quinta-feira, maio 23, 2013

Tudo corre bem na colónia alemã


A aceitação por parte de uma boa parte das elites políticas lusas, jornalistas incluídos, da perda de soberania em favor da Alemanha a troco de empréstimos a juros razoáveis é tal que já ninguém fica incomodado o boche a dizer que em Portugal não há qualquer desvio orçamental. Imagino que se amanhã o país for confrontado com mais um dos desvios colossais manhosos a ser compensado com mais 30.000 despedimentos no Estado o Presidente da República venha dizer que andou tão entretido a redigir o comunicado do Conselho de Estado que até ficou grato por ter sido o coxo a prestar esclarecimentos sobre a execução orçamental portuguesa.
Não é a primeira vez que a direita portuguesa ente esta paixão pela direita conservadora alemã, é uma velha mania da nossa direita, sempre que os alemães aparentam estar fortes e próximos da vitória a nossa direita torna-se germanófila. Esta germanofilia é antiga, a direita conservadora inglesa é democrática demais para os gostos das nossa direita, o fascismo italiano era dado a palhaçadas e o franquismo espanhol caracterizava-se pela burrice, a nossa direita sempre preferiu a exactidão, o rigor, a força e o dinheiro dos alemães.
Portanto não admira que tenhamos um ministro das Finanças que diz no nosso parlamento que “não fui eleito para coisíssima nenhuma” e depois vá regularmente a Bona prestar contas e receber os apaparicos do coxo. Por aquilo que se viu desta vez até leva as contas portuguesas para o coxo as avaliar e o estatuto colonial é de tal forma assumido que o ministro alemão até já emite comentários públicos em que divulga as avaliações que faz.
A verdade é que já vamos no dia 23 de Maio e nada se sabe sobre a execução orçamental de Abril, mas pelo que parece o país pode estar descansado pois a acreditar no ministro das Finanças alemão tudo corre bem com as nossas finanças e não se regista qualquer desvio orçamental, ao contrário do que alguns portugueses não autorizados a falar sobre o seu país andaram por aí a dizer, incluindo os técnicos que nesta matéria apoiam o parlamento.
Podemos estar descansados, o senhor Wolfgang Schäuble depois de o Gaspar lhe ter entregue as contas garantiu que tudo corre bem na sua colónia periférica. Se o senhor ministro o diz e não houve qualquer erro de tradução isso significa que a execução orçamental lhe foi entregue mais ou menos na data em que no passado costumava ser divulgada em Portugal. Assim sendo faz todo o sentido que o governo deixe de divulgar a síntese da execução orçamental, até porque o senhor Wolfgang Schäuble poderia ficar ofendido por achar que estes pelintras lusos não confiam na sua palavra.
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