segunda-feira, maio 20, 2013

Os limites da paciência e da democracia


OS estarolas deste governo aproveitaram-se da situação financeira, da fragilidade da oposição e da fraqueza da Presidência da República para reformatarem o país segundo a ideologia de uns rapazolas que eram candidatos a neo-fascistas dos shots das discotecas e democratas de dia a que se juntou o “enviado” do Durão Barroso que tinha acabado de ler uns artigos meio aldrabados em Harvard.
Esta gente viu na situação de excepção financeira a oportunidade de criar uma situação de excepção democrática, tudo fizeram para sujeitar o país a uma troika no topo da qual está um político ambicioso com quem se poderia negociar mais um mandato em Bruxelas a troco do apoio ao golpe de estado em Portugal. Desde então o país tem assistido a ataques cada vez vais frequentes à instituições democráticas, À Constituição e a todos os pilares da vida em democracia.
Umas vezes os estudos são do FMI, outras dizem que é o Portas que vai fazer o guião, umas vezes é o Coelho que escreve as cartas à troika, outras as medidas da troika são obrigatórias porque a carta foi ditada pelo Salassié. Não se sabe o que decide o país e o que manda a troika, não se percebe se a troika são uns cabos da tropa que cá puseram ou se ainda respeitam as instituições democráticas, já ninguém sabe se o vencimento do Gaspar é pago a título de remuneração ou de comissões por pagamentos de serviços de consultoria vendidos pela troika.
Esta gente decidiu reformatar o país sem consultar o povo, sem respeitar a Constituição, ofendendo os tribunais, gozando com os partidos da oposição e desprezando as instituições da sociedade civil, são tão maus e porquinhos que até os que entre eles ousam questionar as medidas que adoptam são humilhados na praça pública, Álvaro Santos Pereira e Paulo Portas já quase têm o direito ao estatuto de santos martirizados, se fossem muçulmanos já não teriam mãos a medir com tanta viagem à sua espera no paraíso.
Esta gente não hesita em atirar ricos contra pobres acusando os segundos de podridão da sociedade, jovens contra velhos porque estes são os gandulos, trabalhadores do privado contra os do público que são acusados de serem parasitas. Numa um apolítica num país democrático europeu obedeceu tanto ao guião da propaganda do regime nazi, nunca depois do nazismo se viu grupos profissionais ou etários serem acusados de forma colectiva como os responsáveis pelos males de um país.
A paciência da democracia está a ser levada aos limites pela chantagem com que é usada a troika, aparentemente uma estratégia autorizada por um líder da Comissão ambicioso e sem escrúpulos. Acham que usando o Salassie para assustar os portugueses podem adoptar as medidas mais brutais e que o povo as aceitará porque o próximo pacote brutal de austeridade apenas é dirigido contra os sacana do Estado.
Estes estarolas ainda não perceberam que há limites para a paciência da democracia ou para ter paciência em democracia. De dia para dia o número de desempregados sem qualquer apoio aumenta, são cada vez mais as empresas à beira da falência, os pais sem dinheiro para alimentar os filhos, os trabalhadores com medo do futuro. O primeiro a reforçar a sua segurança foi o Gaspar, fê-lo nos primeiros dias do governo, mas agora já se diz que especialistas da Mossad asseguram a protecção de Ricardo Salgado. Os sinais de que os limites da paciência da democracia e da paciência em democracia são cada vez mais evidentes. O país está cada vez mais à beira do colapso.
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