terça-feira, maio 28, 2013

Em defesa da honra

Como se sabe a honra é uma qualidade intrínseca dos portugueses, uma instituição que ninguém ousa questionar e que quando é posta em causa só pode ser lavada com sangue. Nos negócios, na gestão do Estado, na políiica, no desempenho de cargos públicos, nos negócios de transferência de jogadores de futebol, em todos os domínios da vida económica e social, económica ou política dos portugueses a honra é um valor absoluto, inquestionável e universal e doentiamente respeitado.
Se o Moutinho foi um bónus para quem comprou o jovem colombiano o Bruno de Carvalho só tem de elogiar o Pinto da Costa pelo excelente negócio com o jogador sul-americano e perguntar-lhe se está interessado em  mais  algum jogador do plantel do Sporting para fazer de berlinde do próximo pirolito que o FCP vender ao Mónaco. 
Os portugueses podem ser pobres, os seus políticos podem ser uns pelintras ensebados, o seu Presidente pode ter de andar com gravatas coçadas e calças remendadas porque as pensões do casal já não dão para as despesas, a presidente do parlamento pode ter de andar sempre com o mesmo penteado e lavar a cabeça com sabão Clarim porque não ganha para o tabaco, mas de uma coisa podem te a certeza, é gente honrada, gente que cumpre os seus compromissos.
Veja-se o que se passava até à pouco tempo no parlamento, a actividade parlamentar quase paralisava mas não devido à divergência de ideias ou à luta política. O parlamento quase deixou de funcionar com normalidade porque em cada três intervenções duas resultavam de um pedido de intervenção para defesa da honra, por tudo e por nada um deputado pedia a palavra e justificava a intervenção extra porque precisava de dar banho à honra.
A única excepção à paranoia nacional da defesa da honra foi José Sócrates, em relação a esse o senhor Palma, o Mário Nogueira, a Felícia Cabrito e a Manuela Moura Guedes parece terem feito um acordo secreto para decretar que no caso do ex-primeiro-ministro os bons princípios da honradez não se aplicavam. Contra ele valiam todos os processos e o recurso pelo próprio aos tribunais era algo de ofensivo para os jornalistas, os tribunais estavam demasiado coupados com os Freeport, os canudos e as Faces Ocultas para tratar da honra que a direita entendia não merecer qualquer defesa.

Felizmente o país voltou a defender a honra a qualquer preço e ainda bem que o Código Penal a defende, é para isso que a lei penal serve, para defender os nossos bons valores. O Código Penal é o sabão Clarim da nossa honra, uma esfregadela de Código Penal e a nossa honra cheira logo como novinha em folha.
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