sexta-feira, setembro 26, 2014

É desta!

É desta, pensei eu, o Passos está à rasca, o galo-da-Índia tem as duas asas partidos e está coxo de uma pata, assim até eu lhe ganhava o debate parlamentar. Sentei-me confortavelmente convencido de que ao fim de três anos finalmente Seguro iria ganhar um debate. Já sem troika, com um governo a cair aos bocados como se sofresse de lepra, com uma ministra da Justiça com ar de tasca, um Crato parecendo um cachorro que mijou no tapete da sala, Seguro ia finalmente ganhar um debate parlamentar.
  
Até aqui tinha perdido todos mas a culpa não era sua, ele é um político brilhante como nenhum outro, inteligentíssimo como diz o Álvaro Beleza, Honesto como nenhum outro, um cruzamento entre a Maria da Fonte com a Nossa Senhora de Fátima, um transgénico resultante da inoculação num Soares da honestidade beirã do Salazar e da inteligência do próprio Seguro, o ainda líder do PS perdeu todos os debates por causa do Sócrates.
  
O pobre do Seguro perdia sempre da mesma forma, como é um político de princípios respeitava o facto de o seu antecessor ter assinando o memorando e por isso não tinha como criticar as decisões de Passos Coelho. Estava tudo no memorando, o que não estava era uma consequência do memorando ou resultava de uma revisão do memorando. Passos dizia que a culpa era do memorando e Seguro concordava, acabava de perder mais um debate e a culpa era do maldito Sócrates, uma sombra que o perseguiu até à saída limpa.
  
Quando vi Seguro sentado com aquele ar de Ken de Penamacor, com uma meia Barbie a lembrar as velhas Barbies da minha filha que conservo em caixotes guardados debaixo da cama e que tem um penteado que deverá lá ter meio buraco de ozono, comecei a desconfiar, isto não vai correr bem!
  
Seguro tomou a palavra e mais uma vez cumpriu a  usa ameaça de agora que o vamos conhecer! De repente senti-me no meio do Terreiro do Paço com um Seguro armado em inquiridor da Santa Inquisição, seguindo à letra as instruções do Malleus Maleficarum, Seguro exigia a Passos Coelho que fizesse prova de que não tinha violado a vizinha há trinta anos atrás e se não apresentasse logo ali as provas todas jurava pela saúde do seu gato, que se não morresse o mataria, que iria fazer tudo o que estivesse constitucionalmente ao seu alcance para provar que a vizinha não era virgem.

Seguro não tinha provas mas exigia, Seguro não acusava mas exigia demonstração de inocência, mas pior do que tudo isso Seguro nem sequer perguntou que trabalho teria feito Passos Coelho. O que importava não era qual o contributo profissional de Passos, a troco de que tipo de contributo profissional recebia dinheiro a titulo de remuneração ou de despesas. Seguro interrogava e exigia provas com base em notícias, a prova material era a notícia e cabia a Passos provar que era inocente, porque quem não prova que é inocente é culpado, por defeito.
  
Seguro tentou transformar um debate político num auto de fé provando que não só os que assinam manifestos com Mário Soares que ele ataca de forma vergonhosa e pouco digna, ninguém escapa à sanha justiceira do novo salvador da pátria e Passos. Acossado pela crítica de Costa de que ele ataca mais violentamente os do seu partido do que o governo o Ken de Penamacor é agora o grane juiz da política portuguesa, cabe-lhe livrar a político dos corruptos da corte da capital.
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