quarta-feira, maio 22, 2013

O presidente do governo do presidente

Há quem diga que o verdadeiro primeiro-ministro é Vítor Gaspar, puro engano, é verdade que quem manda no governo é o ministro das Finanças ficando reservado a Passos Coelho as reuniões internacionais e outros beija-mão do regime, mas o verdadeiro líder do governo, o presidente do governo é Cavaco Silva. O titular do condomínio presidencial de Belém, de que alguns dizem que é uma espécie de presidente, é o verdadeiro presidente do governo, este governo é muito mais do que um governo de iniciativa presidencial, é um governo presidencial pois há muito que não há qualquer fronteira ou separação de poderes.

Depois de ter derrubado, ajudado a derrubar, criado condições para derrubar ou de ter feito tudo isto ao mesmo tempo Cavaco Silva não poderia ter assumido desde logo o apoio militante ao governo. Fê-lo de forma mais ou menos clara ou trabalhando nos bastidores e de vez em quando, aqui ou acolá, deu uns pequenos beliscões mais para cuidar da sua imagem do que para alterar o que quer que fosse na política governamental. Durante algum tempo ainda parecia que Manuela Ferreira Leite desempenhava o papel de porta-voz oficiosa dos sentimentos do cavaquismo, mas nem isso parece ser verdade. Se, por um lado, Ferreira Leite continua fiel às críticas que sempre fez, Marcelo e Marques Mendes fazem o seu papel de manipuladores de opinião pública em favor do governo de Cavaco. Marques Mendes acumula mesmo o papel de confidente de Cavaco e de Passos Coelho.
Quando se sentiu pressionado pelo PS o que fez Cavaco Silva? Teorizou sobre as desvantagens da democracia em pleno parlamento, escolheu precisamente o 25 de Abril para defender a tese de que as eleições democráticas não servem para nada e que em situação de crise financeira a democracia parece só ter inconvenientes.
Compare-se a postura e Cavaco Silva com os diplomas aprovados pelo governo de Sócrates, pela maioria absoluta do PS no parlamento ou mesmo pela maioria da esquerda quando o PS não contava com a maioria absoluta. Era frequente Cavaco pedir maiorias alargadas, tudo servia de tema para que a maioria absoluta no parlamento justificasse a promulgação. Desde que o seu partido conseguiu ter uma maioria absoluta contando com os votos dos deputados de Paulo Portas nada exige uma maioria para além dos deputados da direita. Com o seu governo tudo foi aprovado por uma maioria suficiente e nada justifica que se questione a constitucionalidade, a não ser que o governo toque nas pensões da família presidencial.
Este é o governo de Cavaco Silva e da própria família Silva que quando acabar o contrato com a ZON prestará a justa homenagem ao patriarca dando o seu nome ao Pavilhão Atlântico, um excelente negócio que permitiu a um tal Montez adquirir património do Estado a preços de saldo. Compreende-se o apoio militante de Cavaco Silva ao seu governo, a sua alergia a eleições a não ser quando a Constituição o forçar e a tentativa de assobiar para o ar perante a crise convocando o Conselho de Estado para discutir o que daqui a mais de um ano a Nossa Senhora de Fátima vai revelar à dona Maria.
 
Cavaco e o governo são um só,a mesma identidade, ele é o presidente do governo do presidente, Passos Coelho não passa de uma marioneta de Belém a quem foi atribuído o papel de dar a cara àquele que Sócrates designou pela mão que está atrás do arbusto.
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