sábado, março 05, 2016

Cem dias sem passos

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Paulo Portas partiu, Cavaco está quase a partir e se não fosse a pantomina do primeiro-ministro no exílio que está sendo ensaiada por esse devoto do falecido Borges respirar-se-ia melhor neste país e poderíamos estar a celebrar cem dias sem eles. António Costa tem razão ao dizer que o país está acordado de um pesadelo imposto por uma seita de doentes mentais que não têm a mais pequena consideração pelo cidadão comum.

Durante quatro anos os portugueses viveram sob permanente chantagem com um governo de canalhas que a coberto de um memorando acharam que Portugal poderia ser um híbrido concebido a partir do modelo económico de Singapura, das políticas de choque e Pinochet e do pensamento político dos Trumps e outras trampas do Tea Party americano que por cá teve a forma de Fundação Francisco Manuel dos Santos.
 Agora sabemos em que dias vai ser feriado no próximo ano, quanto vamos receber de ordenado daqui a dois meses, se podemos assinar acordos de reformas antecipadas, se os contratos de trabalho são para respeitar, se vamos pagar os impostos aprovados no OE. Acabou o tempo em que um anormalão descobria um desvio colossal e usava o FMI para fazer chantagem sobre os portugueses para ir ainda mais longe na experiência mengeliana de política económica.

Foram cem dias sem um primeiro-ministro não confiável, com um ministro das Finanças que não é um sonsinho, sem o sorriso cínico do Portas, as sacanices estatísticas do lambretas, os desse codes da Assunção Cristas, foram cem dias de normalidade, em que os portugueses voltaram, a ter as suas instituições na sua plenitude, sem um governo que recorra a truques para desrespeitar a Constituição.
  
Mais uns dias e estaremos livres de um presidente que esqueceu do seu compromisso principal com o país, de uma personagem que só quando a sua pensão foi cortada é que reparou que haviam abusos. Se não fosse a pantomina de um doido que em cem dias de pantomina já fez mais inaugurações do que as que Cavaco fez em dez anos e dir-se-ia que este país voltou á normalidade. Tem gente normal no governo e voltará a ter também na presidência, há regras, há princípios. Esperemos que uma qualquer financeira descubra os dotes intelectuais de Passos Coelho e fechar-se-á um ciclo miserável que foi imposto a Portugal.
 
Por agora temos de assistir à pantomina do exilado e nestes cem dias o primeiro-ministro no exílio já fez mais inaugurações do que Cavaco fez em dez anos, um dia destes ainda vamos ver Passos a ir a despacho à residência de Duarte e não me surpreenderia que no próximo ano o herdeiro da Casa de Bragança promulgue um OE só para que Passos se sinta confortável fazendo de conta que o pin da bandeira nacional faz dele um primeiro-ministro de verdade.

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