terça-feira, maio 07, 2013

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Andorinha-das-chaminés, Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António
   

 Dúvida

Se o memorando era excessivamente exigente, como tem vindo a defender Passos Coelho, então porque razão os sucessivos pacotes de austeridade decididos pela troika governamental são bem mais duros do que o previsto no memorando?


  
 O governário maluco
   
«Amanhã os miúdos de 10 anos vão a exame do 4.º ano. Eles aprenderam coisas de aprender, como o Abecedário Maluco, de Luísa Ducla Soares: "H é o Hugo mais gordo que um texugo [...] M é o Mário guarda os livros no aquário..." É um livro recomendado no programa do 4.º ano, onde se brinca com letras: "Subi pela rua abaixo/ Vestido de corpo ao léu", diz um dos seus poemas. Pois, amanhã, com esta bagagem, os miúdos vão ter com o mundo adulto, que não é de embalar. O exame é de Português. Sabem que primeiro texto lhes vão estender? O Modelo 14, um "termo de responsabilidade", sob "compromisso de honra", que do alto dos seus 10 anos os miúdos terão de assinar, jurando que não têm na sua posse um telemóvel! Na verdade, este Modelo 14 é que prepara as crianças para este Portugal de hoje, não as belas palavras de Luísa Ducla Soares. Definição deste Portugal: 1) na sexta, Passos Coelho, Chefe do Governo, apresenta novas medidas, entre as quais a taxa sobre as pensões; 2) no domingo, Paulo Portas, que também é do Governo, diz que "o primeiro-ministro sabe e creio ter compreendido: esta é a fronteira que não posso deixar passar" - e "esta" é a tal taxa sobre pensões... É este tipo de maluquice, quer dizer, coisas que não batem certo, que nos governa e determina. As do Abecedário Maluco só servem para enganar as crianças sobre um mundo que não existe (diz um Modelo 14 qualquer que assinámos já não me lembro quando).» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.   

 O excelentíssimo senhor ministro das Finanças
   
«Vítor Gaspar, o principal artífice da penúria em que o país vai ficar, irremediavelmente, durante décadas, engendrou durante meia-dúzia de meses um novo saque aos portugueses, cuja dimensão ainda está por apurar. Passos Coelho, o líder do PSD e, formalmente, do governo, ficou incumbido de apresentar esta nova vaga de destruição, o que fez com ar solene, na sexta-feira, às 20 horas. Para aqui chegar, contou com a cumplicidade activa do Presidente da República, que adoptou este governo como seu, e de Paulo Portas, o subalternizado parceiro da coligação governamental. O ministro das Finanças sabe melhor do que ninguém que a aplicação das medidas por si congeminadas, as anteriores e as actuais, vai fazer de Portugal um país miserável e sem esperança, com um desemprego nunca atingido, com mão-de-obra barata, sem protecção social, a emigrar para sobreviver, sem dinheiro para comer, para educar os filhos ou ir ao médico. É esse o seu objectivo e a sua missão, apadrinhada pelo PSD: reduzir à pobreza a maioria dos portugueses e à insignificância as competências do Estado na Saúde, na Educação e na Segurança Social de modo a que estes sectores de actividade se transfiram para a “competência” de grandes grupos económicos privados. Nessa altura, Vítor Gaspar voltará à Alemanha, ao BCE ou a qualquer outro poiso e, provavelmente, receberá uma medalha de mérito pelos serviços prestados, atribuída por Schauble, o ministro das Finanças alemão e seu patrono, no Bundestag, dirigindo-lhe na ocasião palavras de apreço e enaltecendo a sua “clarividência, determinação e coragem”, enquanto, por cá, o povo português o eternizará como um colaboracionista, estou certo disso, como o fez a Miguel de Vasconcelos, não o atirando pela janela por falta de oportunidade.

