sexta-feira, outubro 14, 2016

Um lapso de memória

"Não tenho dúvida alguma sobre a aprovação deste Orçamento. Isto que nós estamos a assistir parece uma peça encenada, não sabemos se estão de acordo ou se combinaram estar em desacordo, mas a verdade é que é próprio da negociação para um Orçamento do Estado, ainda mais quando envolve três partidos".

Quem fez estas declarações, alguém na oposição aquando da aprovação do OE para 2015 ou Assunção Cristas a propósito do OE de 2016?

A direita tem vindo a passar a mensagem de que este OE tem sido discutido na praça pública, desvalorizando o funcionamento da geringonça de que diziam não conseguir fazer aprovar o OE para 2017, em relação ao qual não tinha sido assumido qualquer compromisso aquando das negociações para a formação do governo. Recorde-se que muito boa gente desta praça pressionou Cavaco Silva porque supostamente os acordos do PS com os Verdes, o PCP e o BE não asseguravam estabilidade política para além da aprovação do OE 2016.

Tentam passar a ideia de que com a direita é tudo certinho e que com a esquerda há bandalhice. A verdade é que estamos quase no fim do ano e até a agoirenta da Teodora Cardoso já admite que para que se cumpram as metas orçamentais basta um danoninho. O défice encolheu, mesmo sem a ajuda do crescimento económico e foi possível repor a legalidade constitucional em matéria de vencimentos e pensões, para além da eliminação parcial da sobretaxa de IRS.

A verdade é que pela primeira vez em vários anos os portugueses tiveram o direito de viver tranquilos, sem ameaças, sem desvios colossais, sem medidas robustas, sem chantagens e, acima de tudo, sem mentiras. A verdade é que não foi necessário plano B, nada de anormal aconteceu em Setembro, não foi necessário usar a cenoura do reembolso da sobretaxa e foi possível cumprir um OE sem ser necessário recorrer a sucessivos orçamentos rectificativos.

Ocorreram divergências, ouviram-se propostas divergentes, tudo isso é verdade, o Jerónimo de Sousa não fez discursos dramáticos com decisões irrevogáveis para depois meter o rabo entre as pernas, a Catarina Martins não teve de engolir tudo o que disse no passado. Ainda bem que há divergência, ainda bem que não há unanimidade impostas por um qualquer califa de Massamá.

Quem fez as declarações? Foi Assunção Cristas que nos últimos dias revela uma grande falta de memória, esqueceu-se das divergências entre Paulo Portas e Passos quanto á redução do IRS que chegou a ser prometida por Paulo portas. Esqueceu-se que em 2015 o CDS teve de engolir em seco e em vez de uma eliminação parcial da sobretaxa inventou o esquema do seu reemboloso, que mais não foi do que uma fraude eleitoral montada pelo seu secretário de Estado Paulo Núncio.

Alguém anunciou impostos antes do OE? alguém tornou públicas divergências dentro da coligação em torno de uma redução do IRS? Tudo isso é verdade, basta cir ao site do Grupo parlamentar do CDS e saber que tudo isso aconteceu em 2014, relativamente ao OE de 2015. O CDS fez questão que se soubesse que o mau da fita era o parceiro de coligação. Foi mesmo a Assunção Cristas que falou em "peça encenada"? Deve estar a falar da pantomina que foram as negociações orçamentais entre o CDS, que se dizia ser o partido dos contribuintes e dos pensionistas, com os seu parceiro de governo.

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