sexta-feira, maio 15, 2015

TAP

Se procurarmos os títulos nos jornais de Julho de 2014 encontramos notícias como “TAP cancela 50 voos em quatro dias (Jornal de Negócios), “TAP cancela voos a 1800 passageiros” (Expresso), “TAP cancelou mais 100 dos 291 voos programados” (DN), a toda agora eram notícia os voos cancelados em plena época de férias, com muitos passageiros a verem as suas férias de Verão estragadas. Na ocasião Pires de Lima, um ministro que se recusa a interferi na gestão das empresas a não ser precisamente na TAP; não queixava das consequências dos cancelamentos para as empresas, não fez nenhum balanço dos prejuízos nem pediu à administração da empresa qualquer plano para corrigir as consequências, estava mais preocupado com a imagem do país e afirmava que "estes cancelamentos e estes atrasos não são seguramente uma coisa boa  e devem ser um motivo de reflexão para a administração da TAP e para todos  nós". Nada de prejuízos nem para as finanças da TAP, nem para a imagem da empresa junto de potenciais investidores.

A TAP ia dando explicações desajeitadas e quando a notícia se tornou viral os responsáveis pela comunicação da TAP convocaram os especialistas para lhes “enfiar o barrete”, que o problema era das alterações que tinham ser feitas aos aviões. Nada foi dito sobre as condições em que estavam os aviões, sobre as reparações que tiveram de ser feitas e sobre os pormenores de um negócio. Passou-se a ideia de que eram aviões novos que estavam a ser configurados para as necessidades da TAP, escondeu-se que eram aviões usados. Pires de Lima prometeu apurar o que se passava mas, como diria Lopetegui, o assunto foi abafado por um manto protector, numa mais se soube nada, nunca mais se falou no assunto e nunca foram apurados os prejuízos.

Este foi um bom exemplo de como o actual presidente da TAP é um gestor fora de série, mas tenho muitas dúvidas de que se alguns dos seus negócios fossem devidamente avaliados há muito que este senhor teria sido despedido. É o caso da compra criminosa da empresa de manutenção no Barsil que está para a situação financeira da TAP como os investimentos da PT no GES estiveram para as contas da empresa de telecomunicações, a PT faliu e esteve de ser vendida, o mesmo está acontecendo com a TAP. O mais divertido ou talvez não é que os administradores da TAP foram condenados e até gozados em pleno parlamento enquanto o senhor da TAP ainda se pavoneia como se fosse um herói.

Aliás, a forma como este senhor se comporta é só por si suficiente para o convidar a abandonar a TAP. Imagine-se que um portugueses fosse gestor de uma empresa pública brasileira e decidisse andar de televisão em televisão fazendo campanha pela privatização apressada e a a qualquer custa da empresa,  contra a opinião de uma boa parte da população e dos partidos políticos. Imagine-se ainda que se senhor promovesse negócios ruinosos com compras de empresas falidas no estrangeiro ou com a aquisição de aviões a cair aos bocados. Há muito que esse gestor teria sido afogado na Praia de Copacabana.

Parece que um dos potenciais compradores da TAP, um empresário brasileiro das relações de Miguel Relvas, nem tinha condições financeiras para obter uma garantia bancária aquando da primeira tentativa de venda da TAP. É esse empresário que vai fazer na TAP os tais investimentos que o Estado não pode fazer? Alguns dos candidatos oferece garantias de preocupação com os interesses nacionais ou dá prova de grande capacidade financeira para desenvolver a TAP sem aumentar o seu endividamento?

É uma pena que não exista uma lei que permita responsabilizar civilmente os políticos pela sua incompetência, lei que em boa hora esses mesmos políticos souberam adoptar em relação aos funcionários públicos. A TAP vai morrer, mas nessa altura o rapazola dos Transportes desapareceu, o Bobo da Horta Seca anda armado em grande gestor nalguma empresa de vendas falas e Passos Coelho estará a fazer de comentador na SIC.
  
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