quarta-feira, março 02, 2016

A merda de hoje fertilizará o amanhã

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Nos dias de hoje não é frequente vermos um político que foi primeiro-ministro regressar ao estatuto de líder ou de candidato à liderança de um partido na oposição, em tempos de inversão de decisões é como se em vez de vermos a metamorfose de uma lagarta dando lugar a uma borboleta, estivéssemos perante um novo fenómeno da natureza, uma metamorfose inversa onde uma bela borboleta dá lugar a uma lagarta.
  
Um primeiro-ministro anda sempre com uma corte de graxistas que sorriem por tudo  e por nada, tudo o que diz é notícia, os jornalistas de serviços têm as notícias previamente com outros jornalistas que foram contratados para assessores. Os discursos são cuidadosamente preparados, bem estruturados, gramaticalmente perfeitos, escorreitos, articulados, com as piadas certas nos momentos menos esperados. Tudo é estudado ao pormenor, estantes cheias de sondagens e de estudos de opinião asseguram o sucesso do “produto”.

Estar no governo traz vantagens que não se ficam pelos tempos de intervenção nos debates parlamentares, contratam-se rebanhos de assessores, fazem suas todas as boas ideias produzidas por centenas de serviços públicos, apropriam-se das ideias de numerosos funcionários altamente qualificados, transformam-se projectos há muito em cursos em grandes ideias de quem governa.

Passos já não anda com grandes comitivas de gente que fica extasiada a ouvi-lo, agora são figuras secundárias que o ajudam a representar a pantomina do primeiro-ministro no exílio, o discurso deixou de escorreito, os momentos de espontaneidade deixaram de ter a qualidade de outros tempos, é um homem banal, sem grandes recursos intelectuais que tenta a todo o custo manter a chama das confiança nos que o ainda apoiam, luta desesperadamente pela sobrevivência na esperança de uma crise financeira lhe devolver o poder sem limites.
  
É uma boa oportunidade para analistas, cientistas políticos e até psicólogos, podemos comparar um politico manhoso, em ascensão inventados e apoiados pelos Relvas, depois um primeiro-ministro usando os recursos do Estado em proveito da sua imagem, e, por fim, um politico abandonado por quase todos, apoiando pelo incondicional Zeca Mendonça, rodeado por apoiantes de circunstâncias que se sentem mordomos do Forte de Santo Amaro, cuidando de um primeiro-ministro que bateu com a cabeça e ficou a imaginar-se primeiro-ministro até à eternidade. Não é difícil imaginar um Zeca Mendonça a retirar-lhe o pin da bandeirinha todos os dias, para lhe dar lustro à noite.

Tivemos um Passos Coelho na versão primavera, no poder como se fosse verão, agora assistimos à decadência da queda da folha, esperemos os que brevemente chegue o seu inverno para que o estrume permita ao PSD dar lugar a uma nova geração de plantas, ainda que haja algum risco de virem a nascer outra vez urtigas. Enfim, como diz o graffiti da Baixa de Lisboa “a merda de hoje fertilizará o amanhã”.

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