domingo, outubro 30, 2016

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Nuno Félix, boy imbecil
Tiago Brandão 

O que passará pela cabeça de alguém para dizer que tem duas licenciaturas, quando sabe que não concluiu nenhuma? EM Portugal as notas das cadeiras dos cursos universitária são tornadas públicas, ao contrário do que sucede, por exemplo, nos EUA. Há centenas de alunos numa universidade e, como diz o povo, apanha-se mais depressa um mentiroso do que um coxo.

É preciso ser imbecil para que alguém escarrapache no DR um currículo com duas licenciaturas que não tem, convidando os seus inimigos e adversários políticos a denunciá-lo. Só alguém muito imbecil cede à tentação de dizer que tem duas licenciaturas, ainda mais quando no passado andou a pedir ao MP que investigasse as habilitações dos outros.

Agora espera-se que haja consequências, que responda por falsas declarações, que seja obrigado a repor vencimentos que possa ter recebido de forma indevida e ser expulsos do PS porque nos partidos democráticos não há lugar para mentirosos idiotas.

«Em 2013 Nuno Félix, que esta sexta-feira se demitiu após as notícias em torno das suas duas alegadas licenciaturas, que não completou, terá instigado os magistrados do Ministério Público e jornalistas a investigar as licenciaturas dos políticos em funções.

As declarações têm mais de três anos e terão sido proferidas no Facebook, segundo uma publicação hoje partilhada pelo social-democrata Carlos Abreu Amorim.» [Notícias ao Minuto]


Pela primeira vez este blogue designa dois "jumentos" do dia, porque a "existência" de um boy como o Sotôr ao quadrado Nuno Félix só é possível graças à inversão de valores promovida pelo ministro da Educação. Pela primeira vez um ministro impõe um chefe de gabinete sem qualificações a um secretário de Estado e quando este se demite o chefe de gabinete continua no cargo. Há aqui uma pequena perversão e o seu resultado é um dia destes o primeiro-ministro ser demitido, cabendo ao seu chefe de gabinete, que se mantém no cargo, a escolha do futuro primeiro-ministro.

Tiago Brandão Rodrigues é o ministro da Educação e impõe um amigo sem qualificações para o exercício de um cargo público. Isso é inaceitável e se não suceder o que parece, que seria o único a desconhecer que o seu amigo era um iletrado, deve apresentar a demissão.

«João Wengorovius Meneses adianta que "na reta final. Nos últimos dias que antecederam a minha saída tomei conhecimento de aspetos que agravaram os motivos" de desconfiança inicial. "Houve uma terceira dimensão que foi o facto de eu tomar conhecimento que ele não tinha uma licenciatura", como afirmava.

"Tive conhecimento disso (da mentira) por via da minha jurista. Mas, nunca comuniquei formalmente ao ministro o facto de Nuno Félix não ter uma ou duas licenciaturas".

João Wengorovius Meneses diz mesmo que pensou que o assunto estaria encerrado com o fim das suas funções no governo, porque quando sai um governante sai todo o gabinete, mas neste caso, o chefe de gabinete, Nuno Félix, foi reconduzido pelo novo secretário de Estado, João Paulo Rebelo.» [TSF]

      
 O suicídio do PSD
   
«Mais uma vez, o PSD mostrou que não sobra nada do que dá nome ao partido – social democracia.

Vem sendo evidente para todas e para todos que o PSD não tem discurso. Podia ter, mas não tem. Escolheu a trincheira de uma nova direita, desconhecida da nossa memória democrática, uma direita que apelida de “bolchevistas” ou produtos “das esquerdas radicais” medidas consensuais à social democracia mediana, como manuais escolares gratuitos para alunos do 1º ciclo básico.

Desta vez, o PSD foi mais longe no suicídio, na destruição do legado de um partido que fez parte da construção da democracia portuguesa.

No debate de quinta-feira, marcado pelo PSD, sobre as consequências das cativações orçamentais nos serviços públicos, a deputada oradora foi Maria Luís Albuquerque. Não vou perder tempo sobre o rosto do governo que cortou, demitiu, degradou, desmotivou e desorganizou em matérias de serviços públicos (tendo mesmo um plano para cortar mais, caso tivesse continuado a governar) teve o desplante de dizer acerca deste orçamento de estado. Foi tudo obsceno. Foi particularmente obsceno por ter sido dito pela deputada com o CV conhecido.

