sábado, maio 25, 2013

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Flor do Parque da Bela Vista, Lisboa
 Cada país tem o que escolheu
 
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 Sem legenda

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 Um dos 4 significados para palhaço (Dicionário Houaiss)
  
Pessoa que provoca o riso ou não pode ser levado a sério.

 Diálogo

«Ó Anibalito, está descansado, já falei com a Nossa Senhora de Fátima e Ela garantiu-me que punha o Gaspar atrás de ti nas sondagens, o padrinho dele é um protestante alemão que não acedita nos milagres da santinha!»

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 Mudando de assunto
   
«Quando estão anunciadas medidas que marcarão decisivamente o futuro do País e está tudo por consensualizar (dentro e fora do Governo) quanto ao dia de amanhã, o Presidente da República preferiu mudar de assunto e convocou o Conselho de Estado para falar de “bugalhos”.

A pergunta que ocorre fazer é esta: porque é que a actualidade não é tema que convenha ao Presidente?

Comecemos por desfazer um equívoco crónico: o Conselho de Estado não é um órgão de consulta do Governo, é um órgão de consulta do Presidente. E não é o Presidente que governa, nem agora nem no "pós-‘troika'". Ora, não cabendo ao Presidente definir a estratégia de governação do País, nem presente nem futura, não se percebe que tenha de ser aconselhado sobre ela.

Coisa diferente, e mais compreensível, seria o Presidente usar a sua magistratura de influência para promover processos de concertação política e social sobre a estratégia de desenvolvimento do País, que cabe ao Governo definir. Mas nem o Conselho de Estado foi convocado para discutir propriamente os "processos de concertação", nem dele saiu nenhum impulso conhecido a uma dinâmica concreta de consensualização de uma estratégia "pós-‘troika'". A conclusão só pode ser uma: o Conselho de Estado foi um fiasco. Não passou de uma tentativa falhada de mudar de assunto.

Mas, afinal, mudar de assunto porquê? A resposta, creio eu, está nas quatro mensagens implícitas na surpreendente agenda fixada pelo Presidente (a discussão do "pós-‘troika'"). Todas essas mensagens são erróneas mas todas elas são também favoráveis ao Governo.

A primeira mensagem é a própria ideia de que a 7ª avaliação já está, como disse o Presidente, "para trás das costas" - como se o assunto estivesse arrumado, abrindo espaço para que as atenções se concentrem no futuro. Nada mais falso: nem o Governo sabe ainda concretizar com rigor muitas das medidas de austeridade pressupostas na 7ª avaliação, nem sobre elas se estabeleceu qualquer concertação política e social ou sequer um consenso firme dentro do próprio Governo. Parece evidente que a prioridade do Presidente da República deveria ser enfrentar a complexa realidade de hoje.

A segunda mensagem que resulta da agenda futurista do Presidente é a ideia de que, fechada a 7ª avaliação, a ‘troika' está de saída - como se isso estivesse já ali, ao virar da esquina. A verdade é outra: não só o programa acordado pelo actual Governo com a ‘troika' implica novas medidas brutais de austeridade que têm ainda de ser consagradas no Orçamento Rectificativo de 2013 e no Orçamento para 2014, como o grau de destruição da economia causado pela espiral recessiva, com os seus reflexos no agravar da dívida pública (127,3% do PIB), deixarão o País sem condições para um regresso sustentável aos mercados e, portanto, à mercê de um qualquer sucedâneo da actual ajuda externa, com ou sem ‘troika'.

A terceira mensagem que se esconde na agenda fixada pelo Presidente - e porventura a mais enganadora - é a ideia de que pode haver dois debates distintos: um, que está na ordem do dia, sobre as medidas de austeridade; outro, de que agora se lembrou o Presidente, sobre o "pós-troika". A distinção, porém, não faz sentido: como não pode deixar de saber quem se disse preocupado com a espiral recessiva, a situação do País no "pós-‘troika'" será profundamente determinada pelas medidas que forem aplicadas agora.

Finalmente, da agenda do Presidente decorre a mensagem implícita de que este é o momento para começar a discussão sobre a estratégia para o período pós 2014. Mas deve haver nisso algum lapso: como é certamente do conhecimento do Palácio de Belém, o Governo já aprovou e entregou em Bruxelas o Documento de Estratégia Orçamental para 2013-2017, cujas metas orçamentais condicionam decisivamente qualquer estratégia no período "pós-‘troika'". E fê-lo sem qualquer prévio diálogo político ou social, justificando merecidas críticas dos partidos da oposição e dos parceiros sociais. Só não se ouviu o Presidente da República.» [DE]
   
Autor:
 
Pedro Silva Pereira.   

