quinta-feira, março 03, 2016

Passos e o Bloco Central

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Hoje o país conhece as consequências da estratégia do PSD no equilíbrio das forças politicas portuguesas, as políticas de Passos Coelho foram um rotundo falhanço e em poucas semanas o país estava como estava, mas com muito mais dívida, e o inimaginável sucedeu, o BE e o PCP só não só cresceram como fazem parte de uma maioria parlamentar que sustenta um governo onde, de acordo com a opinião de muitas personalidades da direita, deveriam estar presentes.

Não só os partidos com soluções mais radicais cresceram, como só cresceram a esquerda, relegando o CDS para uma posição menor no parlamento, onde deixou de ser o terceiro maior partido, um dos motivos de orgulho de Paulo portas e dos seus seguidores. O mesmo Passos Coelho que apostou na sua aventura extremista tentou dois sobreviver no governo, com uma solução de bloco central alargado, proposta que António Costa recusou.

Passos Coelho não só já desistiu das suas eleições antecipadas na hora, solução que morreu com a eleição de Marcelo para a Presidência da República, como parece ter percebido que se quiser esperar por eleições antecipadas terá de encontrar um assento confortável, que evite a formação de calos no seu precioso dito cujo.

Quis o destino que aquele que recusou qualquer entendimento ao centro para que o PCP e o BE não crescessem, diga agora que espera voltar ao governo se ocorrer uma crise e Marcelo desejar que assim aconteça, mesmo sem a realização de eleições antecipadas. Isto é, Passos conta chegar a primeiro-ministro, passando Costa a seu número dois.  

O mesmo CDS que num momento de grande generosidade e pela boca de Paulo Portas ofereceu a António Costa o lugar de número dois, berra agora pela voz de uma Cristas, 1qu costuma inspirar-se em Jesus, que com Costa nem pensar, para ela o líder do PS está excomungado. Isto é, sabendo Passos desta inspiração de Cristas num Jesus que aprece ser o de Alvalade, ao propor-se para primeiro-ministro de um loco central já não é o do alargado, isto é, Cristas ficaria de fora, que é para não levantar muito a crista sem lhe perguntar nada.

Temos, portanto, uma personagem com uma palavra de configuração variável, a lembrar aquele que em tempos passou uma tarde reunido com Sócrates a discutir o PEC IV e depois veio dizer que foi apanhado de surpresa. O problema de Passos Coelho é que depois do famoso incidente do PEC IV e de uma moção a um congresso onde Marcelo ficou com a alcunha de Cata-vento tem uma palavra que nada vale em política.
 
Passos nem é confiável enquanto pessoa nem é do centro e muito menos social-democrata, o único bloco viável com ele é um bloco de direita, ou, talvez com algum líder fraco do PS, nunca com alguém tão detestado por Passos e Cristas como é o caso de António Costa. O problema é que quando contavam com um Seguro dispunham de uma maioria absoluta e optaram por gozar com ele. Como diria agora Cavaco, ele bem tentou esse entendimento antes de irem a eleiões.

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