sábado, fevereiro 06, 2016

O orçamento que não podia passar


Quem tem saudades deles que levante o braço

A bem de Portugal e dos superiores interesses da Nação a direita tudo fez para que a aprovação de um OE para este ano fosse um processo dramático em consequência do choque entre as exigências da troika e a condições colocadas pelo PCP e pelo BE para o aporvar. Enquanto o processo negocial decorria em Bruxelas a direita sonhou com o regresso às semanas que antecederam o pedido de ajuda em 2011.
  
O jornalistas desdobravam-se em pedidos de opinião às agências de notação e todos os dias esperavam que a DBRS considerasse como lixo a dívida portugueses ao mesmo tempo que consultavam, os indicadores das bolsas na esperança de verem os juros da dívida portuguesa subirem exponencialmente. Cada sinal de que Bruxelas poderia chumbar o OE provocava um orgasmo colectivo e ainda na sexta de manhã o jornalista da TVI em Bruxelas dava conta de que a Comissão ainda podia chumbar o OE, ainda havia esperança.
  
A direita ensaiou uma tentativa de levar a Comissão Europeia a tratar Portugal da mesma forma que tinha tratado a Grécia, muito por influência de um Passos Coelho para quem ganhar as eleições justificava todas as manobras, golpes, mentiras e fraudes. A tese da solução única, a mentira de que os cortes dos vencimentos seriam recuperados gradualmente, o modelo de crescimento assente numa austeridade que funcionaria como uma poda drástica tinha de vencer.
  
O grande mal deste vencimento não está nas medidas que comporta ou na inutilidade de um debate onde a direita não pode assumir o que deseja, Passos não disse ainda qual era a metade do programa que não lhe deixaram implementar. O grande mal deste orçamento está no facto de provar que o país viveu durante quatro anos embalado por uma combinação de mentiras e chantagens. 

O país viu que um primeiro-ministro não tem de fazer vénias a um qualquer funcionário do FMI, que há uma grande diferença entre uma visita da Troika e a embaixada de D. João II a Roma, que é possível negociar com Bruxelas, que o país nunca perdeu a sua soberania. O país percebeu que foi enganado por um Passos Coelho que viu na situação de excepção a oportunidade de governar sem respeitar a Constituição e sem se preocupar com as consequências dos seus excessos.


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