Vítor Gaspar sabe que todo o país sabe que é ele quem manda, quem decide, quem define o rumo do governo e do país, como só houve um caso semelhante em Portugal, o de António de Oliveira Salazar entre 1928 e 1932, com as consequências que todos conhecemos. Nem sequer o incomoda que o tomem por incompetente por falhar todas as previsões e todas as contas ou por não atingir o mínimo que lhe era exigido: cumprir as metas do défice orçamental. E muito menos o incomoda o destino da maioria dos portugueses. Ele sabe que os objectivos que pretende atingir têm um percurso a fazer: o completo falhanço do Orçamento do Estado de 2012 permitiu-lhe duplicar a dose, no mesmo sentido, em 2013; a previsível (e parece que desejada) declaração de inconstitucionalidade do Orçamento de 2013 abriu o caminho ao saque agora anunciado; e a trama consolida-se com outras manobras de diversão: agora, mais uma inconsequente conferência de imprensa do líder do CDS-PP; depois, a convocação de um conselho de Estado. É neste cenário de distorção democrática, em que quem decide se recolhe atrás da cortina, que Passos Coelho se esforça, em vão, e sem a noção do descrédito, por tapar o céu com uma peneira. Na mesma linha de há dois anos, quando disse que não retirava os subsídios de férias e de Natal ou que não despedia funcionários públicos, agora quer fazer acreditar que está empenhado em que o saque engendrado por Vítor Gaspar seja embrulhado num amplo “consenso com os partidos políticos e os parceiros sociais”, quando nem sequer com o parceiro de coligação se entende. Ou, pior ainda, querer que alguém acredite em supostas “medidas de crescimento e de fomento industrial”, entremeadas no saque de mais de seis mil milhões de euros, é o mesmo que acreditar nos milagres de curandeiros.

Já poucos tomam a sério o primeiro--ministro e, estou convicto, que este governo só cai antes do prazo se Vítor Gaspar se demitir ou se o resultado das eleições autárquicas convencer Paulo Portas que tem condições para ganhar uma fatia importante do eleitorado do PSD. Até lá, Paulo Portas continuará a marcar diferenças, como na conferência de imprensa de ontem, mas o excelentíssimo ministro das Finanças seguirá, impávido e sereno, o seu rumo. » [i]
   
Autor:
 
Tomás Vasques.
   
  
     
 O pitbull do Olli Rehn apoiam a pinochetada do Portas e Gaspar
   
«"Saudamos a consolidação com ênfase em medidas de redução permanente de despesa, em vez de medidas pontuais ou de aumento de impostos", que são "mais prejudiciais para o crescimento", disse o porta-voz do executivo comunitário para os Assuntos Económicos e Financeiros, Simon O'Connor, durante a conferência de imprensa diária da Comissão Europeia, em Bruxelas.» [CM]
   
Parecer:
 
Este rapazola se fosse noutros tempo seria das SS, mas com aquilo que se está passando ainda o poderemos ver um dia destes nesse papel.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se esse pitbull à bardamerda.»
      
 Uma pequena vingança 
   
«O deputado do PSD, Duarte Marques, enviou esta segunda-feira uma pergunta ao Ministro da Finanças sobre o processo de aprovação de um crédito de 100 milhões de euros, pela Caixa Geral de Depósitos (CGD), à empresa Pescanova.

Segundo o texto da pergunta a Vítor Gaspar, a que a agência Lusa teve acesso, o deputado pretende ser esclarecido sobre quantos contratos de crédito e que montantes tem a CGD com o grupo espanhol, detentor em Mira, Coimbra, da Acuinova, a maior unidade mundial de produção de pregado.

No texto, Duarte Marques recorda que o apoio do Governo português à Pescanova foi um "investimento prioritário" do executivo liderado, à data, por José Sócrates e que, "a bem da transparência e da boa gestão e protecção dos interesses públicos, há várias dúvidas que é necessário esclarecer".» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
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Este ódio do PSD à Pescanova só pode ter algo que ver com o investimento que a empresa fez quando Sócrates era primeiro-ministro.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se em cima do deputado.»
   
 Cavaco convocará a inutilidade quando considerar útil
   
«O Presidente da República afirmou esta segunda-feira que quando considerar "útil para o país" convocará o Conselho de Estado, reiterando que se rege por uma "defesa intransigente" do interesse nacional.

"Quando considerar útil para o país não deixarei de convocar o Conselho de Estado", disse o chefe de Estado, quando questionado sobre os comentários do conselheiro de Estado Luís Marques Mendes, que sugeriu no sábado que o Presidente da República iria convocar o seu órgão político de consulta para analisar a estabilidade política.» [Público]
   
Parecer:
 
Convenhamos que com um "p"residente destes não há conselho que lhe valha.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Cavaco se mandou o chefe da Casa Civil puxar as orelhas a Marques Mendes.»
   

   
   
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