segunda-feira, março 28, 2016

Deve ter sido distracção minha

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Espanta-me que os cidadãos se sintam açoitados por várias políticas empenhadas na caça à multa ao condutor, são GNR de vários tipos, PSP nas mais diversas funções incluindo o exercício de actividades privadas, são radares por todo o lado, tudo para que os comandantes das forças policiais atinjam recordes de receitas extras para que as suas instituições possam ser geridas à margem da legalidade.

O cidadão comum que se esqueça da mais pequena obrigação prevista num qualquer código fiscal recebe ofícios ameaçadores, cheios de artigos e articulados, com ameaças de coimas e sabe Deus de que mais e ai de quem se esqueça de pagar, arrisca-se a ficar com tudo penhorado, até o cão, o gato e o canário, se forem de raças com valor comercial, serão alvo da penhora em nome do bem da nação e do progresso.

Vivemos no medo, temos medo do polícia que olha pelo canto do olho para ver se estacionamos em local proibido, o carro patrulha da GNR que vigia o limite de velocidade na estrada onde um sinal de limitação de velocidade é impossível de ver por ter o sol atrás, é o fiscal das Finanças que nos pergunta pela factura da aspirina que declaramos para benefício fiscal há quatro anos atrás. E como se não bastasse sermos açoitados a toda a hora ainda temos de aturar os terroristas do ISIS.
  
Num dia morrem trinta e um cidadãos em três atentados terroristas Na Bélgica, mas numa estrada francesa e sem que fosse necessário recorrer a qualquer bomba foram mortos doze portugueses. As televisões andam atarefadas, não sabem se devem mostrar as velas junto junto ao edifício da Bolsa ou se deverão mostrar o testemunhos dos primos, dos presidentes da junta ou dos vizinhos das vítimas do acidente. O critério é o do choque, quanto mais chroso, quanto mais sangue, mais importante é a notícia.
  
E no meio de todo este terror questiono-me se os senhores das finanças não sabem que andam dezenas de carros para trás e para a frente, transportando emigrantes em condições medievais, sem factura e com motoristas de 19 anos que muito provavelmente nem pagam um tostão de impostos ou de contribuições. Nem a PSP, nem a GNR reparam nas carrinhas carregadas de gente, levando os emigrantes e a bagagem porta a porta.
  
O que nos vale é a preocupação dos governos, juntaram-se em Bruxelas para adoptar medidas contra o terrorismo, só de cá foram duas ministras, da Justiça e da Administração interna. Calculo que para combater o terror nos transportes clandestinos de emigrantes, que acabaram de fazer tantos mortos como um atentado do ISIS também tenham havido reuniões ministeriais e investigações das muitas polícias que nos perseguem de manhã à noite. Mas eu devo ter estado distraído e não dei pela notícia que dava conta das preocupações dos nossos governantes, polícias e de mais grupos ocupados da nossa vida.  Foi azar.
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