 A portaria e os exorcismos do Gaspar
   
«A Igreja Católica voltou a estar preocupada com o diabo: do exorcismo realizado pelo papa Francisco na Praça de São Pedro até à contratação urgente de especialistas na matéria que o cardeal Rouco se propõe fazer em Espanha, a hierarquia católica dedicou-se furiosamente a esconjurar o demónio nestes últimos 15 dias. Os agnósticos têm dificuldade em lidar com estas coisas, mas é por vezes difícil encontrar outra explicação coerente para algumas ocorrências que não provenha da mão do diabo - ou da sua instalação nos detalhes.

Vejamos a decisão do governo de realizar uma das mais brutais "reformas" dos últimos tempos através de portaria - a dos despedimentos na função pública. O ministro Luís Marques Guedes veio ontem comunicar oficialmente a armadilha diabólica decidida pelo governo para esconder o debate político e impedir que outros órgãos de soberania - Presidente da República, Assembleia da República - se pronunciem sobre uma das mais fracturantes decisões deste governo. O facto de os despedimentos na função pública, ou do seu "anteprojecto", estarem a ser discutidos na Concertação Social não é razão aceitável para que entrem em vigor através de uma portaria. Em qualquer altura, uma reforma deste género decidida através de portaria seria surreal, mas quando a legitimidade do governo é, neste momento, meramente formal - a maioria parlamentar em que se sustenta dá todos os dias sinais de se desmoronar -, avançar com os despedimentos da função pública através de uma portaria só pode revelar o mais completo e acabado divórcio entre o governo e os portugueses.

Se o procedimento é miserável, o acto em si é mais um contributo para a destruição da economia nacional e a consumação de uma campanha que, desde o início, o governo desencadeou contra "os funcionários públicos" - assim como contra os reformados -, equiparando-os a pouco mais do que párias do regime. Bem pode Vítor Gaspar fazer o exorcismo - repetindo muitas vezes "este é o momento do crescimento" - quando, a começar nos funcionários públicos despedidos e nos reformados cujas pensões foram cortadas, não vai haver ninguém para comprar produtos às empresas que poderão agora recorrer à diminuição do IVA. A economia não cresce por portaria nem com os discursos de Gaspar contra os críticos da troika: diz o ministro que qualquer palavra contra "os nossos credores" é uma palavra contra o país. Para Portugal, é urgente a libertação de uns certos demónios.» [i]
   
Autor:
 
Ana Sá Lopes.
      
 Parece que Passos não quer mais esta chatice
   
«Entendo muito bem as preocupações do pai de Passos Coelho. Com a sabedoria que demonstra e a idade adicional, ele prevê que o fim não será plácido, tanto para o filho como para todos nós.

Numa instrutiva entrevista ao jornal "i", que me parece cada vez mais vivo e actuante, o dr. António Passos Coelho, pai do dr. Pedro Passos Coelho, afirmou ter aconselhado o filho a demitir-se. E adiantou: "O meu filho está morto por ver-se livre disto." Com perdão da palavra, também todos nós estamos fartos do filho dele. E se, como diz, "quando isso acontecer, a gente cá em casa vai fazer uma festa", as festas que os Portugueses irão fazer não terão meças com quaisquer outras.

O verdete que se tem manifestado contra Passos filho não tem paralelo na história da nossa democracia, talvez a par do desprezo já não dissimulado pelo dr. Cavaco. O mal-estar provocado pelas políticas do primeiro, e o patrocínio do segundo a esta incomensurável desgraça, infensas à denúncia radical de que são objecto, estão a esvaziar de sentido o próprio conceito de nação.

A revisão dos valores, com os quais articulámos o nosso modo de viver, é das agressões mais graves feitas por este Governo e pela ideologia que o sustenta. Notoriamente, apenas Paulo Portas possui uma noção cultural desses valores. Mas capitulou, em nome não se sabe rigorosamente porquê. E essa capitulação é dos factos políticos e morais mais graves. Na verdade, ele tem servido os interesses daqueles que ele despreza. É claro que ele conhece, como poucos, a situação para a qual estamos a ser arrastados, e muitos dos seus companheiros de partido deixaram de ser omissos nas críticas. Pires de Lima, por exemplo, não esconde o desconforto ante as constantes reviravoltas de Portas, e os danos que essas cambalhotas irão causar no próprio CDS-PP.

