segunda-feira, outubro 03, 2016

O estranho amigo da Geringonça

A política portuguesa tem destas coisas, aquele que andou armado em primeiro-ministro no exílio, é agora o grande defensor da manutenção da Geringonça, mais um pouco e ainda vai defender o prolongamento da legislatura. Em Agosto previu uma desgraça em Setembro, mas os seus assessores que analisam as execuções orçamentais ter-lhe-ão dito que estavam enganado e o segundo resgate não estaria para já, em outubro já diz que não tem pressa.

Aquele que foi apanhado de surpresa pela Geringoça e que durante meses ou fez de morto ou aparecia para dramatizar, exigindo planos B, prevendo desgraças e ameaçando com um segundo resgate, mudou de estratégia. Ele que acusou António Costa de inventar a Geringonça para sobreviver, agarra-se agora à geringonça para se escapar com vida até ao fim da legislatura.

 O destino tem destas coisas, num momento de miopia política decidiu gozar com Marcelo Rebelo de Sousa, dizendo que o PSD não apoiaria cata-ventos políticos nas eleições presidenciais. Depois ter tido o azar dos Távoras apanhando com Marcelo em Belém sem lhe dever um único voto, é Passos Coelho que se transforma num cata-vento para sobreviver ao próprio Marcelo.

O PSD da extrema direita de Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque, Morgado e outros é um partido à deriva e sem Passos no poder, para unir as bases em torno dos favores do Estado, vai-se desintegrando. Passos Coelho não tem programa, não tem ideias, não tem propostas, é um vazio político que chegou ao poder graças a uma crise e que espera uma nova crise para regressar ao poder.

Passos aposta tudo numa desgraça para voltar a ser primeiro-ministro, isto é, o se regresso ao poder seria sinal de mau agoiro. Mas com um governo a funcionar bem, com o país a perceber que os excessos de austeridade não eram necessários e que resultaram da aplicação a Portugal da receita económica de Augusto Pinochet, Passos percebeu que começa a ser um cadáver político que se esqueceram de enterrar.

Agora já exige medidas que traduzam o fim da austeridade, já não critica as reversões e até defende que a Gringonça se mantenha no poder. Passos agarra-se desesperadamente à Geringonça para sobreviver. Passos é, neste momento, o maior adepto da Geringonça.

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