque razão o líder do PSD pode ser primeiro-ministro e o líder do PS não pode ser presidente de uma câmara municipal. Ó senhor professor, deixe-se lá de baboseiras e esconda melhor o nervosismo, essa de ir buscar o Churchill que ganhou a guerra e perdeu as eleições só dá para rir à gargalhada. Se calhar quem tinha razão era o Passos Coelho que o designou por cata-vento.

 Despesas de representação

Toda a gente sabe que neste país as despesas de representação não passam de esquemas usados nas empresas para fuga ao pagamento do IRS e nos casos de corrupção muitos pagamentos são feitos contra facturas de bens de luxo que vão desde aparelhos electrónicos caros a carros. Dizer que recebeu pagamentos de despesas de representação sem dizer de que montantes e a que título não é esclarecer nada, é adensar as dúvidas, até porque a ONG foi ignorada até ao dia da desculpa que parecia articulada com a Tecnoforma, tal como já se tinha tido a sensação de que tudo foi combinado com o secretário-geral do parlamento e depois com a PGR.

Passos Coelho não esclareceu nada, e em vez de tirar as dúvidas orientou-a para uma ONG que não terá passado de um esquema de acesso aos fundos comunitários. Agora temos uma Tecnoforma que está sendo investigada em Portugal e em Bruxelas, uma ONG duvidosa que pagava muitas despesas de representação sem se terem visto resultados da sua actividade e um primeiro-ministro com graves problemas de memória.

 Dedicada a Passos Coelho: Peter Gabriel - "I Don't Remember"



 O remediado

Passos Coelho é um remediado que andando num Fiat Panda velho trabalhou três meses à borla para a ONG da Tecnoforma e ainda pagava as despesas do seu bolso ficando depois á espera de lhe pagarem as facturas. Passos Coelho está a subir na minha consideração.

Uma única dúvida subsiste em todo este processo: quando viajava por conta da Tecnoforma/ONG Passos Coelho usava a classe turísticas ou viajava em executiva?
  
 Qual o crime de Passos

O mais criminoso do caso da Tecniforma é saber-se que Passos Coelho andou a a trabalhar para gente representada por aquele advogado e que a sua remuneração era o pagamento das viagens e dos almoços. Digamos que não abona muito a favor da categoria de um primeiro-ministro. Nem mesmo no Burundi se veria uma coisa destas.

      
 Na terra das avestruzes
   
«Estamos no meio da pior das crises políticas: a que não nos permite discutir política. Receio mesmo que a análise do fracasso absoluto da governação seja substituída por uma discussão infindável sobre as qualidades pessoais e o passado de Passos Coelho. E, apesar do triste espetáculo que tem protagonizado, estou capaz de apostar que não há eventual mancha no seu passado que se compare à catástrofe económica, social e política que provocou com a sua governação.

É provável que haja uma faixa da população que se sinta mobilizada para vir defender as estranhas falhas de memória, a manipulação do Ministério Público e da Secretaria-Geral da Assembleia da República e a sua santíssima prodigalidade, em nome duma imagem que criou de Passos Coelho e que, assim, se distraia da realidade. Talvez seja isso que o primeiro-ministro quer: tudo, até a sugestão de graves falhas, menos discutir o estado do País.

Seria uma estratégia estranha e, admito, quase inverosímil, mas se pensarmos o que foi a atuação do primeiro-ministro nestas últimas semanas, corremos o risco de acreditar nela.

Não é que não estejamos demasiado familiarizados com a falta de memória de Passos Coelho, mas precisar de uma semana para se lembrar de que, durante três anos, não lhe foi paga uma quantia, que a esmagadoríssima maioria da população portuguesa não consegue arrecadar numa vida inteira, é, digamos, algo que permite recomendar uma caixa inteira de Memofante.

Um primeiro-ministro que não tem a certeza de ter cometido uma ilegalidade grave, tem não só um problema, lá está, de memória, mas um desconhecimento da lei não muito apropriada a um governante. Um líder do Executivo que recorre ao Ministério Público para ser informado duma possível ilegalidade que ele sabe já não poder ser investigada (claro que há sempre a tal possibilidade de os mais simples conhecimentos legais lhe serem estranhos), ou confunde a instituição com um balcão de informações ou quer manipular a PGR para que lhe ofereça uma espécie de álibi. Prefiro a primeira opção.

Alguém que não se recorda de ter assinado uma declaração de exclusividade, num local onde esteve oito anos, e pede mesmo às pessoas que se dirijam aos serviços da Assembleia da República para que o ajudem a avivar a memória, é capaz de não servir para primeiro-ministro. Não por não ter qualidades para a tarefa, mas por ser muito provável que não encontre todos os dias a porta de entrada da residência oficial.

Uma pessoa que afirma não ter sido remunerado por serviços prestados a uma organização que tinha como saudável objetivo a busca do lucro, que mesmo não tendo cargos executivos ou de representação (segundo Passos Coelho) viajava para vários destinos, executava tarefas, tinha jantares de trabalho, parece ser, sem dúvida, uma pessoa muito generosa. E ninguém pode dizer o contrário, arriscando um processo de intenção que ninguém quer sugerir. Mas o que acho estranho nesta prodigalidade é a opção. Ou seja, o primeiro-ministro, entre prescindir da possibilidade de receber o subsídio de reintegração ou cobrar à organização, preferiu dar uma borla aos privados. Entre poupar dinheiro ao erário público ou ajudar os particulares, preferiu a rapaziada do privado. Que diferença para o homem que tanto luta contra as gorduras do Estado.

Não, não pode haver tantas falhas de memória, tantos equívocos, tantas confusões. Talvez tenha mesmo de se acreditar na tal estratégia estranha, na tese inverosímil, na que diz que Passos Coelho teve estes comportamentos exóticos para que não se fale da governação. O contrário, por incrível que pareça, seria ainda pior, muitíssimo pior.» [DN]
   
Autor:

Pedro Marques Lopes.

      
 Já metem nojo
   
«Foi enviada uma nota por parte da candidatura de António José Seguro, pelas mãos do seu diretor da campanha, João Proença, que indica que foi entregue “uma queixa contra António Costa”, depois de o presidente da Câmara de Lisboa “ter enviado, hoje, durante o período de votações, um SMS aos militantes a apelar ao voto em si próprio”.

No comunicado enviado às redações, Seguro indica que “censura esta atitude anti-democrática e desrespeitosa de António Costa", acrescentando que “em 40 anos de democracia nunca" se tinha assistido "a uma violação tão grosseira das regras democráticas como esta que António Costa acabou de praticar".» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Aliás, este Proença sempre meteu.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  
 Será um projecto da Tecnoforma com apoio técnico de Passos?
   
«Quase todas as pastelarias do país confecionam os tradicionais pastéis de nata, mas, na vila alentejana de Alandroal, um pasteleiro decidiu dar um "toque regional" à iguaria e introduziu farinha de bolota na receita. 

O pastel de nata de bolota foi desenvolvido por Rui Coelho, pasteleiro há mais de 40 anos, e está a ser comercializado há cerca de três semanas na sua pastelaria, no centro de Alandroal, no distrito de Évora.» [DN]
   
Parecer:

Por este andar ainda vão fazer pastéis de nata com sabor a sardinhas assadas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

   
   
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