sexta-feira, maio 01, 2015

O sindicalismo morreu

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O sindicalismo tal como o conhecemos no passado morreu, os sindicatos de hoje são uma espécie de híbrido resultante do cruzamento entre a DECO, a AMI e os sindicatos do tempo do filme “Há lodo no cais”. Os sindicalistas de hoje são treangênicos que ao longo de décadas aprenderam a resistir à mudança, aos interesses dos que supostamente representam e que obedecem apenas ao controleiro do partido que os promoveu.
  
Agora as lutas sindicais são conduzidas por sindicalistas sindicais escolhidos fora dos sindicatos, que não se esquecem de salvaguardar os seus direitos e mordomias nos acordos de empresa, que em vez de conduzirem lutas do trabalhadores ocupam-se das massas falidas financiando-se com comissões sobre as parcas indemnizações pagas aos trabalhadores despedidos.
  
À volta dos sindicatos vemos uma pequena burguesia, dum lado são escolhidos pelo partido e sonham ser presidentes da república, do outro são bajulados pelo Ricardo Salgado ou fazem os jeitos que a direita deseja na esperança de um dia receberem em troca a presidência do Conselho Económico e Social.
  
Não admira que no dia 1.º de Maio a maioria dos trabalhadores esteja a caminho das promoções nos hipermercados enquanto quem faz a mais violenta greve na história recente do sindicalismo português são trabalhadores que para muitos são burgueses, daí que em surdina ninguém lhes perdoe a greve.
  
Os sindicatos na acepção clássica do termo morreram ou, pior ainda, converteram-se em organizações que gerem muitos interesses para além daqueles que justificam a sua existência. Os pilotos querem parte do capital de uma empresa do Estado, os sindicalistas do fisco vão aos partidos pedir ajuda para sanearem colegas de quem o líder do sindicato não gosta.
  
São raras as lutas envolvendo operários, os sindicatos mais poderosos são os que beneficiam das mordomias que o Estado ou sectores mais ricos da economia concedem aos sindicatos. E quando há lutas sindicais não há solidariedade entre trabalhadores, se os do Metro fazem greve os da construção civil protestam pela falta de transportes, se são os enfermeiros da fazer greve são os do Metro que se irritam. E no meio disto tudo os grandes dirigentes das sindicais vão aproveitando para aparecerem nas televisões fazendo os discursos que interessa ao partido que os designou.
  
O sindicalismo está implodindo porque na sua liderança se instalou uma burguesia sindical, gente que teme o regresso ao seus postos de trabalho e que beneficiam de um estatuto social próximo dos patrões e cada vez mais distante do dos trabalhadores.

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