quarta-feira, maio 20, 2015

Demitam a pobre senhora enquanto é tempo

A pasta da Administração Interna é uma das pastas mais exigentes de um Governo, está em causa a segurança do país e isso implica uma grande capacidade de gestão de recursos de grande magnitude como são as diversas polícias, os corpos de bombeiros, o SEF, os serviços de protecção civil, apenas para referir os mais importantes. 

Escolher alguém para esta pasta  só com base em critérios académicos, como se em vez de um ministro se estivesse a escolher o regente de uma cadeira é um erro. De um ministro da Administração Interna esperam-se qualidades que só por mera coincidência são adquiridas no meio académico. Compreende-se que num ministério da Justiça se procure alguém com um grande convívio com leis, mas ninguém espera que o combate a uma vaga de incêndios, a resposta a uma grande calamidade natural ou o controlo de uma qualquer situação de emergência se consiga com pareceres jurídicos elaborados por uma equipa de juristas vinda de uma qualquer universidade.
  
Passos Coelho já devia ter aprendido que a escolha de ministros por avaliação curricular pode levar a resultados desastrosos, aprendeu isso com ministros como o da Educação, mas se tivesse dúvidas bastaria comparar o Poiares Maduro com o Miguel Relvas para perceber que nem sempre os canudos trazem competência para o desempenho de cargos em que não está em causa a aplicação de conhecimentos científicos.
  
Há muito que se percebeu que a ministra da Administração Interna não está à altura dos desafios do cargo que aceitou, ainda por cima já se percebeu que não é capaz de chefiar uma equipa e isso explica a saída abrupta do seu melhor secretário de Estado e a incapacidade de fazer aprovar os estatutos das forças de segurança que estavam prontos para aprovação em Conselho de Ministros. Pela forma como se comportou em pleno parlamento com a herança do seu antecessor também se ficou a conhecer um pouco melhor os seus padrões éticos.
  
Nesta semana vimos uma ministra tardar dois dias a tomar posição sobre um par de incidentes sobre os quais todos os portugueses já tinham formulado opiniões. Quando falou dirigiu-se aos jornalistas de olhos fechados, engasgando-se e balbuciando banalidades, nem sequer foi capaz de ler em condições um papelinho com o que devia dizer aos jornalistas, qualquer jota da Universidade de Verão de Castelo de Vide teria inspirado mais confiança ao país do que a ministra da Administração Interna.
  
O país pode ter ministros incompetentes, isso não é nenhuma novidade e mesmo assim temos sobrevivido, mas na pasta da Administração Interna tem de estar alguém que nos momentos difíceis não se engasgue, não se atrapalhe, que não fale de olhos fechados. Numa situação de crise extrema um ministro da Administração Interna deixa de ser um político de um determinado partido e passa a comandar uma imensa estrutura técnica e humana, pouco importa se o líder tem ou não saias, o que importa é que tenha uma grande capacidade de liderança e que mereça a confiança daqueles que lidera.
  
De uma ministra da Administração Interna não se espera que só actue ou só tenha opinião quando as coisas acalmaram, quando está na posse de todos os dados, do titular da pasta espera-se capacidade rápida de compreensão dos fenómenos da segurança, que seja capaz de prever e decidir antes de as situações se agravarem. Com os diversos incidentes relacionados com o fim do campeonato percebeu-se que o país não tem ministro da Administração Interna, que o seu discurso é tardio e que não merece confiança. Portugal não tem alguém que assuma a liderança no sector da Segurança, tem alguém que acha que se combatem incêndios, calamidades públicas ou fenómenos de segurança encafuada no seu gabinete à espera que a crise passe.

Já se viu que a ministra da Administração Interna não tem condições para um cargo que só terá aceite por ambição pessoal e isso significa que enquanto esta senhora for ministra o país tem um sério problema de segurança. Não seria melhor substituir  senhora enquanto é antes que aconteça mais alguma desgraça?

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