Desplante é uma coisa, destruir o legado de um partido político é outra. Ora, Maria Luís Albuquerque, na sua intervenção, disparou sobre os sindicatos, descobriu que representam interesses obscuros, talvez lóbis, assim, de repente, todo um discurso em nome do PSD que trata o sindicalismo como um obstáculo maldoso, quem sabe endinheirado.

Imagino que na Arrow Global Maria Luís Albuquerque não tenha de perder muito tempo a pensar em direitos dos trabalhadores. Mas no Parlamento fala em nome do PSD e arrasa uma das bases da social-democracia: a defesa do sindicalismo.

O PSD, assim, atira para um lixo cósmico o legado ao qual pertencia, à Europa social que retirou consequências de um conflito histórico entre capital e trabalho. As lutas sociais não foram ignoradas pelos democratas e a necessidade de regular os conflitos foi o berço do triunfo do movimento operário e sindical. Sem este movimento, como o PSD usava saber, pura e simplesmente não haveria Estado social.

A longa história da violação grosseira da dignidade das trabalhadoras e dos trabalhadores na era do capitalismo selvagem, quebrada com o sindicalismo, com a representação dos direitos dos trabalhadores, foi, para os defensores das correntes socialistas e sociais-democratas, uma vitória dos trabalhadores e da sociedade. Não há social-democrata que se preze que admita que uma sociedade é decente se a parte mais fraca da relação laboral – o trabalhador – não tem direito a estar sindicalizado ou que a sociedade é decente se as leis laborais são impostas sem concertação social.

Estamos a viver, ainda, momentos de enormes dificuldades no mundo do trabalho e, concretamente, nos serviços públicos. Há quem, precisamente nesses momentos, recorde a história, e se recuse rasgar o papel dos sindicatos, o mesmo é dizer o contrato social, a certeza de que a precarização laboral e a exploração, para além de indignas, não têm nenhuma relação positiva com o crescimento económico. É o que faz o PS.

Já o PSD, logo pela voz de Maria Luís Albuquerque, aproveita o momento para reduzir o sindicalismo a grupos de interesses, pondo a nu esta nova direita, a que vimos governar durante quatro anos e que assim continuaria se pudesse, avessa a compromisso coletivos alargados, uma direita antissindical, o mesmo é dizer uma direita que matou a social democracia, a que diria necessariamente isto: não há estado social sem sindicalismo; o desemprego e a precariedade reclamam o reforço do movimento sindical.

É este o suicídio do PSD.» [Expresso]
   
Autor:

Isabel Moreira.

      
 Qual a causa do falhanço na receita do IVA?
   
«Os quadros em contabilidade pública que o Governo não especificou na proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2017, e que só na noite de sexta-feira chegaram ao Parlamento, permitem saber qual é a previsão mais recente do executivo para as receitas fiscais deste ano, onde há um desvio na ordem dos 580 milhões de euros face à projecção inicial, de Fevereiro.

No caso do IVA, o imposto que mais receita gera ao Estado, há uma diferença superior a 400 milhões de euros em relação à primeira estimativa. Até agora, sabia-se que o Governo estava a prever arrecadar este ano em IVA 15.312 milhões de euros. Mas com o consumo a não crescer tanto quanto o esperado, a execução das contas mostrava há vários meses que a receita deste imposto não estava a correr como o previsto. Agora, os novos números mostram que o Governo prevê que a receita do IVA fique um pouco abaixo dos 15 mil milhões de euros (nos 14.899 milhões).

Há, assim, um desvio de 413 milhões entre as duas previsões. O Governo continua a prever que a receita cresça face ao ano passado; não vai é crescer tanto quanto a equipa de Mário Centeno esperava inicialmente. Em vez de uma variação de 3,2%, o ministro das Finanças está agora a contar que o IVA tenha um crescimento residual de 0,4%. Neste pressuposto, significa que a receita será superior em apenas 55 milhões de euros ao montante que o Estado conseguiu em 2015.» [Público]
   
Parecer:

Iva na restauração, baixo crescimento económico ou amolecimento da máquina fiscal.
   
Despacho do Diretor-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao SEAF que nos intervalos das idas à bola analise o porquê de ter falhado de forma tão clara na cobrança do IVA.»

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