O velho iconoclasta, autor de algumas das mais sulfúricas críticas ao dr. Cavaco, na época do "Independente", converteu-se aos prestígios do neoliberalismo e transformou-se num vassalo das ideias que, em tempos, causticou, com fúria incomparável. Seria talvez importante recuperar esses textos, escritos, aliás, num idioma de lei, e estabelecer paralelismos comparativos com o que hoje diz o mesmo autor. Evidentemente, não há símile cultural, intelectual e mesmo político entre Passos e Portas, o que torna a "cumplicidade" ainda mais estranha.

A situação torna-se cada vez mais dramática quando a burguesia, na qual, inicialmente, o primeiro-ministro apoiou, foi por ele liquidada, numa dimensão cujos estragos ainda não foram apurados. Poucos, ou nenhuns, membros do Executivo nos conhece, à nossa História e às nossas características essenciais. Estão como os funcionários da troika; pior ainda: estes são meros executantes de uma estratégia que se regula pelos "mercados", num delírio histórico provocado por uma doutrina pervertida e alienante.

Como dizia o meu amigo inesquecível, Manuel da Fonseca, referindo-se a outras circunstâncias: "Isto ainda vai acabar mal." Entendo muito bem as preocupações do pai de Passos Coelho. Com a sabedoria que demonstra e a idade adicional, ele prevê que o fim não será plácido, tanto para o filho como para todos nós. Mas foi Pedro quem escolheu os caminhos, este e o seu, indissociáveis de uma ambição teimosa. A conjunção de um homem, de uma acção e de uma obra implicam uma ideia de destino, por vezes trágica.

O traço de miséria, de fome e de desespero deixado por este homem frio de gelo, indiferente ao clamor das ruas e aos protestos das consciências avisadas, é demasiado fundo e tenebroso para que seja facilmente esquecido. Em tempos, Ângelo Correia, seu mentor e protector, na vida e nos empregos, disse que Passos era o ser mais determinado e concludente que até então conhecera. Nada de mal, quando essas aparentes virtudes são colocadas ao serviço de causas em abono das comunidades. A obsessão do "pupilo" pela obediência servil (neste caso a Merkel), pela manutenção dos privilégios de uma minoria, pelo conformismo nas ideias, é manifesta. E a cegueira com que evidencia pelas decisões de Gaspar, sem recalcitrar, sem se opor, sem confrontar, atinge aspectos perturbadores.

Sabemos que quem manda em Portugal é a finança. Porém, alguém devia dar um murro na mesa e bater com a porta. Passos Coelho é incapaz de qualquer uma destas atitudes.» [Jornal de Negócios]
   
Autor:
 
Baptista-Bastos.
 
     
 Mais um a atacar o Tribunal Constitucional
   
«O Ministro-Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, criticou hoje o Tribunal Constitucional (TC) por limitar "em excesso" a "liberdade de deliberação democrática" nalgumas matérias, defendendo, contudo, o respeito pelas suas decisões.

"Como académico, fui crítico do Tribunal Constitucional alemão por achar que este limitava em excesso a liberdade deliberativa do processo político alemão na sua participação na Europa. Nesse sentido, estou à vontade para poder criticar o Tribunal Constitucional", afirmou Poiares Maduro na conferência "Consensus e Reforma Institucional", a decorrer na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.» [i]
   
Parecer:
 
Invoca o estatuto de académico para fazer o que não deve como político.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Se o académico Poiares não se sente à votande com as regras que diga ao político Maduro que se demita, até porque tem sido tão incompetente que já se sentem saudades do Miguel Relvas.»
      
 Pobre Cavaco
   
«A página oficial do Facebook de Cavaco Silva encheu-se de insultos ao Presidente, no espaço de comentários a fotografias do Chefe de Estado. "Incompetente", "Vilão", "Contorcionista", "Bandido", "Larápio", são alguns dos comentários que se podem ler. 

Os comentários insultuosos de utilizadores do Facebook começaram a chegar depois de Cavaco ter pedido à Procuradoria-Geral da República que analisasse as declarações do escritor Miguel Sousa Tavares, que chamou o Presidente de “palhaço” numa entrevista publicada hoje no Jornal de Negócios.

No espaço de comentários das fotografias de Cavaco, no Facebook, também há utilizadores que colocaram ligações para vídeos no Youtube, relacionadas com a temática dos palhaços, como um vídeo de uma peça da ópera Pagliacci, do século XIX, interpretada por Luciano Pavarotti, na qual o tenor diz “No, pagliaccio non son”.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Foi pior a emenda do que o soneto.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Cavaco que resigne, as eleições antecipadas da Presidência da República não colidem com o poder do Gaspar.»
   

   
   
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