domingo, maio 10, 2015

Semanada

Os democratas deste país podem estar tranquilos, as secretas não merecem grande confiança, o presidente vela pela Constituição através de pareceres, a justiça é uma máquina de lavar avariada, mas há uma aldeia gaulesa onde a defesa da democracia é levada até aos limites, os directores da nossa comunicação social, gente exemplar na defesa do pluralismo, está em luta para que possam fazer durante a campanha eleitoral a manipulação da informação que fazem durante o resto da legislatura.
  
O livro da Aureliana tem um único argumento em defesa do voto em Passos Coelho, para além de tudo o que já sabia agora devemos votar em Passos Coelho porque a esposa está doente. Percebe-se que o drama dos que morreram abandonados nas urgências, as famílias dos que deixaram de ter recursos para se tratarem pouco importam, há doentes de primeira e de segunda e alguns doentes são tão importantes que devemos ter pena deles e votar nos esposos.
  
Cavaco Silva já tinha declarado a sua inocência, agora Passos Coelho promove-o a modelo de virtudes empresariais a seguir por todos os que querem progredir no interior do país, por este andar Dias Loureiro ainda chega a candidato presidencial, isso se o Durão Barroso tiver mesmo desistido da sua candidatura, algo que foi pouco evidente numa semana em que o primeiro-ministro se lembrou do feriado que acabou e decidiu tratar dos seus “cadáveres” fora do Dia de Todos os Santos.
  
Finalmente Cavaco Silva reconheceu um erro nos seus mandatos presidenciais, o agora assumidamente exterminador de leis que ele próprio considera anacrónicas assumi que exterminou a lei da reforma agraria mas esqueceu-se de exterminar a da cobertura das eleições pela comunicação social. Cavaco é um exterminador rápido na execução mas lerdo, muito lerdo no pensamento e precisou de duas décadas para reparar que a lei é anacrónica. Curiosamente Cavaco nunca encontrou qualquer anacronismo em atribuir a um inspector da PIDE a pensão que recusou a Salgueiro Maia. Enfim, anacronismos de alguém que é anacrónico e anacronicamente incompetente para o cargo que desempenha.
 
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