sexta-feira, março 11, 2016

Cem dias, cem diferenças

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A direita e o primeiro-ministro degredado em Massamá tentam passar a opinião de que não há alternativa à austeridade e que mais tarde ou mais cedo o governo terá de ceder ao peso da realidade. Quando dá jeito justifica-se  o que se fez com o memorando, depois promove-se a imagem do Passos revolucionário. Umas vezes apresenta-se a austeridade como inevitabilidade, outras defende-se que esta é uma via revolucionária a pensar no futuro. Mas são muitas as diferenças entre este governo e o governo dos mafarricos.

Neste governo não há um ministro das Finanças salvador, inspirado numa avó Prazeres das Beiras, a lembrar um outro que por lá nasceu. Não há um ministro das Finanças de quem se diz ser o verdadeiro primeiro-ministro e que todos esperam que venha a assumir esse cargo na primeira oportunidade. Não há um ministro das Finanças de quem se diz ser o homem de mão de entidades estrangeiras ou que anda a usar o país para que académicos duvidosos testem as suas teses. 

Neste governo não há agendas ocultas, não há renegociações do memorando feitas em segredo e sem divulgação de novas medidas, não se dão golpes da TSU decididas num dia e sobretaxas do IRS adoptadas no outro. Neste governo há um programa económico discutido com base em propostas apresentadas muito antes da campanha eleitoral. Não se inventaram desvios colossais nem pressões externas.

 Neste governo moderniza-se o Estado sem falsos guiões encomendados aos estrangeiros, apela-se aos contributos dos funcionários, reúne-se com as empresas, envolvem-se todas as entidades públicas e privadas. A reforma do Estado não feita por uns contra outros, para favorecer uns e prejudicar outros, para dar cobertura a ódios ideológicos ou como instrumento de negociação com ministros ambiciosos que de demitem de forma irrevogável.

  
Neste governo não se resolvem problemas financeiros orientando o aumento da carga fiscal no sentido de reduzir os rendimentos dos mais pobres, não se aumenta o IVA sobre bens essenciais como a alimentação ou a electricidade. Não se fazem desvalorizações fiscais com aumentos do IRS sore os rendimentos dos que trabalham para financiar as empresas através de reduções do IRC, não se acusa um povo de excesso de consumo para aumentar os impostos e reduzir os rendimentos dos que menos têm para consumir e menos consomem.

Neste governo não há agendas ocultas, não á um projecto de reformação do modelo económico e social de um país sem qualquer debate público, com base nas ideias que um qualquer maluco ou de um primeiro-ministro iletrado. 

Neste governo as decisões são assumidas pelo governo, sem desculpas, sem desvios, sem o recurso à chantagem externa, não há planos escondidos, não há mentiras eleitorais. Os cidadãos não são tratados como parvos ou como forças de obstrução que devem ser removidas recorrendo à mentira e à manipulação.

Neste governo não se combina com entidades externas as chantagens que estas devem fazer para que um povo amedrontado aceite a violação sistemática da Constituição. Neste governo não se reduz um Presidente da República a um banana que serve para passear no meio das cagarras ou para fazer apreciações sobre o sorriso das vacas da Ilha da Graciosa. 

Neste governo há muitas diferenças de que a direita e, em particular, o primeiro-ministro no exílio não gostam de falar.

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