domingo, maio 05, 2013

Semanada


A RTP deve começar a prensar rapidamente na criação de um terceiro canal só paras comunicações oficiais e inconfidências governamentais, com reuniões intermináveis e inconclusivas do governo, com conversas em família quase diárias do Passos Coelho, com Marques Mendes a antecipar diariamente o que vai sair no Diário da República uma semana depois e agora com o exclusivo “Perdoa-me” do Paulo Portas, o canal de notícias não chega e à semelhança da televisão do parlamento faz sentido existir um programa do governo. Bem, se a televisão tentar reproduzir todos os apelos que o Maduro faz ao consenso é caso para dizer que esse novo canal teria de ter 25 horas de programação pois só a palavra consenso é repetida tantas vezes como o intelectual do governo que só por si consumiria uma hora de antena.
 
Cavaco Silva continua entretido a cuidar dos canteiros de coentros, algo precioso na gastronomia de verão na Quinta da Coelha, pelo que é de esperar que o jipe que Cavaco usava para carregar os processos do tempo do Sócrates seja agora usado para levar os vasos da salsa e dos coentros. É que agora a austeridade é tão pouca que o Presidente nem precisa de se preocupar, as decisões merecem consensos tão alargados que Cavaco não precisa de devolver nada ao parlamento e a constitucionalidade das leis é tão rigorosamente cuidada pelo Gaspar que só se for obrigado é que o “p”residente sente necessidade de incomodar os juízes do Constitucional.
 
O primeiro-ministro Gaspar lá adoptou mais um programa de austeridade porque o Tribunal Constitucional decidiu dar cabo do anterior. O porta-voz de Gaspar lá foi comunicar a decisão e saiu das portas brancas da residência oficial com aquela cara de George Bush que Deus lhe deu e com ar de quem ia a entrar apressadamente no Air Force One. Não se compreende como é que este artista chumbou no casting para a peça de teatro do Felipe La Feria, ou o conhecido realizador estava distraído ou o casting foi antecedido por psico-técnicos para avaliar a inteligência dos figurantes.
 
Durante dois anos ninguém soube do negócio dos swap e que as brincadeiras finaceiras dos admiradores de António Borges custavam ao país o equivalente aos cortes dos subsídios aos funcionários públicos. Mas o governo tinha de resolver o problema pelo que branqueou a sua composição com uma remodelação manhosa e preparou o branqueamento da amiga de Passos Coelho da Lusíada. Agora não há dia que a comunicação não dê conta dos sucessos negociais da senhora, ainda vamos ter de lhe agradecer os negócios que ela e os seus amigos fizeram nas empresas públicas para melhorarem os resultados de forma artificial e dessa forma empolar os seus próprios prémios de gestão.

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