domingo, março 27, 2016

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A Páscoa costuma ser um tempo de religião, missas, procissões e visitas pascais, na igreja há uma mobilização geral, os canais nacionais preenchem os tempos mortos com os velhos filmes que apresentam o martírio de Cristo nas mais diversas versões, os canais por cabo passam o tempo a exibir os mais diversos documentários relativos à época de Cristo.

Este ano, às tradições pascais juntaram-se diversos acontecimentos que levam a que esta Páscoa tenha sido uma das mais intensas de que tenho memória, para além de algum ressurgimento Católico conseguido à custa do marketing de promoção do Papa Francisco, tivemos os atentados de Bruxelas e o frenesim presidencial de Marcelo, onde a exibição das suas convicções religiosas marcaram estas duas semanas.

Foi uma semana de intenso proselitismo, com o muçulmanos maus a promover o castigo dos que pecam ou dos que não reconhecem em Alá o único Deus e com os católicos no momento mais alto da sua evangelização, com procissões públicas de exaltação religiosa. Talvez merecesse a pena reflectir sobre o problema religioso da nossa sociedade e questionar se o proselitismo de algumas religiões, herdado da época das sombras faz hoje sentido. Porque a história da humanidade está farta de mortes provocadas pela mania de algumas religiões de classificar os não crentes de sere inferiores, seres imbecis que não viram a luz ou seres que não merecem grande consideração humana.

No meio deste quadro Marcelo decidiu afirmar a independência entre o Estado e a igreja afirmando a sua própria religiosidade. Ainda que se pudesse reflectir como é que um católico praticante consegue conciliar os seus deveres de evangelização com os princípios constitucionais em matéria de igualdade e de laicidade do Estado. Ainda assim, não podemos acusar Marcelo de infringir qualquer princípio, longe vão os tempos em que um presidente atribuía um qualquer sucesso nacional às rezas e mezinas da esposa.
  
Mas se não passa pela cabeça de Marcelo transformar a companhia de comandos num corpo de escutas, ou abrir as comemorações do Dia de Portugal com uma missa de acção de graças no Parque Eduardo VII (lembram-se da missa do Dr. Macedo? da DGCI?), já a mesmo não podemos dizer do nosso estimado cardeal, um homem que para bem do país falhou nas suas rezas por um governo do PAF. Quando ouvi o cardeal falar sobre a religiosidade de Marcelo ia caindo de costa, dizia o prelado que Marcelo foi à Mesquita mas a cerimónia não ocorreu na sala de orações, mas sim numa sala anexa, ufa, o que seria de nós se um Presidente que reza em todas as igrejas e procissões se lembrasse de rezar numa sala de orações da concorrência!
  
Mas a alegria do cardeal não ficou por aqui, teve o cuidado de explicar que antes de ir à Mesquita (paga pelos wabistas da Arábia Saudita, com o mesmo dinheiro com que financiam o ISIS) Marcelo dirigiu-se à Igreja dos Jerónimos. Natural, dirão muitos, é lá que está o túmulo de Camões. Enganam-se, D. Manuel Clemente teve o cuidado de esclarecer que ainda antes de se dirigir ao túmulo do poeta para a cerimónia da praxe, Marcelo deu um sinal do que para ele era mais importante, dirigiu-se a um altar e rezou uma oração. Fiquei descansado com o cuidado com que D. Clemente nos explicou que para Marcelo as suas convicções religiosas estão à frente do Estado. 
  
Esperemos que este fervor religioso acabe com a semana santa, que D. Clemente volte para a sua sacristia, e que Marcelo cumpra as suas obrigações de devoto sem que eu tenha de saber a quantas missas vai, quais as procissões em que participa e se prefere rezar antes ou depois de homenagear os heróis nacionais.


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